17 de abr de 2011

Aquele da crise alérgica no shopping center

Ontem fui comer com a @_Chambs e a @vceron no nosso restaurante favorito, o SushiYa, lá no Norte Shopping e eu tive a grande idéia de comer camarão. Sendo que eu sou alérgico. E só para constar, eu amo camarão. Sabe, eu fui uma criança feliz em que batia palmas e dava saltinhos toda a vez em que a mamãe fazia camarão para comer. Eu realmente amo camarão, mas lá para os últimos quatro ou cinco anos eu acabei desenvolvendo uma... bem, alergia. Então como nada de realmente grave além de uma simples sensação de pressão na garganta havia acontecido antes eu nunca tive um real problema ou uma crise de verdade. De fato, eu sempre me entupia de camarão todas as vezes que tinha a chance.

Pois bem. Então nós estávamos almoçando e minha amiga pede um yakisoba de camarão. E sabem aquela famooosa frase "Ah, só unzinho não faz mal"? Pois é. Comi um camarão MINÚSCULO. Podem perguntar para as duas pelo twitter, elas afirmarão. Uma porrinha de camarão foi o que eu comi, e essa alergia filha da puta ainda me fez aguardar cerca de uma hora e meia para se manifestar pela primeira vez, e ainda em público. Primeiro veio aquela coceira do demonho pelo corpo inteiro, depois as veias salientes, depois o inchaço no rosto, o corpo todo vermelho e empolado e quando percebemos que a coisa estava ficando preta, fomos direto para a farmácia comprar um remédio que nós nem sabíamos qual era, porque afinal, eu nunca tinha procurado um médico sobre isso e nunca tinha tido uma crise de verdade. Ligamos pra mãe da @_Chambs que é enfermeira, e ligamos pro meu pai para me buscar e quando eu percebi, não conseguia mais escutar as pessoas direito nem enxergá-las. E então o desespero começou.

Foi tontura, foi sensação de vômito, foi ficar cambaleando quando tentava me manter em pé. Não demorou muito e os seguranças já estavam lá, uma bombeira tinha aparecido sabe-se lá de onde e quando eu percebi estava sendo levado para o centro médico de cadeira de rodas. DE CADEIRA DE RODAS. Acho que foi o ápice do dia em que eu parei pra pensar e me senti a Paola Bracho sendo levado por um cara imenso e um mooooooonte de gente olhando pra mim. É.

Enfim. Depois disso eu já não lembro de muita coisa. Ao chegar no centro médico o médico responsável (que era lindo, gostoso e sensual, aliás) perguntou o que havia acontecido, eu contei, e o resto fui eu deitado na cama tremendo HORRORES. Sério, meu braço está doendo pra caramba até agora porque meu corpo não conseguia ficar sem tremer por um segundo e a enfermeira lá, coitada, tentando enfiar uma agulha em mim pra injetar o soro... O que depois eu descobri que não foi só soro. Devem ter me dopado porque eu não lembro de mais nada do que aconteceu. Tenho umas breves "imagens" dos meus pais e das meninas conversando com eles na sala de emergência e de me levantar para ir pra casa. Eu não lembro de ter andado pelo shopping até o carro, nem da viagem, nem de chegar em casa, nem nada. Minha mãe disse que eu cheguei, fui ao banheiro pela trocentésima vez e meti a cara no travesseiro, mas nem disso eu lembro.

E foi isso. Depois desse fatídico episódio eu aprendi que, mesmo a medida sendo pouca, ela ainda pode me matar.
Aliás, acho até melhor eu arrumar um alergista...


P.S.: Obrigado meninas por não darem um freak out e ficarem lá comigo até meus pais chegarem, porque né. E desculpem o transtorno.

12 de abr de 2011

Somos todos neuróticos

Então pra resumir todo mundo é maluco. Nãaaaao adianta vir com essa historinha fiada de que "ai, eu sou normal, nhenhenhe", porque você não é, não. Ninguém bate completamente bem da cabeça. Isso não acontece.

Tudo começa na infância. E sabe, eu fui uma criança complexada. Filho único, pais superprotetores, orientação sexual duvidosa desde pequeno, o que gerava certos desejos reprimidos. Essas coisas. E eu tive uma infância muito triste e reprimida. Minha frustração infantil foi nunca ter podido ter uma Polly Pocket, sabe? Aquela boneca loira cheia de apetrechos? Então, quer dizer, o estágio inicial da minha vida já começou com sérios atritos e traumas irreparáveis e o que isso significa? Eu acabei crescendo achando que eu era anormal. Tudo bem que na maioria das vezes eram as pessoas que diziam isso (minha mãe ainda diz, aliás) e eu sinceramente posso dizer hoje que acabei me acostumando com o rótulo, mas depois de um tempo eu percebi que todo mundo sempre tem um parafuzinho meio solto. Todo mundo é neurótico e não adianta contrariar. Uma professora minha da faculdade vive dizendo isso. A neurose é apenas o estágio número 1 da loucura, é o estágio inicial. Quando ultrapassa isso é que a gente deve começar a se preocupar.

Não sei se eu passei do primeiro estágio, não. Tenho minhas dúvidas. Talvez eu prefira achar que não porque eu costumo lidar com a loucura de uma forma muito tranquila. Enquanto todo mundo por aí faz tanta questão de falar que é uma pessoa normal, eu já digo que comigo não é bem assim. Normal é chato, gente. Chato.

Posso ser neurótico, amargurado, reprimido sexualmente, o que for. Mas to vivendo. To levando. To feliz.