29 de dez de 2013

Aquele em que eu não bebo

Eu não tenho o costume de beber por três simples motivos:

Um. Sou pão-duro econômico demais para ficar gastando rios de dinheiro com drinks, já que eu não suporto gosto de cerveja, que aliás também não anda lá muito barata, não.

Dois. Eu não tenho o costume de ir a esses lugares onde a gente normalmente bebe, ou que é de praxe beber, como bares, e também não sou de beber em casa. Eu sou muito cafona, então quando saio pra jantar ou algo parecido eu fico só no suco, chá gelado, água, essas coisas.

O terceiro motivo é que quando eu FINALMENTE decido quebrar a rotina e sair pra beber, eu acabo não bebendo muito porque logo chega a hora de todo mundo concordar que eu deveria parar.

Ontem eu e meu namorado decidimos de última hora sair pra dançar na Lapa. No meio da festa um dos responsáveis virou pro meu namorado e perguntou:

"Que diabos foi que você deu pra esse garoto? Não pode droga aqui, não."

Nessa hora eu já estava do lado de fora sentadinho na calçada esperando ele pagar a conta.

"Na verdade ele só bebeu duas caipirinhas e tá aí desse jeito," ele respondeu. "É, ele não costuma beber."

Eu to nesse nível. Bebo uma caipirinha e começam a achar que eu estou sob efeito de drogas pesadas. Essa é minha vida, esse é meu time.

24 de mar de 2013

Aquele do Haley Joel Osment de shortinho: Sassy Pants (2012)


O ano de espera para assistir Haley Joel Osment gay vestindo nada mais do que um shortinho jeans não valeu tanto a pena assim. Sassy Pants é um filme pós-adolescente em que Ashley Rickards (da série Awkward. que, aliás, todos que curtem comédia colegial devem assistir, é histérico) interpreta Bethany Pruitt, uma garota derrotada, na merda, sem amigos e sem vida social alguma por ter sido obrigada a frequentar uma escola online em casa depois da mãe ter sido humilhada quando uma gravação do ex-marido fazendo sexo com o professor de música da escola foi noticiada na primeira página do jornal local. A partir daí, Bethany começa sua jornada pra conseguir ir para a faculdade de moda e se desvincular da mãe completamente possessiva. Tem um feeling de "Hum, já vi isso em outro lugar."

Pra ser bem sincero, eu estava mais interessado no relacionamento do personagem do Haley Joel Osment com o pai da protagonista do que com a história principal em si, mas Osment não aparece muito, sua participação é quase cenográfica. Mas não foi por isso que o filme não me agradou tanto. O roteiro não tem nada de muito especial exceto algumas cenas muito bem boladas com a avó e o irmão da protagonista. As poucas cenas sobre o pai gay namorando uma bicha alternativa da idade da filha acabam, positivamente, roubando totalmente o foco.

Apesar de tantos baixos, eu recomendo dar uma olhadinha. Pra quem é fã do Osment, vê-lo fazendo a bicha passiva afeminada com certeza vale uma espiada.

22 de mar de 2013

Aquele em que só Jesus salva

Natália Klein uma vez disse "Todo medo, no fundo, está atrelado ao medo da morte" e eu guardei essa frase comigo para sempre porque fazia todo o sentido. Comprovei a teoria hoje voltando pra casa depois do estágio. Ao pegar o ônibus e passar pela roleta o cobrador me disse:

"Bom dia."

"Bom dia", retribuí.

Bom dia. Normal. Pessoas falam bom dia uma às outras no cotidiano o tempo todo, mas não parou por aí. Pensando que o colchete das normas básicas da educação social já havia se fechado, eu continuei meu caminho à procura de um lugar aconchegante que não estivesse pingando água de ar-condicionado de ônibus com defeito, mas o cobrador chama a minha atenção de volta.

"Ei!"

"Oi?"

"Só Jesus salva, hein!"

Momento estranho em que o cobrador fala pra você que só Jesus pra te salvar. Deduções de uma mente desiquilibrada começa a funcionar a todo o vapor. Obviamente as roupas que eu tinha escolhido no dia gritavam minha orientação sexual e o cobrador cristão resolveu aproveitar essa oportunidade certeira de repassar a palavra de Jesus para um pobre garoto mundano. Não, obrigada. Corri discretamente para o primeiro assento do ônibus, o mais longe possível do cristão freak.

Mas.
Ele.
Veio.
Atrás.
De.
Mim.

"Aceita Jesus", ele me disse. "Aceita Jesus nosso senhor no seu coração. Jesus te ama! JESUS TE AMA! Só ele salva, só ele! Jesus Salvador. Salvador!"

Creepy total. Ele dizia tudo tão pertinho de mim que eu sentia até a respiração dele. Pensei, fodeu. Me caguei todo. Não tinha NINGUÉM no ônibus, nenhuma testemunha, só eu, ele e o motorista. Estava cedo e as pessoas estavam vindo trabalhar, não voltando pra casa, era meu dia de sair cedo do trabalho. Fodeu, cristão cobrador homofóbico vai me matar, esquartejar e guardar os pedacinhos em sacos de lixo preto no bagageiro do ônibus e o motorista comparsa, também homofóbico, vai acobertar o crime. Pensei. Eu já conseguia visualizar o homicídio estampado na capa do jornal e minha mãe chorando no Balanço Geral do Wagner Montes pedindo justiça. Imagina a derrota? Assassinado por cobrador de ônibus? Ah não.

Só me tranquilizei quando outras pessoas começaram a subir no ônibus e ele passou a me esquecer e mirar sua atenção nelas.

"ACEITA JESUS, ACEITA! JÁ ACEITOU?"

Ninguém escapava, nem os camelôs, vendendo o docinho e o amendoim de cada dia. O que me perturbava era a questão que ele fazia de falar bem na cara da pessoa. Espaço pessoal pra quê? A criatura ou tinha algum problema ou resolvera fazer sua missão de vida atazanar a viagem de cada estudante ou trabalhador cansado que estudou e trabalhou o dia inteiro e só quer ter uma viagem em paz ouvindo seu iPod.

Faz favor, me erra, né.

10 de mar de 2013

Aquele onde não aceitam cartão de crédito

"Quero essa bolsa aqui, moço."

"Essa?"

"Não, essa aqui. De bolinhas. Quanto tá?"

"Dez reais, senhora. Dinheiro ou cartão?"

"Cartão? Você aceita cartão? Não sabia que vocês aceitavam cartão agora, essa é nova pra mim!"

"É, tamo aceitando sim, senhora, tem um monte aí aceitando agora."

Disse o camelô de trem para sua cliente.

Ver um vendedor camelô no trem tirando da sua pochete uma daquelas máquinas de cartão de crédito foi uma experiência inovadora pra mim. Eu tenho como opinião que é lamentável nos dias de hoje estabelecimentos não aceitarem cartão de crédito ou débito, é atraso tecnológico. Veja o camelô. Até eles estão aceitando.

Quer melhor praticidade do que dizer "Passa no cartão" e não se preocupar em pegar naquele dinheiro imundo que passa de mão em mão e que você nunca saberá realmente por onde andou? A gente pode estar manuseando uma nota que uma vez esteve bem no saco escrotal de um stripper e nunca vai saber. A nota de um real, por exemplo? Ficou tão rodada que não existia mais nota que não estivesse caindo aos pedaços. Eu pelo menos não via. Se bobear até o verdadeiro motivo de a tirarem de circulação.

Não respeito lojas que não aceitam cartão. Num mundo ideal, o dinheiro em papel estará extinto e o ser humano nunca mais precisará carregar ou se preocupar com coliformes fecais em cédulas de dinheiro.

6 de mar de 2013

Aquele da boca suja

Faz menos de duas semanas que comecei um trabalho novo. Nova gente, novos ares, novas experiências, estava tudo ótimo. Daí que como o escritório onde trabalho entrou do nada em período de reforma e a equipe foi dividida em vários laboratórios no campus da universidade, eu comecei a trabalhar num novo escritório hoje. Novos horários, novo sistema de entrada e saída, computador emprestado etc. Nada que não levasse um dia pra acostumar.

Pois então quando eu realizo o feito de conseguir me PERDER no corredor do escritório, não encontrando o caminho da porta para uma das salas, a secretária de setenta anos de idade de boca limpíssima resolve se manifestar:

"Porra, mas você é atrapalhado demais, hein? Que merda! Puta que pariu! Não vai dar certo assim!", ela disse, me olhando daquele jeito parecendo esperar por uma resposta.

O que um funcionário novo faz nessas horas, né? Olha com aquela cara de cu lavado, que foi o que eu fiz. Eu espero mesmo que a previsão da obra do escritório seja cumprida porque eu não sei se consigo aguentar por muito tempo não mandar a secretária tomar no cu.

25 de fev de 2013

Aquele do assento vazio no ônibus

E quando você entra no ônibus cujos assentos estão TODOS ocupados com a exceção de um? Você passa o olho pelo interior do ônibus e observa vários cidadãos de pé, como se o banco fosse uma fonte nojenta e apodrecida de fungos e germes, todos aglomerados em reprodução constante. Um elefante rosa no meio de um monte de gente.

Ué, por que ninguém sentou no banco, você pensa. Sentar, não sentar, o que fazer? Parece até a Escolha de Sofia. Por que, afinal de contas, ninguém está sentando no maldito banco? O tempo passa, mais pessoas entram no ônibus e o banco continua vazio. É como uma contínua e gradual linha de pensamento dedutivo que passa pela mente de todas as pessoas atribuindo tudo de ruim que pode ter acontecido ao espaço ao redor do banco. Alguém pode ter vomitado, se cagado, um bebê pode ter gorfado no colo da mãe, um mendigo cracudo pode ter sentado ali, há uma gama infinita de possibilidades, mas o mistério permanece em aberto. Por que ninguém senta?

Eu decidi descobrir. Sentei.

O mistério do banco vazio eu resolvi quase que instantaneamente quando aquele fedor de cecê de sovaco de três dias sem banho em época de verão do Rio de Janeiro entrou pelas minhas narinas.

Mas e agora, José? Levantar ou não levantar?

19 de fev de 2013

Aquele da mosca no prato

"Gente, o que é esse negocinho preto na minha galinha? É um bicho?"

"Relaxa, é tempero."

"Não, sério, vê direito isso. É uma mosca? Pra mim tá parecendo uma mosca."

"Mosca? Na sua comida? Cadê?"

"Aqui ó."

"Caralho, isso é uma mosca mesmo! Olha ali a asinha dela, tá vendo? E varejeira ainda por cima!"

"Que nojo!"

"Perdi total o apetite."

"Isso é um absurdo, tem uma mosca no meu prato. E não caiu agora não! Ela tá cozida!"

"Viu, eu tinha razão, é tempero."

 Reprodução da hora do almoço do dia de HOJE no bandejão da Faculdade de Letras na UFRJ, com mais duas amigas.

Restaurante universitário. Não tem como ficar melhor do que isso.

18 de fev de 2013

Aquele em que eu não sei beber

Definitivamente não sou do tipo de pessoa que bebe regularmente e talvez seja por isso que bebida e Jorge Alison raramente seja uma combinação que dê certo. Quando criança papai me ensinou que um adulto direito não bebe. Aquela coisa meio "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Já mamãe me ensinou que se eu fosse beber eu tinha que aprender a beber, isso é, parar quando sentisse que a minha vergonha na cara já estava se desvanecendo.

Mas isso não procede.

Gente nova bebendo é foda, pra quê parar quando a coisa tá ficando boa, né? Vou parafrasear um amiga minha louca histérica do cu, que diz assim: "Quando eu bebo, eu bebo é pra ficar bêbada! Trêbada! Tropeçando nas próprias pernas!" Então quer dizer, bebo quase nunca, se é pra beber então que seja para aproveitar. A consequência disso tudo acaba sendo a total perda da dignidade pessoal: Desmaiando pela rua, vomitando tudo o que comi e sendo carregado pelo namorado. Namorado este que, aliás, é SEMPRE a pessoa responsável por toda a merda que acontece. E eu vou dizer o por quê:

"Bebe mais, Alison!",

"Vou ali comprar mais bebida pra você.",

"O que você quer beber agora?", entre outras coisas.

Nesse recesso de Carnaval eu fiquei empacado em casa terminando um artigo para a faculdade que deveria ter entregue no semestre passado e acabamos decidindo sair apenas no último dia. E ele levou VINHO pra mim. VINHO. Foi só pegar o embalo que bebi a garrafa inteira quase que sozinho, e ainda misturei com trocentas outras coisas que nem lembro. Receita para a desgraça.

Pela primeira vez na minha maioridade eu acordei no dia seguinte com total perda da memória da noite anterior. Eu precisei ver as fotos e ouvir os testemunhos das barbaridades que fiz para ter sequer uma ideia do quanto eu estava louco.

A única coisa que ficou na minha memória foi o comentário de uma mulher para uma ação completamente despremeditada de minha parte:

"Viram? Eu disse que alguém ia acabar dando um tapa na minha bunda!"

1 de fev de 2013

Aquele do milkshake

"Moço, me compra um milkshake?"

"Não."

"Ah, num fode, então!"

Foi o que me disse um garotinho de rua em frente ao Bob's enquanto eu voltava pra casa ontem a noite. Essas crianças estão ficando cada vez mais exigentes. Quer dizer: "Não preciso de um prato de comida não, moço. Eu quero mesmo é um milshake de ovomaltine."

Adelaide discordaria de mim. Pobre também merece milkshake.

5 de jan de 2013

Aquele que fez meu dia: Struck by Lightning (2012)


Desde que eu soube que Chris Colfer (Kurt Hummel em Glee) estaria lançando um filme que ele mesmo escreveu, produziu e estrelou, fiquei me coçando de vontade para o vídeo vazar logo pela web, já que provavelmente o filme dificilmente daria as caras nos cinemas tupiniquins. Se acontecesse seria muito engraçado, de verdade, porque o filme mal deu as caras nos cinemas do país em que foi produzido, imagina aqui.

Porém essa semana para a minha surpresa eu fui procurar o filme e. Pasmem. Eu encontrei. Aparentemente ele já tinha começado a circular por aí há umas duas semanas e ninguém tinha percebido.

Não vou contar muito do filme, até porque eu acho que o trailer já entrega seu conteúdo em demasiado. Struck by Lightning, algo como "Atingido por um raio" é uma dramédia colegial que começa com o personagem principal (Chris Colfer) sendo morto do nada no meio da tarde por um raio e, a partir de então, sua voz póstuma narra os acontecimentos prévios de sua morte.

O que me faz gostar tanto de comédias colegiais é que elas se reinventam nos próprios clichês: A época da escola é uma época absurdamente terrível, e do terrível se tira muita coisa pra falar. O filme tem aqueles clichês básicos que a gente tá cansado de conhecer: A líder de torcida nojenta, o atleta garanhão, o casal gay enrustido que faz meinha no banheiro, a gótica estranha, o maconheiro etc. O filme em si é muito modesto, com um humor sarcástico bem moderado e se propõe a passar uma ótima mensagem. E de sopa ainda dá a dica infalível de como se conseguir o que deseja: Chantagiando os outros.

Gostei bastante de ver no elenco carinhas já conhecidas na TV e no cinema como Sarah Hyland (Modern Family), Ashley Rickards (Awkward.), Robbie Ammel e principalmente Rebel Wilson (Bridesmaids), que SEMPRE rouba a cena em seus papéis de coadjuvante e dessa vez não foi diferente. Eu achei incrível como o Chris Colfer e a Rebel Wilson tem tanta química na frente da câmera. O que acontece com a personagem da Rebel no final com certeza é uma das minhas cenas favoritas e vê-la chorando com a notícia da morte me partiu o coração.

Eu não sei se já tem legendas em português do filme por aí, mas acho que vale a pena dar uma checada.

Fica a dica. O filme fez meu dia.

3 de jan de 2013

Aquele do professor universitário

Professor universitário é uma raça insuportável. E eu não estou querendo ser injusto, não. Tem muito professor bacana nas universidades, e tem mesmo, mas maioria é, de fato, um completo nojo.

Último ano da faculdade e eu ainda me surpreendo com os meus professores. Outro dia mesmo numa aula de poesia, lá estava eu sentado no fundão conversando discretamente com uma amiga. Sabe quando você conversa com um amigo na sala de aula bem no fundão mesmo, última carteira de uma sala enorme, num tom quase impossível de se ouvir? Pois é. Para o professor talvez não fosse o caso.

Ele parou a aula e disse:

"Eu estou incomodando vocês? Porque se estiver eu paro."

Me senti no colegial, com catorze anos de idade. Pensei que eu tinha regredido alguns anos, voltado no tempo, sei lá, tipo naquele filme Efeito Borboleta. Estou incomodando vocês? Se eu estivesse bem na primeira coluna do mapa de sala conversando que nem matraca velha a história seria outra. Na universidade é todo mundo adulto.

A minha vontade era de responder:

"Ah, tá incomodando sim, nem estou conseguindo ouvir minha amiga direito."

Mas não. Eu tive que me contentar em apenas rolar os meus olhos pro teto e calar a minha boca. Apesar que, honestamente, eu gostaria muito de saber qual seria a reação do meu professor caso eu tivesse dado a resposta que estava bem na pontinha da minha língua.

Acho que nunca vou saber. Ainda me sobra muito bom senso.

2 de jan de 2013

Aquele em que 2013 começa

Nada mais conveniente que o primeiro dia útil do ano para recomeçar a escrever. Ano passado foi, apesar de todas as coisas boas, o que eu acredito ter sido o ano mais vagabundo da história da minha vida. Por isso HOJE estaremos dando início a nossa humilde tentativa de fazer de 2013 um ano mais produtivo.

Vamos ver se eu consigo fazer meus trabalhos em dia, guardar dinheiro e o mais importante: Continuar todos os meus projetos. Ou pelo menos aqueles que já estavam em prática. Há quanto tempo que eu não publico uma tirinha? Dois meses. Para mim parece uma eternidade.

Em outras novidades, eu tenho o o grande orgulho de dizer que os Neuróticos ganharam seu primeiríssimo fanart! OK, não é bem um fanart. Eu participei de um 'Amigo Oculto' no deviantArt e ganhei um desenho do Leandro. E ficou lindo, qualquer um pode ver bem aqui.

Enfim, 2013 já deu a largada e eu já estou me sentido atrasado na corrida, mas com o tempo a gente acelera.

Simbora.