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23 de nov. de 2012

Aquele do alívio

Eu estava lá, cuidando da minha própria vida, prestes a sair da estação de metrô quando um negão enorme com o dobro do meu tamanho cruzou o meu caminho.

"E aí, você topa tudo?", ele perguntou.

Não que eu tope tudo, porque a verdade é que ninguém realmente topa tudo, mas história vai, história vem e quando eu me dei conta eu já estava dentro de um quarto de hotel com um negão que não se assemelhava nem um pouco com o meu namorado.

"Você tem camisinha?", perguntei.

"Tenho."

Acho que todo mundo que está ou esteve num relacionamento sério pensa ou já pensou naquela possibilidade de traição. Eu sempre acreditei que a minha estivesse numa relação de uma por um milhão, mas pelo menos eu usei camisinha. Eu podia até estar certo sobre essa questão da probabilidade, eu só tive a má sorte dela cruzar o meu caminho.

E a convivência com a culpa? Conto ou não conto? Eu não sei como as outras pessoas conseguem, mas conviver com a culpa é uma coisa com a qual eu definitivamente não sei lidar. Se você não quer pagar a pena, não cometa o crime. Não é isso que dizem?

Não tem como eu descrever o alívio que eu senti quando eu acordei daquele pesadelo e não precisei mais tomar a decisão. Meio que me faz pensar que a probabilidade caiu para zero. Se em sonho a situação era tão angustiante, imagina em carne e osso?

11 de nov. de 2012

Aquele em que meus pais brigam

Fui até a cozinha pegar uma maçã na geladeira e não demorou muito até eles começarem:

"MULHER, JÁ FALEI PRA VOCÊ TIRAR O FIO DO CELULAR DA TOMADA SEM PUXAR!"

"EU TIRO DO JEITO QUE EU QUISER, O CELULAR É MEU!"

"E QUANDO ESTRAGAR QUEM É QUE VAI PAGAR?"

"EU QUE VOU PAGAR!"

"HAHAHA VOCÊ VAI PAGAR? COM O DINHEIRO DE QUEM?"

"COM O MEU DINHEIRO! VOCÊ ACHA O QUÊ? QUE EU TRABALHO PRA VOCÊ DE GRAÇA? QUE EU DEIXO A CASA LIMPA, FAÇO COMIDA TODO DIA, DOU UMA FODIDINHA COM VOCÊ, SÓ DE VEZ EM QUANDO NÉ, TUDO DE GRAÇA?"

"Com licença" eu disse, e me retirei.

Eu sou daqueles que acredita que eu não sou obrigado a saber que meus pais ainda fazem sexo. O mundo seria um lugar melhor de se viver se todos os pais se esforçassem para fazer os filhos acreditarem que eles fizeram sexo somente e exclusivamente para concebê-los.

É o que eu acho.

16 de set. de 2012

Aquele do gel lubrificante


Pedrinho e Ângelo já namoravam há um ano e meio e tinham uma vida sexual bem ativa. Uma vez depois de saírem pra jantar, voltando pra casa, Ângelo cismou em parar na farmácia da rua da casa dele para comprar lubrificante.

"Gel lubrificante", Ângelo pediu para a atendente.

"Só pedir ali no balcão", respondeu ela, dando uma risadinha pra Pedrinho, que fingia ter entrado sozinho e olhava os produtos da farmácia com grande interesse, como se estivesse procurando alguma coisa.

"Pedrinho!", chamou Ângelo em voz alta. "Você prefere com esse ou com esse?"

Farmácia inteira para pra prestar atenção em Ângelo segurando os dois tubos de lubrificante de marcas diferentes.

Existe vergonha maior?

Pode acontecer com qualquer um. Aconteceu com um amigo meu.

28 de ago. de 2012

Aquele da ereção indesejada

Uma coisa que as mulheres nunca vão entender plenamente é o problema da ereção indesejada. Às vezes você está na rua, os passarinhos estão cantando, o sol está brilhando lá no alto e de repente NUMA FRAÇÃO DE SEGUNDO uma imagem passa ligeira na sua cabeça e pronto.

Eu por exemplo, andar de ônibus sozinho é um problema sério. Eu não sei o que acontece, talvez seja aquela sensação íntima e contínua de treme-treme que o veículo desperta, ou talvez seja psicológico mesmo. Auto-envergonhamento, sabe. Só sei que o episódio aconteceu mais vezes do que eu sou capaz de contar com os dedos das mãos e dos pés. Pouco falta para levantar do assento e descer do ônibus quando algo acontece e eu penso em... sexo.


E isso é um problema porque, bem, eu geralmente uso calças apertadíssimas. Daí o que fazer, né. Apelamos para aquele mantra desesperado de elementos não sexuais:

"Vovó. Vovó. Vovó. Vovó. Vovó. Vóvó."

Até agora tem dado certo.

3 de jul. de 2011

Aquele da pornografia

Se tem uma coisa capaz de me fazer refletir sobre a vida individual do ser humano é a pornografia. Acho que a gente tende a acreditar que aquelas pessoas nos vídeos pornográficos só existem naquela situação, mas nãaaaao é bem assim. Aquelas mesmas pessoas que compram o pão de cada dia sendo objeto visual da luxúria do homem e são tão julgadas e mal interpretadas são pessoas comuns também. Elas tem família. Tem mãe, pai, e se bobear até alguns filhos. E se a gente for parar pra pensar, pode ser até engraçado tentar raciocinar sobre como exatamente acontece essa escolha de "carreira".

"Mamãe, quero ser ator pornô."

Pronto. Imagina só uma mãe ouvir uma coisa dessas do próprio filho. Do próprio filho! Do filho de suas entranhas. Sabe, a idéia da sua própria família poder entrar na internet e baixar um vídeo seu fazendo sexo deve ser perturbadora. Quer dizer, até a sua avó pode aprender a usar a tal da internet e te ver fazendo besteirinha. Já pensaram nisso? A sua avó! Como é que ambas as partes conseguem dormir de noite sabendo disso? Não consigo compreender bem a dinâmica. Às vezes eu gostaria de sentar com um ator pornô, sabe, e tomar uma ou duas xícaras de chá. Batendo um papinho sobre sua visão de vida.

12 de jun. de 2011

Aquele das sete razões para detestar o dia dos namorados

Não suporto dia dos namorados. E tenho sete razões para tal.

Primeiro: Lembro que eu não tenho um namorado com quem passar esse dia maldito. Segundo: Lembro que enquanto eu estou em casa blogando, lá fora há uma porção desses malditos casais felizes saindo pra comer, ir ao cinema, passear, fazer sexo etc, e daí me lembro que eu não posso fazer nada disso. Terceiro: Lembro da troca de presentes e de como eu não vou ganhar absolutamente nada. NADA. Diferente de uma quantidade absurda de gente feliz por aí, sem falar dos infelizes que TAMBÉM ganham presentes só por estarem num relacionamento também infeliz, e nem isso eu tenho. Quarto: Lembro de amigos igualmente solteiros que me chamaram para sair e fazer um programa qualquer, encher a cara ou ir para a balada num protesto contra o Doze de Junho numa afirmação de como todos nós somos pessoas super descoladas e orgulhosamente solteiras. E isso me deprime porque vamos combinar que isso é uma mentira deslavada. Quinto: Lembro que meus pais que se odeiam e que tem mais de vinte anos de casados até trocaram chocolate. Chocolate! E ninguém me deu um mísero bombom. E eu amo chocolate e isso me deprime. Sexto: Lembro que muita gente por aí pode até também não ter namorado, mas tem um rolo, um peguete, ou um caso, ou um amante, ou um sex buddy ou seja lá quais são as novas gírias que andam usando por aí para essa gente que libera tanta endorfina no corpo. Mas eu? Eu não, eu só tenho uma placa pendurada no meu pescoço escrito Solteiro. Solteiro com S maiúsculo. Sete: Lembro de como na minha vida inteira eu só tive um Dia dos Namorados acompanhado e de como foi legal sair, conversar, comer alguma coisa, ver um filme juntinho de alguém e receber um presente no final de um dia nacionalmente selecionado para toda essa baboseira. Tudo o que eu não estou fazendo na data comemorativa do ano seguinte.

E é por isso que eu detesto esse dia.
Dia para celebrar a união amorosa meu cu! Esse é o dia para te lembrar que você não tem ninguém emocionalmente ao seu lado e que você não tem feito nada muito próximo a sexo ultimamente.

31 de mai. de 2011

Aquele da super autoestima

Eu vou falar que eu não entendo essas pessoas que precisam se auto-afirmar. Pode ser com relação ao trabalho, pode ser estudos, pode ser sexo, pode ser qualquer coisa. Eu não entendo. Deve ser por eu me ver como essa pessoa tão humilde e modesta que sou, não sei. Mas esse tipo de coisa me faz pensar sobre como, na verdade, alguns certos comentários que ouvimos por aí simplesmente não procedem. Sabe, ás vezes não tem como a pessoa saber se está, de fato, falando uma baboseira ou algo preciso. Sabe aqueles caras metido a pegador que se vangloriam até a morte pelos seus pênis imensos e sobre como eles conseguem fazer subir pelas paredes as loucas que aceitam ir para a cama com ele? Então.

Pois outro dia estávamos na faculdade conversando sobre os mistérios do orgasmo feminino. Eu ainda era calouro na época, dezessete anos e se me lembro bem, estávamos num grupo de quatro. Três caras e uma menina. E daí um deles soltou a seguinte pérola:

"Ah, mas nem é tão difícil dar prazer para uma mulher até ela chegar ao orgasmo."

E dois anos após ter ouvido esse mesmo comentário, eu ainda fico pensando sobre ele. Quero dizer, um pós-adolescente (porque a personalidade devia ter uns vinte anos na época, acredito) cuspir um comentário desses como o bom entendedor do sexo para as mulheres? É hilário! A não ser que algo de realmente extraordinário tenha acontecido e ele tenha sido agraciado (agraciado?) com uma vagina por um dia. O que eu duvido.

E é isso o que eu tenho que ouvir no meu dia a dia. Sobre como meus amigos acham que são os reis do sexo ou que fazem os melhores boquetes ou que beijam muito bem. Pessoalmente eu não acho que eu beije lá muito bem, não. Até porque eu nem beijei tantas pessoas assim na vida. E sinceramente? Já tive um ou dois reclamando do meu beijo e também já tive alguns elogios bem interessantes, o que me levou a conclusão que na verdade esse tipo de coisa tem mais a ver com química do que com uma "qualidade". Mas sabe que quando esse aflorar de super autoestima acontece eu geralmente prefiro ficar calado?

"Ah, porque o meu beijo é MUITO gostoso." me disseram uma vez.

"Ah, é mesmo?" eu perguntei em resposta. E acredito ter acentuado a pergunta com um leve tom de deboche, mas isso acontece tanto que chega a ser natural e eu não controlo. Geralmente as pessoas não veem isso com bons olhos...

"Por que? Tá duvidando? Você já me beijou por acaso?"

E daí eu penso. Não, eu não beijei. Mas... a pessoa também não se beijou para ter tanta certeza assim.
Não é mesmo?
São coisas que me fazem refletir.