29 de set de 2011

Aquele do suposto desprezo

Era uma bela e monótona manhã na universidade, o sol brilhando lá fora e os pássaros enchendo o saco, como de costume. Eu matando aula, também como de costume, e de repente sendo arrastado pra tomar café por um indivíduo que queria porque queria falar comigo.

"Ah, porque eu tenho notado que você anda diferente comigo, não tá falando comigo direito. E agora eu to percebendo o motivo" ele começou falando pra mim.

"Ah é, mesmo?" eu perguntei "E por que seria?"

"Você tá é me desprezando. Porque pra você não faz diferença se estou aqui ou não, se eu falo com você ou não. Na verdade você só está agora falando comigo porque não tem nada melhor pra fazer".

Sei lá, vai ver eu sou mesmo péssimo com gente, eu confesso. Não tenho talento pra gente, não sei lidar. Deve ser coisa minha, mas veja bem: O que possivelmente eu vou dizer em resposta para uma coisa dessas?

"É. Vai ver é isso mesmo." foi o que eu disse.

Com quem foi que eu aprendi a ser tão ridículo assim?

27 de set de 2011

Aquele do pânico no cinema

Eu sempre tive o costume de frequentar o cinema, sabe. Geralmente não acompanhado. Sozinho mesmo. Ficar ligando pras pessoas irem comigo ao cinema nunca foi um pensamento viável porque 1)Eu nunca tive tantos amigos assim 2)Uma hora eu ia acabar não tendo mais amigos disponíveis para chamar, dos poucos que eu tenho ou 3)Eles iriam acabar se estressando comigo por chamá-los para ir ao cinema toda semana. Daí, né, o que resta: Ir ao cinema sozinho.

E eu só pago mico. Seja sozinho, seja acompanhado. Porque sempre, sempre acontece alguma merda e eu acabo tendo que esconder meu rosto com a palma das mãos na tentativa ilusória de que a situação seja menos constrangedora.

Pois a sessão de cinema aquele dia estava lotadíssima, né. Estávamos eu, duas gueis e um casal heterossexual. Filme brasileiro, sabe como é.

Então o filme acaba e eu sou o primeiro a levantar. E tipo, quando eu entrei na sessão não tinha exatamente uma porta, era uma entrada aberta, sabe, então o problema na hora de sair é que estava tudo escuro, não se via nada. Daí a pessoa aqui estava crente que sabia EXATAMENTE onde a passagem de volta pra bilheteria estava. Começo a desfilar com toda a pose e glamour que eu tinha reunido no momento e bato com tudo de cara na parede do cinema. Daí o que você faz quando não encontra a saída? Tem um ataque claustrofóbico e entra em pânico, é claro. Comecei a tatear a parede e a gritar "ESTAMOS PRESOS, ESTAMOS PRESOS, SOCORRO". Imagina uma pessoa presa numa caixa tentando sair. Era eu, só que numa sessão de cinema.

No final, eu acabei percebendo que havia uma cortina preta no que deveria ser a saída da sessão. Arrumei a bolsa no ombro, fiz carão, sequer pensei cogitar em olhar pra trás e dei o fora daquele lugar o mais rápido que pude.

24 de set de 2011

Aquele da gêmea errada

"E AÍII, MALUCAAAA!! Diz aí, como é que você tá?!" eu berreigritei certa vez para uma amiga que tinha acabado de entrar na minha sala de uma aula que eu nem sabia que ela fazia comigo.

Antes de se sentar ela parou parecendo confusa e me olhou de cima a baixo. Fazendo esforço pra lembrar quem possivelmente seria o louco que acabara de berrar com ela, talvez, não sei.

"Ah. Oi." ela disse em resposta e se sentou, infinitas carteiras longe da minha, preciso ressaltar.

"Foi impressão minha ou sua amiga te ignorou completamente?" meu amigo ao lado perguntou.

Mas foi aí que eu percebi. Não era a minha amiga.

Eu tinha acabado de berrar em público pra gêmea errada.
Morri de vergonha.

13 de set de 2011

Aquele com o livro nas calças

Eis que um mês depois da minha professora de literatura portuguesa começar a abordar um certo livro eu resolvo aparecer na aula dela pela milésima vez sem nem ter adquirido o livro ainda. Sabe o que é isso? É aquela situação em que você ir pra aula e ficar em casa dá na mesma.

Então eu tinha passado na livraria antes da aula pra comprar a bosta do livro, mas custava tipo quinze reais e eu queria guardar dinheiro pra assistir Glee, O Filme em 3D nos cinemas essa semana, porque 3D é caro pra caralho. Enfim. Acabei não comprando.

Mas daí passei meia hora de aula boiando né, olhando pro teto. E sozinho, porque meus amigos todos me fizeram o favor de faltarem. Então chegou um momento que não aguentei mais, peguei a carteira e me retirei pra comprar o tal livro porque, né, eu não estou tão miserável assim que não posso dar quinze reais pra comprar um livro pra faculdade.

Comprei.

Coloquei o livrinho pocket dentro da calça, porque sei lá, não queria que ninguém visse que eu tinha acabado de comprar um livro que se bobear todo mundo já tinha lido inteiro e eu também já devia ter feito o mesmo, entrei na sala e me sentei.

Tá, mas agora como é que eu tiro o livro de dentro das calças sem ninguém ver? Pus a mochila no colo, quase me deitei e comecei a me contorcer com as mãos dentro da calça jeans. Quando eu finalmente consigo dar um jeito de puxar o livro discretamente e pôr as mãos nele, a menina do lado me solta:

"Ela está na página vinte e sete."

"Ah. Obrigado." eu disse com um sorrisinho, mostrando o polegar pra ela.

Sei lá, morri de vergonha. Tanto esforço pra manter a pose de bom estudante em dia com a bibliografia pra nada.

12 de set de 2011

Aquele do gasto desnecessário

Eu não sei qual é o meu problema quanto a poupar energia. Sei lá, vai ver eu sou meio retardado mesmo ou só um pouco sem noção para essas coisas, mas hoje eu estava pensando e percebi que eu tenho uma certa inclinação a gastar luz desnecessariamente. Aqui no meu quarto, por exemplo, a televisão geralmente fica ligada o-tempo-todo, tipo o dia inteiro, sabe. Mas a pergunta em questão quanto a isso é a seguinte: Eu assisto à TV o tempo todo? Claro que não, não sou doente. Eu tendo a acreditar que é mais o som mesmo. Às vezes eu estou usando o computador, escrevendo, lendo, ou desenhando, sei lá, mas a TV continua lá ligada. Eu posso ficar minutos, horas sem nem ao menos olhar para a tela ou até mesmo prestar atenção no que está sendo dito, mas eu jamais a desligo. Vai ver eu tenho lá meus motivos psicológicos para isso. Vai que o som da TV ligada me acalma?

Mas não é só isso, não. Eu costumo ficar meia hora debaixo do chuveiro elétrico tomando banho, duas vezes por dia. Isso dá uma hora gastando água quente. O computador nunca é desligado. E tem até uma coisa engraçada que acho que muito gente se identifica, mas que eu fiquei sabendo que gasta uma energia do caralho: Minhas pernas parecem que trabalham sozinhas de hora em hora em tempo regulado para dirigir meu corpo à cozinha para abrir a geladeira. Daí eu olho pro interior dela. Olho. E olho mais um pouco. E em seguida fecho sem apanhar absolutamente nada. Nem água. E isso no mínimo mais de dez vezes num dia só.

Não sei vocês, mas eu pessoalmente acho isso muita cretinice de minha parte. Eu sou um filho da puta.