26 de mar de 2012

Aquele do autógrafo do Ziraldo

Meu namorado trabalha com produção cultural e esses dias acabou esbarrando com o Ziraldo, the one and only, sensualizando com suas madeixas brancas. Tive que pedir um autógrafo personalizado pra exibir:


"Pra Jorge Alison
Sucesso Artístico!
Ziraldo"

25 de mar de 2012

Aquele em que homem não presta, e a mãe vem logo atrás

Homem é uma criatura que não presta. E eu não digo isso por ser homem e por conhecer a manha na pele, não. Eu digo isso como ser humano.

A festa estava rolando lá pelas seis, sete horas da noite. Era o aniversário de uma criança, a menina estava completando um aninho de idade, e apesar disso a bebida estava rolando solta. Depois de alguns anos de experiência de vida eu cheguei a conclusão que festa de primeiro aniversário não passa de uma desculpa esfarrapada dos pais para reunir os amigos e familiares para ganhar coisas de graça e encher a cara, com as crianças correndo como plano de fundo.

Cleonice era prima de criação de Alfredo que era primo legítimo dos pais da criança, que não tinham relação nenhuma comigo. Alfredo estava noivo de um relacionamento de longa data e o casório já estava até marcado. Vamos chamar sua noiva de Agda. Enfim. Cleonice estava de olho em Alfredo desde o início da festa. Era piscadela pra cá, acenos pra lá, olhadas, beijinhos no ar. Né, aquelas coisas, e pelo o que eu pude perceber, a Agda nem tchum pra tudo aquilo.

"Ai, ele não tá percebendo!", bufou Cleonice. "Ângelo, vai lá falar com ele, já que ele não se toca."

Eu não sei exatamente como dizer de forma discreta a uma pessoa compromissada que alguém quer bater um "lero" com ela enquanto o compromisso da pessoa está BEM AO LADO DELA. Mas de qualquer forma, Ângelo foi lá e  fez o serviço. E ainda levou uma resposta:

"Diz pra ela que eu falo com ela depois." respondeu Alfredo pelo canto da boca.

Acho que não tem como uma pessoa fazer a outra tão de idiota sem ela não perceber nada, né, e minha teoria acabou provando-se correta. Mas se já não bastasse isso, na hora em que Alfredo foi sozinho respirar um ar puro fora da festa, e Agda ter percebido que Cleonice não se encontrava em NENHUM lugar do interior do salão, já tratou de ir caçar o noivo.

O telefone celular de Alfredo tocou, e após balbuciar algumas palavras, desligou.

"Era minha mãe.", ele disse. "Ligou pra avisar que Agda estava vindo atrás de mim pra me pegar no flagra com a Cleonice."

Quer dizer. Até a mãe é cúmplice das cachorrices do filho.

Meninas. Meninos. Segurem seus homens firmemente. Se até a mãe tá a favor, tá fácil pra ninguém, não.

24 de mar de 2012

Aquele em que eu sou ridículo

Eu fui uma criança muito tímida na infância, não falava direito com as pessoas e mal abria a boca. Conhecer pessoas foi um obstáculo que eu superei no período colegial-faculdade. Meus anos de colegial até meus primeiros semestres da faculdade foi a época em que eu me libertei do casulo. Em todos os sentidos possíveis (?).

Hoje em dia dizem que eu ainda tenho certos problemas com pessoas. Não em conhecê-las. Não. Na verdade eu até me acho bem sociável, quase extrovertido. Meu problema não é conhecer pessoas, meu problema é ignorar algumas delas.

No corredor da faculdade, uma vez, veio Bruno trazendo um garoto que eu não conhecia, vindo em minha direção.

"Ei, Jorge, esse aqui é o namorado da Sicrana."

"Ah, oi." Sem desacelerar o passo, dizendo isso, eu passo pelos dois e vou embora, sem dizer mais nada.

Ainda hoje Bruno conta essa história pra todo mundo como exemplo do quanto eu sou ridículo.
Mas eu não faço por mal, gente.
Juro.

20 de mar de 2012

Aquele do metrô lotado #02

A hora do rush no metrô do Rio de Janeiro é engraçada porque você nunca consegue controlar a posição do seu corpo, né. É tipo jogar Twister, é uma coisa que fica além do seu poder de escolha. Uma perna tá num lugar, a outra está traçada de forma totalmente diferente e desconfortável e por aí vai.

Eu estava na estação de partida, sem conseguir mexer UM dedo sequer. Se o metrô tivesse janelas, teria gente sendo jogada pra fora delas à força por causa do aperto, afinal, em vagão lotado as pessoas aproveitam pra empurrar as outras na maior vontade. Eu, inclusive, sou uma delas.  Não tenho dó. Eu sou um palito de gente, se eu não machucar as pessoas, elas ME machucam.

Enfim. Um silêncio gostoso imperava no vuco-vuco do vagão e uma louca me vira, suspirando e quebrando o silêncio:

"Ai gente. Eu odeio solidão."

10 de mar de 2012

Aquele do ônibus, o crente e a música ambiente

Sabem o que eu acho dessa palhaçada de tocarem música alta no ônibus ou em qualquer outro meio de transporte público? Uma mistura de putaria, ignorância e falta de respeito vindo de gente que não completou nem o segundo grau.

O maior absurdo é que ninguém fala nada, daí quando um viadinho resolve bater cabelo pra mandar o evangélico desligar a porra do celular, todo mundo fica olhando calado achando que tem show ao vivo acontecendo no meio do transporte público.

Voltando pra casa de ônibus, uma peça me resolveu colocar música gospel no último volume. Bem ao meu lado, veja bem. Quando acabou a primeira música, eu pensei que o cara ia se tocar e desligar, né, por causa dos meus murmúrios e de uma velha na frente reclamando da barulheira. Afinal, incomoda.

Não aconteceu.
Ele pegou o celular de novo e colocou outra música.

Perdi minha paciência e catei meus fones e o iPod de dentro da mochila.

"Moço, com licença.", eu disse, lhe chamando atenção e mostrando os fones de ouvidos, embora minha vontade fosse de esfregar os fones na fuça dele.

"Você sabe o que é isso?", perguntei. "Isso é um fone de ouvido."

Todo mundo prestava atenção.

"MERMÃO, ISSO AQUI É UM LUGAR PÚBLICO!" ele me disse.

Tentei articular, mas não funcionou. Crente sempre acha que tem razão.
A minha sorte, diferente do resto da maioria da gente daquele ônibus era que eu podia abafar aquela louvação ouvindo a minha própria música sem incomodar ninguém. Mas o filho da puta continuou com a barulheira evangélica.

Depois eu acabei ficando sabendo pelo meu namorado, que estava comigo e continuou no ônibus depois de eu ter descido, que o crente se juntou com uma crente velha e os dois iniciaram uma louvação a Deus no meio do ônibus, chamando todo mundo que quisesse participar da oração pra se juntar. Ah vai tomar no cu.

O governo precisa saber que isso é um problema sério no Rio de Janeiro.

9 de mar de 2012

Aquele da tirinha #014

Dedicado a Lidiane

Veja a tirinha #010
E é isso o que eu, no fundo, sinto vontade de fazer toda a vez que um amigo puxa e acende um cigarro ao meu lado.

7 de mar de 2012

Aquele do metrô lotado

Olha, vou falar que uma coisa complicada do sistema de transporte público do Rio de Janeiro é o metrô lotado de manhã. É aquela horinha mágica da galere trabalhadora se dirigindo aos seus respectivos empregos, tudo de uma vez só. Eu honestamente não sei como tem gente que consegue suportar essa situação diariamente. Sinceramente prefiro ir a faculdade de ônibus. Não tem ar-condicionado, demora o triplo do tempo pra chegar, mas pelo menos eu vou sentado escutando minha música e não sou perturbado por ninguém.

Ultimamente eu acabei tendo que usar o metrô de manhã, por falta de opção. Não vou reclamar por conseguir mais uma horinhas de sono, conseguir acordar bem mais tarde, blábláblá. Mas continuo achando o ó aquela esfregação com gente desconhecida.

Mas as vezes eu me divirto.

"Ai, estão me empurrando!", insistia uma mulher. "Tá muito apertado aqui! Não aguento mais! Vou sair. Vou pegar o próximo!"

O metrô parou e a mulher saiu.
Um espaço enorme apareceu do nada no meio do carro e uma senhora ao meu lado se manifestou:

"Mas também, gente, vocês viram o tamanho da bunda dela? Tava ocupando todo esse espaço!"

Confesso que não reparei na bunda da mulher.
Mas ri horrores.