Estava na fila gigantesca da Livraria Saraiva pra comprar o livro de estréia da Fernanda Torres, quando de repente começa a tocar Wannabe, primeiro hit das Spice Girls, praticamente um hino da década de 90. Impossível esquecer de quando eu tinha lá meus quatro anos de idade, pintosinha, dançando Wannabe aos pulos sobre a cama, usando meias nos braços como luvas, e com uma camiseta pendurada na cabeça pra fingir de cabelo longo.
Atrás de mim na fila estava uma moça que eu chutaria estar atravessando a fase dos trinta anos.
"Nossa, que música nova, hein!", ela disse numa gargalhada.
Virei pra ela me dobrando de rir com o comentário.
Não porque a música era realmente velha, mas porque mesmo depois de todos esses anos, eu ainda escuto Spice Girls no repeat como se as meninas ainda estivessem no auge da carreira.
P.S.: Dei uma olhada no google pra ver se achava foto de alguma das Spice Girls usando luvas longas e não achei NENHUMA. Por algum motivo que desconheço, dançar Wannabe usando meias nos braços fazia mais sentido quando eu era criança.
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27 de jan. de 2014
10 de mar. de 2013
Aquele onde não aceitam cartão de crédito
"Quero essa bolsa aqui, moço."
"Essa?"
"Não, essa aqui. De bolinhas. Quanto tá?"
"Dez reais, senhora. Dinheiro ou cartão?"
"Cartão? Você aceita cartão? Não sabia que vocês aceitavam cartão agora, essa é nova pra mim!"
"É, tamo aceitando sim, senhora, tem um monte aí aceitando agora."
Disse o camelô de trem para sua cliente.
Ver um vendedor camelô no trem tirando da sua pochete uma daquelas máquinas de cartão de crédito foi uma experiência inovadora pra mim. Eu tenho como opinião que é lamentável nos dias de hoje estabelecimentos não aceitarem cartão de crédito ou débito, é atraso tecnológico. Veja o camelô. Até eles estão aceitando.
Quer melhor praticidade do que dizer "Passa no cartão" e não se preocupar em pegar naquele dinheiro imundo que passa de mão em mão e que você nunca saberá realmente por onde andou? A gente pode estar manuseando uma nota que uma vez esteve bem no saco escrotal de um stripper e nunca vai saber. A nota de um real, por exemplo? Ficou tão rodada que não existia mais nota que não estivesse caindo aos pedaços. Eu pelo menos não via. Se bobear até o verdadeiro motivo de a tirarem de circulação.
Não respeito lojas que não aceitam cartão. Num mundo ideal, o dinheiro em papel estará extinto e o ser humano nunca mais precisará carregar ou se preocupar com coliformes fecais em cédulas de dinheiro.
"Essa?"
"Não, essa aqui. De bolinhas. Quanto tá?"
"Dez reais, senhora. Dinheiro ou cartão?"
"Cartão? Você aceita cartão? Não sabia que vocês aceitavam cartão agora, essa é nova pra mim!"
"É, tamo aceitando sim, senhora, tem um monte aí aceitando agora."
Disse o camelô de trem para sua cliente.
Ver um vendedor camelô no trem tirando da sua pochete uma daquelas máquinas de cartão de crédito foi uma experiência inovadora pra mim. Eu tenho como opinião que é lamentável nos dias de hoje estabelecimentos não aceitarem cartão de crédito ou débito, é atraso tecnológico. Veja o camelô. Até eles estão aceitando.
Quer melhor praticidade do que dizer "Passa no cartão" e não se preocupar em pegar naquele dinheiro imundo que passa de mão em mão e que você nunca saberá realmente por onde andou? A gente pode estar manuseando uma nota que uma vez esteve bem no saco escrotal de um stripper e nunca vai saber. A nota de um real, por exemplo? Ficou tão rodada que não existia mais nota que não estivesse caindo aos pedaços. Eu pelo menos não via. Se bobear até o verdadeiro motivo de a tirarem de circulação.
Não respeito lojas que não aceitam cartão. Num mundo ideal, o dinheiro em papel estará extinto e o ser humano nunca mais precisará carregar ou se preocupar com coliformes fecais em cédulas de dinheiro.
18 de fev. de 2013
Aquele em que eu não sei beber
Definitivamente não sou do tipo de pessoa que bebe regularmente e talvez seja por isso que bebida e Jorge Alison raramente seja uma combinação que dê certo. Quando criança papai me ensinou que um adulto direito não bebe. Aquela coisa meio "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Já mamãe me ensinou que se eu fosse beber eu tinha que aprender a beber, isso é, parar quando sentisse que a minha vergonha na cara já estava se desvanecendo.
Mas isso não procede.
Gente nova bebendo é foda, pra quê parar quando a coisa tá ficando boa, né? Vou parafrasear um amiga minha louca histérica do cu, que diz assim: "Quando eu bebo, eu bebo é pra ficar bêbada! Trêbada! Tropeçando nas próprias pernas!" Então quer dizer, bebo quase nunca, se é pra beber então que seja para aproveitar. A consequência disso tudo acaba sendo a total perda da dignidade pessoal: Desmaiando pela rua, vomitando tudo o que comi e sendo carregado pelo namorado. Namorado este que, aliás, é SEMPRE a pessoa responsável por toda a merda que acontece. E eu vou dizer o por quê:
"Bebe mais, Alison!",
"Vou ali comprar mais bebida pra você.",
"O que você quer beber agora?", entre outras coisas.
Nesse recesso de Carnaval eu fiquei empacado em casa terminando um artigo para a faculdade que deveria ter entregue no semestre passado e acabamos decidindo sair apenas no último dia. E ele levou VINHO pra mim. VINHO. Foi só pegar o embalo que bebi a garrafa inteira quase que sozinho, e ainda misturei com trocentas outras coisas que nem lembro. Receita para a desgraça.
Pela primeira vez na minha maioridade eu acordei no dia seguinte com total perda da memória da noite anterior. Eu precisei ver as fotos e ouvir os testemunhos das barbaridades que fiz para ter sequer uma ideia do quanto eu estava louco.
A única coisa que ficou na minha memória foi o comentário de uma mulher para uma ação completamente despremeditada de minha parte:
"Viram? Eu disse que alguém ia acabar dando um tapa na minha bunda!"
Mas isso não procede.
Gente nova bebendo é foda, pra quê parar quando a coisa tá ficando boa, né? Vou parafrasear um amiga minha louca histérica do cu, que diz assim: "Quando eu bebo, eu bebo é pra ficar bêbada! Trêbada! Tropeçando nas próprias pernas!" Então quer dizer, bebo quase nunca, se é pra beber então que seja para aproveitar. A consequência disso tudo acaba sendo a total perda da dignidade pessoal: Desmaiando pela rua, vomitando tudo o que comi e sendo carregado pelo namorado. Namorado este que, aliás, é SEMPRE a pessoa responsável por toda a merda que acontece. E eu vou dizer o por quê:
"Bebe mais, Alison!",
"Vou ali comprar mais bebida pra você.",
"O que você quer beber agora?", entre outras coisas.
Nesse recesso de Carnaval eu fiquei empacado em casa terminando um artigo para a faculdade que deveria ter entregue no semestre passado e acabamos decidindo sair apenas no último dia. E ele levou VINHO pra mim. VINHO. Foi só pegar o embalo que bebi a garrafa inteira quase que sozinho, e ainda misturei com trocentas outras coisas que nem lembro. Receita para a desgraça.
Pela primeira vez na minha maioridade eu acordei no dia seguinte com total perda da memória da noite anterior. Eu precisei ver as fotos e ouvir os testemunhos das barbaridades que fiz para ter sequer uma ideia do quanto eu estava louco.
A única coisa que ficou na minha memória foi o comentário de uma mulher para uma ação completamente despremeditada de minha parte:
"Viram? Eu disse que alguém ia acabar dando um tapa na minha bunda!"
1 de fev. de 2013
Aquele do milkshake
"Moço, me compra um milkshake?"
"Não."
"Ah, num fode, então!"
Foi o que me disse um garotinho de rua em frente ao Bob's enquanto eu voltava pra casa ontem a noite. Essas crianças estão ficando cada vez mais exigentes. Quer dizer: "Não preciso de um prato de comida não, moço. Eu quero mesmo é um milshake de ovomaltine."
Adelaide discordaria de mim. Pobre também merece milkshake.
"Não."
"Ah, num fode, então!"
Foi o que me disse um garotinho de rua em frente ao Bob's enquanto eu voltava pra casa ontem a noite. Essas crianças estão ficando cada vez mais exigentes. Quer dizer: "Não preciso de um prato de comida não, moço. Eu quero mesmo é um milshake de ovomaltine."
Adelaide discordaria de mim. Pobre também merece milkshake.
3 de jan. de 2013
Aquele do professor universitário
Professor universitário é uma raça insuportável. E eu não estou querendo ser injusto, não. Tem muito professor bacana nas universidades, e tem mesmo, mas maioria é, de fato, um completo nojo.
Último ano da faculdade e eu ainda me surpreendo com os meus professores. Outro dia mesmo numa aula de poesia, lá estava eu sentado no fundão conversando discretamente com uma amiga. Sabe quando você conversa com um amigo na sala de aula bem no fundão mesmo, última carteira de uma sala enorme, num tom quase impossível de se ouvir? Pois é. Para o professor talvez não fosse o caso.
Ele parou a aula e disse:
"Eu estou incomodando vocês? Porque se estiver eu paro."
Me senti no colegial, com catorze anos de idade. Pensei que eu tinha regredido alguns anos, voltado no tempo, sei lá, tipo naquele filme Efeito Borboleta. Estou incomodando vocês? Se eu estivesse bem na primeira coluna do mapa de sala conversando que nem matraca velha a história seria outra. Na universidade é todo mundo adulto.
A minha vontade era de responder:
"Ah, tá incomodando sim, nem estou conseguindo ouvir minha amiga direito."
Mas não. Eu tive que me contentar em apenas rolar os meus olhos pro teto e calar a minha boca. Apesar que, honestamente, eu gostaria muito de saber qual seria a reação do meu professor caso eu tivesse dado a resposta que estava bem na pontinha da minha língua.
Acho que nunca vou saber. Ainda me sobra muito bom senso.
Último ano da faculdade e eu ainda me surpreendo com os meus professores. Outro dia mesmo numa aula de poesia, lá estava eu sentado no fundão conversando discretamente com uma amiga. Sabe quando você conversa com um amigo na sala de aula bem no fundão mesmo, última carteira de uma sala enorme, num tom quase impossível de se ouvir? Pois é. Para o professor talvez não fosse o caso.
Ele parou a aula e disse:
"Eu estou incomodando vocês? Porque se estiver eu paro."
Me senti no colegial, com catorze anos de idade. Pensei que eu tinha regredido alguns anos, voltado no tempo, sei lá, tipo naquele filme Efeito Borboleta. Estou incomodando vocês? Se eu estivesse bem na primeira coluna do mapa de sala conversando que nem matraca velha a história seria outra. Na universidade é todo mundo adulto.
A minha vontade era de responder:
"Ah, tá incomodando sim, nem estou conseguindo ouvir minha amiga direito."
Mas não. Eu tive que me contentar em apenas rolar os meus olhos pro teto e calar a minha boca. Apesar que, honestamente, eu gostaria muito de saber qual seria a reação do meu professor caso eu tivesse dado a resposta que estava bem na pontinha da minha língua.
Acho que nunca vou saber. Ainda me sobra muito bom senso.
12 de dez. de 2012
Aquele em que eu não uso mictório
Eu esperando impaciente no banheiro do shopping alguém disponibilizar o sanitário íntimo porque eu sou bicha fresca demais pra fazer xixi naqueles mictórios nojentos. Parecia até que o shopping inteiro tinha resolvido fazer cocô na mesma hora.
Quando um cara finalmente me resolve sair do vaso, eu recuo no mesmo instante em que eu ponho o primeiro pé dentro do compartimento íntimo.
"Ué", exclamou meu namorado quando me viu voltando. "Não usou?"
"Não aguentei ficar lá, tava fedendo demais, você não tem noção."
Eu olho para o lado e o cara que tinha usado o banheiro antes estava lá parado, lavando as mãos, me olhando com cara de cu.
Sou muito desnecessário às vezes.
Quando um cara finalmente me resolve sair do vaso, eu recuo no mesmo instante em que eu ponho o primeiro pé dentro do compartimento íntimo.
"Ué", exclamou meu namorado quando me viu voltando. "Não usou?"
"Não aguentei ficar lá, tava fedendo demais, você não tem noção."
Eu olho para o lado e o cara que tinha usado o banheiro antes estava lá parado, lavando as mãos, me olhando com cara de cu.
Sou muito desnecessário às vezes.
8 de dez. de 2012
Aquele d'A Gafe
Ontem estava trabalhando aplicando um exame de proficiência para falantes de inglês pré-adolescentes e pela primeira vez em três anos aplicando prova eu vi uma criança chorando.
Vamos chamar o garotinho de Luiz Gustavo. Então Luiz Gustavo tinha dez aninhos de idade. Papai o levou até a sala de espera e lhe desejou boa sorte. Dois minutos depois ele retorna com o celular em mãos, dizendo que a mãe do garoto tinha ligado para desejar boa sorte.
Pronto. Luiz Gustavo desabou em lágrimas.
Eu me senti dentro de um filme dramático sobre uma criancinha que vivia longe da mãe. A gente não ficou sabendo das fofocas da família do menino, mas o meu palpite era que ele não morava com a mãe ou ela tinha viajado pra bem longe. Mas isso não importa.
Não tardou até eu ver todos os supervisores fazendo força pra não chorar junto.
Terminada a ligação Luiz Gustavo foi lavar o rosto e lhe trouxemos um copinho com água e açúcar para ele se acalmar. Quando eu pensei que fosse o fim da dramalheira uma das fiscais mais velhas começou a tentar conversar com garoto numa tentativa de deixá-lo mais calmo.
E foi então que ela cometeu A Gafe.
"Você é filho único ou tem algum irmão?"
"Eu tinha uma irmã... mas ela morreu."
Podia ter ficado calada.
Vamos chamar o garotinho de Luiz Gustavo. Então Luiz Gustavo tinha dez aninhos de idade. Papai o levou até a sala de espera e lhe desejou boa sorte. Dois minutos depois ele retorna com o celular em mãos, dizendo que a mãe do garoto tinha ligado para desejar boa sorte.
Pronto. Luiz Gustavo desabou em lágrimas.
Eu me senti dentro de um filme dramático sobre uma criancinha que vivia longe da mãe. A gente não ficou sabendo das fofocas da família do menino, mas o meu palpite era que ele não morava com a mãe ou ela tinha viajado pra bem longe. Mas isso não importa.
Não tardou até eu ver todos os supervisores fazendo força pra não chorar junto.
Terminada a ligação Luiz Gustavo foi lavar o rosto e lhe trouxemos um copinho com água e açúcar para ele se acalmar. Quando eu pensei que fosse o fim da dramalheira uma das fiscais mais velhas começou a tentar conversar com garoto numa tentativa de deixá-lo mais calmo.
E foi então que ela cometeu A Gafe.
"Você é filho único ou tem algum irmão?"
"Eu tinha uma irmã... mas ela morreu."
Podia ter ficado calada.
30 de out. de 2012
Aquele da menina que não canta nada
Fomos mamãe e eu para uma festa da parte evangélica da família do meu pai em que um dos meus primos iria cantar num recital. Quando chegou a vez dele cantar, subiu uma garota com ele no palco e eles acabaram cantando um dueto.
Até aí tudo bem.
Chegando quase no final da festa, já estávamos de saco cheio e queríamos mais era dar o fora dali. Como a educação manda, fomos lá mamãe e eu nos despedirmos e darmos os parabéns ao meu primo cantor. Ele estava sentado junto com a mãe, irmã e um grupinho de agregados, provavelmente da igreja deles.
"Nossa, mas você arrasou!", começou minha mãe, toda empolgada. "Você tem um vozerão, cara! Sério! Me impressionei, eu sabia que você sabia cantar, mas não que era tão bom assim. Você só podia ter cantado solo, né, porque aquela menina que cantou com você, ó. Vou dizer. Muito ruim, canta nada! Na-da! Afinal, quem é aquela garota?"
"Era eu.", disse uma das meninas que estavam no grupinho.
Eu olhei pra mamãe, mamãe olhou pra mim. Pedimos licença e nos retiramos.
"Que vexame, mãe."
"Cala a boca e anda rápido."
Até aí tudo bem.
Chegando quase no final da festa, já estávamos de saco cheio e queríamos mais era dar o fora dali. Como a educação manda, fomos lá mamãe e eu nos despedirmos e darmos os parabéns ao meu primo cantor. Ele estava sentado junto com a mãe, irmã e um grupinho de agregados, provavelmente da igreja deles.
"Nossa, mas você arrasou!", começou minha mãe, toda empolgada. "Você tem um vozerão, cara! Sério! Me impressionei, eu sabia que você sabia cantar, mas não que era tão bom assim. Você só podia ter cantado solo, né, porque aquela menina que cantou com você, ó. Vou dizer. Muito ruim, canta nada! Na-da! Afinal, quem é aquela garota?"
"Era eu.", disse uma das meninas que estavam no grupinho.
Eu olhei pra mamãe, mamãe olhou pra mim. Pedimos licença e nos retiramos.
"Que vexame, mãe."
"Cala a boca e anda rápido."
16 de set. de 2012
Aquele do gel lubrificante
Pedrinho e Ângelo já namoravam há um ano e meio e tinham uma vida sexual bem ativa. Uma vez depois de saírem pra jantar, voltando pra casa, Ângelo cismou em parar na farmácia da rua da casa dele para comprar lubrificante.
"Gel lubrificante", Ângelo pediu para a atendente.
"Só pedir ali no balcão", respondeu ela, dando uma risadinha pra Pedrinho, que fingia ter entrado sozinho e olhava os produtos da farmácia com grande interesse, como se estivesse procurando alguma coisa.
"Pedrinho!", chamou Ângelo em voz alta. "Você prefere com esse ou com esse?"
Farmácia inteira para pra prestar atenção em Ângelo segurando os dois tubos de lubrificante de marcas diferentes.
Existe vergonha maior?
Pode acontecer com qualquer um. Aconteceu com um amigo meu.
6 de jul. de 2012
19 de jun. de 2012
Aquele dos 26 estados
Eu devia ter uns dez, onze anos na época quando passei a maior vergonha da minha vida acadêmica. A pressão da faculdade e meus primeiros empregos foram fichinha em comparação a primeira humilhação pública que eu passei em toda a minha vida. Acho que estávamos no meio da aula de Redação quando o diretor da minha primeira escola entrou na nossa sala de aula, num costume corriqueiro, para discursar algumas palavras sobre o amor à pátria e sobre como a educação era importante para o nosso país, o que nenhum aluno realmente parava para prestar atenção. O nome do diretor agora me falha na memória, mas vamos chamá-lo de Emanuel.
Emanuel era um velho babão. Já devia estar com o pé na cova e ninguém exatamente dava bola para o que ele falava porque ele já não batia muito bem da cabeça por causa da velhiche, ele tinha lá os seus problemas e maioria das palavras que ele pronunciava, ou grunhia, eram praticamente impossíveis de se identificar. Toda a vez que ele entrava numa sala de aula para proclamar seu discurso moralista ele escolhia algum aluno aleatório para responder a alguma pergunta da vida. Eu nunca dei muita bola para isso porque eu sempre fui invisível na época do ginasial, mas daí um dia ele apontou para mim.
"Você.", ele disse. "Quantos estados tem o Brasil?"
Quantos estados tem o Brasil? Eu pensei. Eu sei lá quantos estados o Brasil tem! Qual é a importância disso? Vai ajudar a salvar vidas eu saber de cor quantas porras de estados tem a porra do país? Se ele quer saber quantos estados tem o Brasil, que pegasse um maldito Atlas e contasse os estados um por um ele mesmo! Mas não, ele tinha que perguntar diretamente a mim, no meio de todos os meus colegas e professora.
"Ah, essa é muito fácil!", murmurou uma vagabunda sentada ao meu lado.
Eu olhei pra vagabunda de esguelha por um segundo, e voltei o olhar para o velho babão, que ainda tinha os olhos fixos em mim, naquele meu estado patético de não saber o que responder.
"Ah, er... sei lá.", eu respondi.
"Mas como assim você não sabe?", ele persistiu.
"Ué, eu não sei, o que eu posso fazer?"
"MAS É POR ISSO QUE A EDUCAÇÃO DO PAÍS ESTÁ COMO ESTÁ, BLÁBLÁBLÁ, EDUCAÇÃO, BLÁ, WHISKAS SACHÊ, EDUCAÇÃO, BLÁBLÁ."
Acho que para meus colegas o episódio não foi de total importância. Talvez por nenhum deles nunca na vida ter parado para contar quantos estados tinha o Brasil, não sei. Mas sei que minha humilhação em público não acabou virando piada nacional, para a minha sorte. Mas por possuir uma alma de aluno estudioso por toda a minha vida, até hoje eu lembro desse dia com ódio no coração.
Eu nem sei se o diretor Emanuel morreu, se tá vivo, se está em coma numa cama de hospital respirando por um tubo, mas por mim e por todos os alunos cujo do desespero momentâneo ele se alimentou, eu espero sinceramente que ele arda no mármore do inferno. Não que eu acredite no inferno, é claro.
Emanuel era um velho babão. Já devia estar com o pé na cova e ninguém exatamente dava bola para o que ele falava porque ele já não batia muito bem da cabeça por causa da velhiche, ele tinha lá os seus problemas e maioria das palavras que ele pronunciava, ou grunhia, eram praticamente impossíveis de se identificar. Toda a vez que ele entrava numa sala de aula para proclamar seu discurso moralista ele escolhia algum aluno aleatório para responder a alguma pergunta da vida. Eu nunca dei muita bola para isso porque eu sempre fui invisível na época do ginasial, mas daí um dia ele apontou para mim.
"Você.", ele disse. "Quantos estados tem o Brasil?"
Quantos estados tem o Brasil? Eu pensei. Eu sei lá quantos estados o Brasil tem! Qual é a importância disso? Vai ajudar a salvar vidas eu saber de cor quantas porras de estados tem a porra do país? Se ele quer saber quantos estados tem o Brasil, que pegasse um maldito Atlas e contasse os estados um por um ele mesmo! Mas não, ele tinha que perguntar diretamente a mim, no meio de todos os meus colegas e professora.
"Ah, essa é muito fácil!", murmurou uma vagabunda sentada ao meu lado.
Eu olhei pra vagabunda de esguelha por um segundo, e voltei o olhar para o velho babão, que ainda tinha os olhos fixos em mim, naquele meu estado patético de não saber o que responder.
"Ah, er... sei lá.", eu respondi.
"Mas como assim você não sabe?", ele persistiu.
"Ué, eu não sei, o que eu posso fazer?"
"MAS É POR ISSO QUE A EDUCAÇÃO DO PAÍS ESTÁ COMO ESTÁ, BLÁBLÁBLÁ, EDUCAÇÃO, BLÁ, WHISKAS SACHÊ, EDUCAÇÃO, BLÁBLÁ."
Acho que para meus colegas o episódio não foi de total importância. Talvez por nenhum deles nunca na vida ter parado para contar quantos estados tinha o Brasil, não sei. Mas sei que minha humilhação em público não acabou virando piada nacional, para a minha sorte. Mas por possuir uma alma de aluno estudioso por toda a minha vida, até hoje eu lembro desse dia com ódio no coração.
Eu nem sei se o diretor Emanuel morreu, se tá vivo, se está em coma numa cama de hospital respirando por um tubo, mas por mim e por todos os alunos cujo do desespero momentâneo ele se alimentou, eu espero sinceramente que ele arda no mármore do inferno. Não que eu acredite no inferno, é claro.
6 de jun. de 2012
Aquele do acidente de trânsito
Ruas sem faixa de pedestre me irritam. Quero dizer, o que mais atrasa
a sua vida do que precisar ficar brincando de passa-ou-não-passa,
corro-ou-não-corro com carros, ônibus e caminhões que não ligam a mínima
para se você está atrasado para um compromisso ou não? As pessoas
precisam saber que isso realmente é um problema no Rio de Janeiro.
Tem umas ruas lá no centro do Rio que são o capeta pra se lidar porque você tem que andar a avenida inteira para achar o lugar certo para atravessar, o que nem sempre é um bom négocio porque, afinal, os motoristas daqui atravessam sinal vermelho a torto e a direito. Pra mim pelo menos atravessar a rua em alguns desses lugares requer o elemento coragem. Quer dizer, a gente não pode ter medo de morrer. Mas isso não é um problema tão grande pra mim porque eu estou quase completamente convencido de que vou morrer num acidente de trânsito.
Outro dia eu quase morri atropelado. De novo. E se eu não fosse ateu, juraria que no mínimo pelos últimos dezenove anos, Deus vem insanamente, desequilibradamente, constantemente tentando me matar num acidente de trânsito. Porque não é brincadeira as vezes que eu sabe-se lá como consegui me safar de ser erguido ou ter o corpo tragicamente amassado por um carro. É tipo absurdo. Eu já fui “quase” atropelado várias vezes. De todos os jeitos possíveis. Sabem matrix? Quando a pessoa se esquiva das balas em câmera lenta? Já aconteceu comigo. Mas não eram balas, era um caminhão.
Por ironia do destino o único meio de transporte que conseguiu a façanha de atravessar suas rodas por cima do meu corpo foi uma bicicleta, enquanto eu andava feliz de patins. Mas a culpa dessa vez não foi minha ou da minha necessidade estúpida de provar que consigo ser mais rápido que conduções. Eu tinha seis anos. Me ralei todo. Saiu sangue. Uma menina aqui da rua resolveu se certificar se passar por cima de uma criança com a bicicleta era realmente um ato perigoso. Eu nunca vou esquecer desse dia.
Mesmo assim, acho melhor eu começar a tomar mais cuidado com o trânsito a partir de agora. Não quero entrar para as estatísticas.
Tem umas ruas lá no centro do Rio que são o capeta pra se lidar porque você tem que andar a avenida inteira para achar o lugar certo para atravessar, o que nem sempre é um bom négocio porque, afinal, os motoristas daqui atravessam sinal vermelho a torto e a direito. Pra mim pelo menos atravessar a rua em alguns desses lugares requer o elemento coragem. Quer dizer, a gente não pode ter medo de morrer. Mas isso não é um problema tão grande pra mim porque eu estou quase completamente convencido de que vou morrer num acidente de trânsito.
Outro dia eu quase morri atropelado. De novo. E se eu não fosse ateu, juraria que no mínimo pelos últimos dezenove anos, Deus vem insanamente, desequilibradamente, constantemente tentando me matar num acidente de trânsito. Porque não é brincadeira as vezes que eu sabe-se lá como consegui me safar de ser erguido ou ter o corpo tragicamente amassado por um carro. É tipo absurdo. Eu já fui “quase” atropelado várias vezes. De todos os jeitos possíveis. Sabem matrix? Quando a pessoa se esquiva das balas em câmera lenta? Já aconteceu comigo. Mas não eram balas, era um caminhão.
Por ironia do destino o único meio de transporte que conseguiu a façanha de atravessar suas rodas por cima do meu corpo foi uma bicicleta, enquanto eu andava feliz de patins. Mas a culpa dessa vez não foi minha ou da minha necessidade estúpida de provar que consigo ser mais rápido que conduções. Eu tinha seis anos. Me ralei todo. Saiu sangue. Uma menina aqui da rua resolveu se certificar se passar por cima de uma criança com a bicicleta era realmente um ato perigoso. Eu nunca vou esquecer desse dia.
Mesmo assim, acho melhor eu começar a tomar mais cuidado com o trânsito a partir de agora. Não quero entrar para as estatísticas.
5 de mai. de 2012
Aquele da abstinência sexual
Como eu ando doentinho (doentinho é apelido, mas ok), eu ando passando muito tempo no consultório fazendo coleta de sangue e lá aparece de tudo quanto é gente, né.
"Senhor, para fazer esse exame o senhor vai ter que ficar em abstinência.", informou a secretária.
"Abstinência? Que abstinência?", o velho perguntou.
"Abstinência sexual, senhor."
"Abstinência sexual? Mas que diabos é abstinência sexual?"
E foi então que minha mãe resolveu se meter.
"MINHA FILHA, FALA LOGO NO POPULAR! É SÓ ASSIM QUE ELE ENTENDE! NÃO PODE FAZER SEXO, MOÇO. ISSO QUE ELA QUIS DIZER, SEXO! VOCÊ NÃO PODE FAZER SEXO! ABSTINÊNCIA SEXUAL É ISSO. ENTENDEU?"
A secretária, toda envergonhada, deu uma risadinha.
Mas a boa coisa é que o moço finalmente entendeu e ainda aprendeu uma palavra nova no dia: Abstinência.
Mamãe é dez.
"Senhor, para fazer esse exame o senhor vai ter que ficar em abstinência.", informou a secretária.
"Abstinência? Que abstinência?", o velho perguntou.
"Abstinência sexual, senhor."
"Abstinência sexual? Mas que diabos é abstinência sexual?"
E foi então que minha mãe resolveu se meter.
"MINHA FILHA, FALA LOGO NO POPULAR! É SÓ ASSIM QUE ELE ENTENDE! NÃO PODE FAZER SEXO, MOÇO. ISSO QUE ELA QUIS DIZER, SEXO! VOCÊ NÃO PODE FAZER SEXO! ABSTINÊNCIA SEXUAL É ISSO. ENTENDEU?"
A secretária, toda envergonhada, deu uma risadinha.
Mas a boa coisa é que o moço finalmente entendeu e ainda aprendeu uma palavra nova no dia: Abstinência.
Mamãe é dez.
11 de abr. de 2012
Aquele do metrô lotado #03
Quem anda de metrô lotado sabe. Às vezes você se mexe contra a sua vontade. Você atravessa a porta numa ponta do vagão e sai lááá na outra sem saber como isso aconteceu. Pegar o metrô de manhã na primeira estação é a desgraça porque primeiro que o metrô tá supostamente vazio, né, e as pessoas saem correndo desesperadas pra arranjar um lugar ou um canto aconchegante pra se encaixar. Daí o que acontece, você meio que é levado pela corrente de gente contra a sua vontade. Por isso não adianta ir com amiguinho pensando que vai viajar de metrô conversando a viagem inteira, porque não vai rolar.
Outro dia entraram mãe e filha no mesmo vagão e não deu outra. Foram as duas arrastadas para pontos exatamente opostos.
Nenhuma alma viva falava no vagão.
"Ô MANHÊEE!!! CADÊ VOCÊ??!!", gritou uma delas, de repente.
Bem no extremo do outro lado do vagão, via-se uma senhora na ponta dos pés, esticando os dois braços, acenando como se sua vida dependesse disso.
"TÔ AQUIIIIIIIII!!!"
Daí pronto. Permaneceram conversando desse modo até chegarem na estação destino.
Foi a desgraça.
Outro dia entraram mãe e filha no mesmo vagão e não deu outra. Foram as duas arrastadas para pontos exatamente opostos.
Nenhuma alma viva falava no vagão.
"Ô MANHÊEE!!! CADÊ VOCÊ??!!", gritou uma delas, de repente.
Bem no extremo do outro lado do vagão, via-se uma senhora na ponta dos pés, esticando os dois braços, acenando como se sua vida dependesse disso.
"TÔ AQUIIIIIIIII!!!"
Daí pronto. Permaneceram conversando desse modo até chegarem na estação destino.
Foi a desgraça.
20 de mar. de 2012
Aquele do metrô lotado #02
A hora do rush no metrô do Rio de Janeiro é engraçada porque você nunca consegue controlar a posição do seu corpo, né. É tipo jogar Twister, é uma coisa que fica além do seu poder de escolha. Uma perna tá num lugar, a outra está traçada de forma totalmente diferente e desconfortável e por aí vai.
Eu estava na estação de partida, sem conseguir mexer UM dedo sequer. Se o metrô tivesse janelas, teria gente sendo jogada pra fora delas à força por causa do aperto, afinal, em vagão lotado as pessoas aproveitam pra empurrar as outras na maior vontade. Eu, inclusive, sou uma delas. Não tenho dó. Eu sou um palito de gente, se eu não machucar as pessoas, elas ME machucam.
Enfim. Um silêncio gostoso imperava no vuco-vuco do vagão e uma louca me vira, suspirando e quebrando o silêncio:
"Ai gente. Eu odeio solidão."
Eu estava na estação de partida, sem conseguir mexer UM dedo sequer. Se o metrô tivesse janelas, teria gente sendo jogada pra fora delas à força por causa do aperto, afinal, em vagão lotado as pessoas aproveitam pra empurrar as outras na maior vontade. Eu, inclusive, sou uma delas. Não tenho dó. Eu sou um palito de gente, se eu não machucar as pessoas, elas ME machucam.
Enfim. Um silêncio gostoso imperava no vuco-vuco do vagão e uma louca me vira, suspirando e quebrando o silêncio:
"Ai gente. Eu odeio solidão."
10 de mar. de 2012
Aquele do ônibus, o crente e a música ambiente
Sabem o que eu acho dessa palhaçada de tocarem música alta no ônibus ou em qualquer outro meio de transporte público? Uma mistura de putaria, ignorância e falta de respeito vindo de gente que não completou nem o segundo grau.
O maior absurdo é que ninguém fala nada, daí quando um viadinho resolve bater cabelo pra mandar o evangélico desligar a porra do celular, todo mundo fica olhando calado achando que tem show ao vivo acontecendo no meio do transporte público.
Voltando pra casa de ônibus, uma peça me resolveu colocar música gospel no último volume. Bem ao meu lado, veja bem. Quando acabou a primeira música, eu pensei que o cara ia se tocar e desligar, né, por causa dos meus murmúrios e de uma velha na frente reclamando da barulheira. Afinal, incomoda.
Não aconteceu.
Ele pegou o celular de novo e colocou outra música.
Perdi minha paciência e catei meus fones e o iPod de dentro da mochila.
"Moço, com licença.", eu disse, lhe chamando atenção e mostrando os fones de ouvidos, embora minha vontade fosse de esfregar os fones na fuça dele.
"Você sabe o que é isso?", perguntei. "Isso é um fone de ouvido."
Todo mundo prestava atenção.
"MERMÃO, ISSO AQUI É UM LUGAR PÚBLICO!" ele me disse.
Tentei articular, mas não funcionou. Crente sempre acha que tem razão.
A minha sorte, diferente do resto da maioria da gente daquele ônibus era que eu podia abafar aquela louvação ouvindo a minha própria música sem incomodar ninguém. Mas o filho da puta continuou com a barulheira evangélica.
Depois eu acabei ficando sabendo pelo meu namorado, que estava comigo e continuou no ônibus depois de eu ter descido, que o crente se juntou com uma crente velha e os dois iniciaram uma louvação a Deus no meio do ônibus, chamando todo mundo que quisesse participar da oração pra se juntar. Ah vai tomar no cu.
O governo precisa saber que isso é um problema sério no Rio de Janeiro.
O maior absurdo é que ninguém fala nada, daí quando um viadinho resolve bater cabelo pra mandar o evangélico desligar a porra do celular, todo mundo fica olhando calado achando que tem show ao vivo acontecendo no meio do transporte público.
Voltando pra casa de ônibus, uma peça me resolveu colocar música gospel no último volume. Bem ao meu lado, veja bem. Quando acabou a primeira música, eu pensei que o cara ia se tocar e desligar, né, por causa dos meus murmúrios e de uma velha na frente reclamando da barulheira. Afinal, incomoda.
Não aconteceu.
Ele pegou o celular de novo e colocou outra música.
Perdi minha paciência e catei meus fones e o iPod de dentro da mochila.
"Moço, com licença.", eu disse, lhe chamando atenção e mostrando os fones de ouvidos, embora minha vontade fosse de esfregar os fones na fuça dele.
"Você sabe o que é isso?", perguntei. "Isso é um fone de ouvido."
Todo mundo prestava atenção.
"MERMÃO, ISSO AQUI É UM LUGAR PÚBLICO!" ele me disse.
Tentei articular, mas não funcionou. Crente sempre acha que tem razão.
A minha sorte, diferente do resto da maioria da gente daquele ônibus era que eu podia abafar aquela louvação ouvindo a minha própria música sem incomodar ninguém. Mas o filho da puta continuou com a barulheira evangélica.
Depois eu acabei ficando sabendo pelo meu namorado, que estava comigo e continuou no ônibus depois de eu ter descido, que o crente se juntou com uma crente velha e os dois iniciaram uma louvação a Deus no meio do ônibus, chamando todo mundo que quisesse participar da oração pra se juntar. Ah vai tomar no cu.
O governo precisa saber que isso é um problema sério no Rio de Janeiro.
7 de mar. de 2012
Aquele do metrô lotado
Olha, vou falar que uma coisa complicada do sistema de transporte público do Rio de Janeiro é o metrô lotado de manhã. É aquela horinha mágica da galere trabalhadora se dirigindo aos seus respectivos empregos, tudo de uma vez só. Eu honestamente não sei como tem gente que consegue suportar essa situação diariamente. Sinceramente prefiro ir a faculdade de ônibus. Não tem ar-condicionado, demora o triplo do tempo pra chegar, mas pelo menos eu vou sentado escutando minha música e não sou perturbado por ninguém.
Ultimamente eu acabei tendo que usar o metrô de manhã, por falta de opção. Não vou reclamar por conseguir mais uma horinhas de sono, conseguir acordar bem mais tarde, blábláblá. Mas continuo achando o ó aquela esfregação com gente desconhecida.
Mas as vezes eu me divirto.
"Ai, estão me empurrando!", insistia uma mulher. "Tá muito apertado aqui! Não aguento mais! Vou sair. Vou pegar o próximo!"
O metrô parou e a mulher saiu.
Um espaço enorme apareceu do nada no meio do carro e uma senhora ao meu lado se manifestou:
"Mas também, gente, vocês viram o tamanho da bunda dela? Tava ocupando todo esse espaço!"
Confesso que não reparei na bunda da mulher.
Mas ri horrores.
Ultimamente eu acabei tendo que usar o metrô de manhã, por falta de opção. Não vou reclamar por conseguir mais uma horinhas de sono, conseguir acordar bem mais tarde, blábláblá. Mas continuo achando o ó aquela esfregação com gente desconhecida.
Mas as vezes eu me divirto.
"Ai, estão me empurrando!", insistia uma mulher. "Tá muito apertado aqui! Não aguento mais! Vou sair. Vou pegar o próximo!"
O metrô parou e a mulher saiu.
Um espaço enorme apareceu do nada no meio do carro e uma senhora ao meu lado se manifestou:
"Mas também, gente, vocês viram o tamanho da bunda dela? Tava ocupando todo esse espaço!"
Confesso que não reparei na bunda da mulher.
Mas ri horrores.
20 de fev. de 2012
Aquele dos macaquinhos
(Santa Irapitinga do Segredo, 1941, Tarsila do Amaral)
"Que é isso, gente, são macaquinhos?" eu perguntei em voz alta.
Uma mulher em pé que estava bem ao meu lado na exposição da Tarsila Amaral, vendo a mesma imagem, virou pra mim indignada.
"Não. São criancinhas".
"Ah".
Mas ó, em minha defesa, aquele ali à esquerda, que está subindo o muro, parece que tem um rabo.
6 de fev. de 2012
Aquele do pôr-do-sol
Sempre achei meio ridícula essa história de bater palmas quando o sol se põe. Dá para citar uma infinidade de situações que desperte em nós essa necessidade cultural de bater palmas. Em aniversários a gente bate palma, no final de um espetáculo teatral a gente bate palma. Em simpósios, apresentações em geral, enfim. Mas o pôr-do-sol? O que tem de especial no por do sol? É bonito? É, mas o sol se pondo dá pra ver todo o dia. É de tade, tá todo mundo acordado! Não chega a ser um nascer do sol que a gente ainda tem que ter o trabalho de acordar de madrugada pra conseguir ver como é.
Ontem mesmo eu fui à praia com as amizades pra tomar sol e um banho de mar.O que é uma mentira deslavada já que o mais fundo que cheguei perto da água foi até o calcanhar e nem tirar a camiseta eu tirei. Quando vou à praia só falo inglês e finjo ser gringo. Por voltas das sete horas da tarde não deu outra. A praia inteira de pé numa salva de palmas ao longo da despedida do Senhor Sol.
Por coincidência uns minutinhos antes tinha me distanciado das amigas para dar uma volta com o bofe pela praia e quando resolvemos voltar nos deparamos exatamente de frente para Ipanema inteira gritando, assoviando e se esgoleando pelo sol. Baixei a Miss Brasil na hora.
"Obrigada, gente! Obrigada! Eu amo vocês!" eu proclamava sorrindo, acenando de volta para todos eles.
Uma gordinha delícia super simpática logo em frente foi a primeira a dar uma risadinha. O momento meio que fez o meu dia.
Ontem mesmo eu fui à praia com as amizades pra tomar sol e um banho de mar.
Por coincidência uns minutinhos antes tinha me distanciado das amigas para dar uma volta com o bofe pela praia e quando resolvemos voltar nos deparamos exatamente de frente para Ipanema inteira gritando, assoviando e se esgoleando pelo sol. Baixei a Miss Brasil na hora.
"Obrigada, gente! Obrigada! Eu amo vocês!" eu proclamava sorrindo, acenando de volta para todos eles.
Uma gordinha delícia super simpática logo em frente foi a primeira a dar uma risadinha. O momento meio que fez o meu dia.
8 de out. de 2011
Aquele em que eu perco o espetáculo
Esses dias estava rolando a Jornada de Iniciação Científica lá na UFRJ e eu acabei sendo forçadotirando um dia para assistir uma rodada de apresentações, já que uma amiga minha estaria defendendo o trabalho dela. Então eu fui lá assitir.
Aquela coisa de universidade, né. Gente subindo ao palco pra contar o que estudou nos últimos N meses, conversa intelectual, falação, falação, blábláblá, gente fazendo perguntas, lálálá. Eu acabei saindo e entrando no auditório umas cinco vezes pra dar um rolé e respirar uns ares frescos. Na última vez eu voltei e algo estranho estava rolando lá dentro.
Mal sabia eu que eu tinha perdido um episódio épico da jornada.
"O que aconteceu aqui?" eu perguntei pro meu amigo, que fez um escândalo organizado assim que eu voltei.
"Amigo. Você perdeu. A menina pariu um brócolis! Um brócolis enorme saiu de dentro dela!" ele me disse.
"Ela pariu?! Um brócolis?!"
"É, um brocolis! Foi muito tenso."
"Como assim ela pariu um brócolis?! Do nada?"
"É, ela começou a gemer e de repente pariu um brócolis! E era enorme! E daí levaram o brócolis para uma caixinha e começaram a regar o brócolis com leite."
"Eu não estou entendendo. Ela estava apresentando um trabalho."
"É!"
"E do nada começou a gemer e pariu um brócolis?"
"Exatamente. Em cima da mesa."
"E daí regaram o brócolis com um regador cheio de leite?"
"Isso."
Daí exatamente nesse momento passa bem do nosso lado um pessoalzinho carregando uns equipamentos, uma caixa e um regador de plástico enorme.
"Aquele regador ali?"
"Ele mesmo."
"Eu não acredito que eu perdi isso."
E até agora eu não estou acreditando. Nunca mais eu subestimo uma apresentação acadêmica. Sabe lá o que mais esses intelectuais são capazes de fazer pra chamar atenção.
Aquela coisa de universidade, né. Gente subindo ao palco pra contar o que estudou nos últimos N meses, conversa intelectual, falação, falação, blábláblá, gente fazendo perguntas, lálálá. Eu acabei saindo e entrando no auditório umas cinco vezes pra dar um rolé e respirar uns ares frescos. Na última vez eu voltei e algo estranho estava rolando lá dentro.
Mal sabia eu que eu tinha perdido um episódio épico da jornada.
"O que aconteceu aqui?" eu perguntei pro meu amigo, que fez um escândalo organizado assim que eu voltei.
"Amigo. Você perdeu. A menina pariu um brócolis! Um brócolis enorme saiu de dentro dela!" ele me disse.
"Ela pariu?! Um brócolis?!"
"É, um brocolis! Foi muito tenso."
"Como assim ela pariu um brócolis?! Do nada?"
"É, ela começou a gemer e de repente pariu um brócolis! E era enorme! E daí levaram o brócolis para uma caixinha e começaram a regar o brócolis com leite."
"Eu não estou entendendo. Ela estava apresentando um trabalho."
"É!"
"E do nada começou a gemer e pariu um brócolis?"
"Exatamente. Em cima da mesa."
"E daí regaram o brócolis com um regador cheio de leite?"
"Isso."
Daí exatamente nesse momento passa bem do nosso lado um pessoalzinho carregando uns equipamentos, uma caixa e um regador de plástico enorme.
"Aquele regador ali?"
"Ele mesmo."
"Eu não acredito que eu perdi isso."
E até agora eu não estou acreditando. Nunca mais eu subestimo uma apresentação acadêmica. Sabe lá o que mais esses intelectuais são capazes de fazer pra chamar atenção.
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