26 de fev de 2012

Aquele em que dormem no meu banheiro

Meu pai tem uma mania muito feia nos dias mais quentes do ano. Ele dorme no banheiro daqui de casa. As vezes eu conto esse fato bizarro para algumas pessoas e elas não acreditam. Como assim banheiro? Mas é verdade, gente. Eu só não tiro foto agora pra provar porque isso é infringir os direitos legais do meu pai de permanecer incógnito como guardião de um desequilibrado social.

Mas não é brincadeira. Meu pai literalmente agarra o primeiro travesseiro/almofada que vê pela frente, se dirige ao banheiro da casa, deita, se estica e... dorme profundamente. Com direito até a ficar se jogando de um lado pro outro para procurar a posição mais confortável do azulejo do piso. Não sei o por quê, mas ele acha que o banheiro é o aposento da casa que fica mais fresco no verão.

E tudo isso me incomoda bastante.
Quer dizer, se eu precisar usar o banheiro com urgência eu não posso porque meu pai está DORMINDO lá. Não é um absurdo?
É um absurdo.

20 de fev de 2012

Aquele dos macaquinhos

(Santa Irapitinga do Segredo, 1941, Tarsila do Amaral)

"Que é isso, gente, são macaquinhos?" eu perguntei em voz alta.

Uma mulher em pé que estava bem ao meu lado na exposição da Tarsila Amaral, vendo a mesma imagem, virou pra mim indignada.

"Não. São criancinhas".

"Ah".

Mas ó, em minha defesa, aquele ali à esquerda, que está subindo o muro, parece que tem um rabo.

15 de fev de 2012

Aquele em que gostam dos meus óculos

"Eu te acho muito bonito, sabia? Digo, o seu rosto, é bem másculo. Se fizesse academica pra ficar fortinho, eu até embarcava" me disse um amigo certa vez.

"Ah, você acha?" disse incrédulo o amigo dele, que estava sentado ao seu lado, me analisando de cima a baixo depois do comentário sobre mim "Eu gosto dos... óculos dele. Acho bonito".

Que merda de elogio foi esse? Meus óculos?
Eu acho que, assim, nessas horas o silêncio é o melhor comentário a se fazer. E não "Não acho ele bonito, mas dos óculos dele eu gosto".

Se manca.

13 de fev de 2012

Aquele dos recadinhos escolares

Minha mãe é maluca. Isso é inconstestável. Aliás, umas das razões para eu ser essa pessoa paciente, sensata e centrada que sou hoje em dia é por ter crescido em casa com uma mulher instável, desesperada e sem noção das consequências de seus atos.

Eu sempre fui um aluno exemplar, sabem. Mas não era abitolado. Às vezes eu não tinha vontade de estudar ou fazer porra de dever de casa nenhum e não me preocupava tanto com isso. O problema era que a minha escola ginasial era meio rígida quanto às obrigações escolares, dependendo do professor. Quer dizer. Eu não podia deixar de fazer uma porcaria de exercício que eu já levava um aviso pra casa pedindo providências sobre meu comportamente inadequado. Aviso esse que, no dia seguinte, deveria ser entregue assinado por pelo menos um dos pais. Como meu pai quase nunca se encontrava em casa, quem tinha o dever de acompanhar meu rendimento escolar era, obviamente, mamãe.

Não que mamãe tenha sido uma excelente aluna. Não, eu acho que não. Lembro de histórias que ela me contava sobre os últimos anos de escola dela. Um em particular em que ela ameaçou de morte o professor de química dela para que ele a aprovasse e ela pudesse se formar com o resto da turma. Segundo ela, química não entrava em sua cabeça de jeito nenhum. É claro que não posso dizer com plena certeza de que isso realmente é verdade e aconteceu, mas se eu fosse vocês, eu não duvidaria da Srª Minha mãe.

Hoje eu achei umas agendas antigas do meu ginasial e por diversão fiquei lendo meu histórico de recadinhos de professores. Minha mãe assinava todas, sem exceção. Cada uma de um jeitinho peculiar.

"Sr. Reponsável,
O aluno esqueceu o material de Língua Portuguesa.

Meu filho é um irresponsável.
ass: MAMÃE"

"Sr. Responsável,
O aluno trouxe o exercício incompleto de Matemática para o dia tal.

Só esganando ele...
ass: MAMÃE"

"Sr. Responsável,
O aluno esqueceu a apostila de Português em casa outra vez.
Peço providências.

Vou comprar memoriol pra ele.
ass: MAMÃE"

"Sr. Responsável,
O aluno não fez a tarefa de Matemática.

Este é um dos vários recados. Já chamei sua atenção, só esganando. Prometo fazê-lo.
Outras sugestões estou aceitando.
ass: MAMÃE"

Entre outros recados.

E esse é o tipo de coisa que eu tive que aturar na minha infância. E não adiantava dizer que eu não ia levar aquele tipo de assinatura. Primeiro porque eu precisava dela para entrar na escola e segundo porque eu recebia um "Vou te meter a porrada se você não levar isso" se eu me recusasse. É claro que o meu constrangimento quando mostrava a agenda com a assinatura do responsável de volta para os professores, pensando bem, no fundo deveria ter sido minha verdadeira punição.

Mamãe é demais.

6 de fev de 2012

Aquele do pôr-do-sol

Sempre achei meio ridícula essa história de bater palmas quando o sol se põe. Dá para citar uma infinidade de situações  que desperte em nós essa necessidade cultural de bater palmas. Em aniversários a gente bate palma, no final de um espetáculo teatral a gente bate palma. Em simpósios, apresentações em geral, enfim. Mas o pôr-do-sol? O que tem de especial no por do sol? É bonito? É, mas o sol se pondo dá pra ver todo o dia. É de tade, tá todo mundo acordado! Não chega a ser um nascer do sol que a gente ainda tem que ter o trabalho de acordar de madrugada pra conseguir ver como é.

Ontem mesmo eu fui à praia com as amizades pra tomar sol e um banho de mar. O que é uma mentira deslavada já que o mais fundo que cheguei perto da água foi até o calcanhar e nem tirar a camiseta eu tirei. Quando vou à praia só falo inglês e finjo ser gringo. Por voltas das sete horas da tarde não deu outra. A praia inteira de pé numa salva de palmas ao longo da despedida do Senhor Sol.

Por coincidência uns minutinhos antes tinha me distanciado das amigas para dar uma volta com o bofe pela praia e quando resolvemos voltar nos deparamos exatamente de frente para Ipanema inteira gritando, assoviando e se esgoleando pelo sol. Baixei a Miss Brasil na hora.

"Obrigada, gente! Obrigada! Eu amo vocês!" eu proclamava sorrindo, acenando de volta para todos eles.

Uma gordinha delícia super simpática logo em frente foi a primeira a dar uma risadinha. O momento meio que fez o meu dia.

4 de fev de 2012

Aquele do fofo

"Alison, você acha Beutrano bonito?" perguntou Sicrano sobre Beutrano para mim certa vez. Sicrano e Beutrano eram melhores amigos.

"O Beutrano? Er... Ah, ele é fofo" eu respondi.

"Fofo? O que quer dizer fofo?"

"Ué... fofo".

"Tá, mas você ficaria com o Beutrano?" ele insistiu.

"Não".

"Por que?"

"Porque ele é fofo".