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10 de nov. de 2012

Aquele em que o serviço da Oi não presta

Meu namorado (o culpado) tentou me arrastar para a última parada gay de Madureira, que aconteceu nesse último final de semana, e como consequência da minha catastrófica decisão de aceitar ser arrastado eu tive o meu celular roubado por um desses mãos-leves que enfiam a mão no seu bolso sem você sentir e levam qualquer coisa que esteja enfiada dentro.

Não vou contar os detalhes da história porque uma pessoa bêbada que acabou de perder um celular que absolutamente adorava, no meio da parada gay, não é uma coisa nada bonita. Eu só vou dizer que, como qualquer outra pessoa normal, liguei para a minha operadora, no caso a Oi, pedindo para que bloqueassem meu número, de forma que eu conseguisse resgatá-lo posteriormente.

Não só a Oi erroneamente cancelou a minha conta como ficou me enrolando por UMA semana me mandando ir de loja em loja para tentar resolver um problema que, no fim, eu descobri ser impossível de resolver.

A verdade é que ninguém que trabalha na Oi sabe resolver alguma coisa. E eu vou dizer o por quê. Na primeira loja que eu fui me disseram:

"Esse número não está no seu nome, senhor. Para resolver esse problema só ligando para o atendimento da Oi."

Eu liguei.

"O senhor ainda pode recuperar o número, mas tem que ir numa loja da Oi para conseguir o chip e o número no seu nome."

Eu fui em outra loja.

"Ah, a gente não resolve isso aqui, não. Você tem que ir numa das lojas da 'Oi Atende'. Aqui é loja normal."

OK, eu fui numa maldita Oi Atende.

"Acho complicado resgatar o seu número, senhor, mas você pode tentar ir na loja fixa da Oi, talvez lá eles possam te ajudar..."

Minha reação:


ARE YOU KIDDING ME?


Estão entendendo a situação? A minha vontade era de mandar a última atendente com quem falei, aquela vagabunda, pro inferno, e mandar ela levar junto aquele megahair medonho dela. É nessas horas que é uma pena ter educação porque, olha, vontade não me faltou de rodar a baiana e descer o cacete em alguém.

Mas uma coisa eu digo. Eu nunca mais PISO numa parada gay.

Ou talvez a coisa mais sábia a se fazer seria não pisar mais é em Madureira.

7 de out. de 2012

Aquele do título eleitoral

Todo ano eu perco o título de eleitor e fico a véspera inteira do dia da votação procurando a droga do documento pra não perder o dia. Esse ano não foi diferente.

Há algumas semanas atrás minha tia havia pedido meu título pra ganhar propina de um candidato a vereador e inventei uma mentira deslavada que tinha perdido meu documento. Vender voto não é comigo, muito menos deixar alguém TIRAR XEROX do meu documento (porque era pra isso que ela queria) pra receber vinte reais de um vereador vagabundo que nem primeiro ensino completo tem.

"Já achou o título, filho?", peguntava minha tia inúmeras vezes.

"Não, tia, tô procurando ainda."

Então ontem eu fui abrir a caixinha onde eu acreditava ter deixado o título e Que surpresa!, não estava lá. Parecia castigo divino. Nunca mintam, crianças. Mentir gera karma negativo.

E assim foi o meu sábado antes votação: Vasculhar meu quarto INTEIRO, bagunçar ainda mais minha já então bagunçada estante procurando um mísero pedaço de papel enquanto meu pai lindo berrava constantemente no meu ouvido palavras de apoio como o quanto eu era irresponsável, o quanto ele não acreditava que todo ano de votação o mesmo drama acontecia e que eu ia ter que enfrentar fila para re-fazer um título de eleitor pela terceira vez.

Pois bem, o dia passou e eu não encontrei meu título de eleitor. Acordei hoje de manhã cedinho de novo pra dar mais uma olhada na esperança de que algum buraco tenha passado batido e o infeliz documento estivesse por lá. Eu passo pelo quarto dos meus pais e observo a estranha situação de meu pai vasculhando uma de suas gavetas. Já estranhei.

Dois minutos depois, enquanto eu arrancava meus cabelos, meu pai vem me entregar meu título. Ele tinha guardado, olha que fofo. Ele tinha guardado meu título para me poupar do para sempre drama da minha vida de perder meus documentos quando eu preciso deles.

Minha vontade foi de esganar.

18 de ago. de 2012

Aquele do truque do leilão

Então esses dias eu descobri que eu sou a pessoa mais lesada desse pequeno universo em que habitamos e portanto estou me obrigando a dividir essa história estúpida com o resto do mundo como punição, para eu aceitar que tudo bem fazer algo que ponha em dúvida a minha capacidade de ter conseguido tirar a vaga de centenas de pessoas na universidade pública.

Eu estava dando uma passada básica no eBay vendo algumas camisetas e por acaso me apaixonei por uma camiseta vintage raríssima da Caffeine com estampa de caveira que estava dando sopa no preço. O leilão iria acabar em pouquíssimas horas e só havia recebido um insignificante lance. Como o leilão terminaria apenas às altas horas da madrugada eu me mantive acordado a noite toda assistindo Friends e fiz meu lindo e prestativo namorado me ligar meia hora antes do fim do leilão, caso eu pegasse no sono.

Não havia ninguém disputando a camisa aquele horário. Ela custava 24 dólares, e com a minha vasta experiência em leilões na internet eu esperei até o último minuto para dar o meu lance.

Bem. O único lance que camisa havia recebido foi de 25 dólares. Então o certo era dar um lance de no mínimo 25.50 dólares.

Não foi o que eu fiz.

Acredite quem quiser, mas eu esperei a noite inteira até faltar um minuto para digitar o valor errado e repetido de 25 dólares. Quando eu vi a burrice que eu tinha feito, o feeling do momento Run, run for your life não foi o suficiente para eu dar o lance certo de 26 dólares e eu perdi um leilão pra alguém que tinha dado lance TRINTA E SETE horas antes de mim.

Ser mais lesado.
Tem como?

27 de jun. de 2012

Aquele da infantilidade

Lá estava eu, sentado, lendo um livro qualquer na sala de espera do consultório do meu clínico geral, aguardando para ser atendido. Eu e uma menina, aparentemente da mesma idade que eu ou talvez um pouco mais velha, estávamos mofando naquele consultório há  intermináveis três horas quando eu resolvi fazer um lanchinho de glicose. Comprei um pacotinho daqueles biscoitos em forma de canudinho, recheado com chocolate e fui ignorar minha taxa elevada de açúcar no sangue em paz.

Eu mal tinha acabado de terminar meu pacotinho quando a vagabunda se levanta e, de todas as opções disponíveis, comprou o mesmíssimo biscoito que eu. Fitei incrédulo a maldita.

Naquela hora, em algum lugar das entranhas da minha alma uma necessidade perturbadora de olhar para a garota com todo o desprezo que eu pudesse juntar na hora cresceu dentro de mim. A minha vontade, honestamente, era de regredir minha idade mental por completo, virar e falar:

"Sua macaca de imitação ridícula."

Mas daí eu lembrei que eu não estava mais no jardim de infância.

10 de jun. de 2012

Aquele do miado infernal

Meu namorado mora sozinho e vivia reclamando que não tinha um animalzinho pra lhe fazer companhia, já que eu faço faculdade, moro com meus pais e tenho um blog pra cuidar, então não é sempre que eu posso ficar divando à toa na casa dele. Há um mês atrás ele salvou uma gatinha recém-nascida largada ao relento num dia chuvoso, enfurnada numa caixa dentro do metrô. Tudo era felicidade. As noites frias não eram mais tão solitárias, ele dizia. Estava tudo muito bom.

Uma semana depois a gata acorda morta.

Foi o caos. Ele resolveu fazer velório pra gata, velada em pano branco para simbolizar sua pureza e se despediu dela ao som da marcha fúnebre. Pagou até o filho da vizinha, de dez anos, para mexer na terra e enterrar o caixão no quintal. Tudo requinte.

Daí esses dias eu estava passando a noite na casa dele e um miado infernal que só eu escutava estava me levando a loucura.

Miau miau miau.

"Tá ouvindo?" eu perguntei.

"Ouvindo o quê?"

Miau miau miau.

"Aí, ó! O miado! Tem um gato miando!"

"Não to ouvindo nada."

Passou meia hora, passou uma hora e o a miadeira persistia aos meus ouvidos. Fiz de tudo, desliguei a TV, apontei para onde estava ouvindo os sons. Nada funcionava. Eu estava começando a achar que era o espírito exú da gata que tinha vindo me assombrar.

Mas não, quando finalmente o surdo do meu namorado resolveu ouvir o miado, descobrimos que uma gata nojenta que perambula pelas ruas lá do bairro dele tinha dado cria há um mês e arrastou, olha que lindo, ela arrastou os filhotes pra DENTRO do quintal de casa. Provavelmente porque estava muito frio e chuviscando, normal. Enfim, acabamos adotando uma gatinha filhote pra nós e deixamos a gata levar o resto deles pra rua. E então FINALMENTE eu estava livre do maldito miado.

Como eu estava enganado.

Eu não sei por que gatos cismam em se enfiar em todos os buracos IMPOSSÍVEIS de saírem facilmente. Sabe-se lá como, um dos filhotes se enfurnou no vão MINÚSCULO entre o teto de casa e o telhado. A miadeira, então, persistiu fielmente porque embora somássemos esforços para tirar o gato de dentro do telhado, ninguém conseguia meter a mão lá dentro para agarrá-lo e o filhote simplesmente não conseguia ou não queria sair sozinho. A única opção era esperar a gata maldita atender aos miados intermináveis do filho que saiu de dentro das entranhas DELA e fazer o mínimo para libertá-lo. Responsabilidade materna no reino animal, não vemos por aqui.

Passei mais umas DUAS NOITES com a porra do gato miando no meu ouvido. Nem dormi direito. A gata maldita fazia tudo, comia, dormia, brigava com os cachorros da rua, menos entrar em casa pra tirar o filhote de lá. Depois de um tempo, vimos a bichana se espremer pra dentro do quintal daqui e sumir de vista. No dia seguinte não se ouvia mais miadeira alguma então demos um AMÉM porque o filhote, aparentemente, saiu de onde estava preso. Ou vai ver ele morreu de fome, não sei. Mas se for essa opção devemos ter certeza logo, porque se for, o problema não vai mais ser o miado. Vai ser o fedor de carniça.

20 de mai. de 2012

Aquele da falta de material

Honestamente? O que eu mais queria agora era poder sair pra dançar e ficar louca de bêbada na pista de dança de qualquer boate gay nesse estado maldito que tenha bebida liberada. Mas não bebendo cerveja. Não. Cerveja não desce na minha garganta. Pra mim qualquer coisa é melhor que esse xixi com espuma que dão pra gente beber, até essas caipirinhas vagabundas feitas com kisuco de limão misturado com aquelas cachaças das mais baratas, sabem, daquelas que usam pra fazer oferenda de macumba.

Mas não. Eu tenho que ficar em casa, vendo a vida passar, esperando ficar melhor da saúde. Sentindo dor no corpo, entalado na cama assistindo qualquer merda que esteja passando na televisão ou algum filme/série que eu decida baixar para passar o tempo.

Eu quero sair, ver gente nova, voltar a estudar, saber das fofocas. Preciso das futilidades da vida pra sobreviver e, o mais importante, escrever sobre elas. Porque ficar empacado em casa não está me gerando material nenhum e eu já to de saco cheio.

3 de mai. de 2012

Aquele do exame de fezes

E daí que a minha vida ultimamente tem sido um exame de fezes. Tipo, literalmente e figurativamente. E eu não aguento mais. Sábado passado eu passei super mal, fiquei de cama, e aqui estou eu, quase uma semana depois, ainda em casa, sentindo náuseas e dor no corpo o dia inteiro, esperando meus exames saírem para que meus médicos saibam finalmente que diabos eu tenho e tomarem alguma atitude.

Porque se tem uma coisa que eu odeio é ficar doente. Ficar doente é a abominação da minha vida, primeiro porque eu já tenho que obedecer limites por causa das minhas trezentas alergias. Quer dizer, eu tenho uma lista de restrições, cheia de coisas que se eu comer eu MORRO EM INSTANTES. Tipo, Zeus? Hermes? Afrodite? Qualquer um que esteja aí em cima. Não é o suficiente? Não é estrago o SUFICIENTE NA MINHA VIDA? Segundo que eu não suporto faltar aula. Pelo menos as importantes, né, porque a faculdade de Letras é infestada de disciplina inútil e repetitiva com professores mais inúteis ainda, mas isso a gente releva. O ponto é, o que é a minha vida sem estudar? Nada. Eu não faço NADA de útil, eu to a semana inteira assistindo a filmes e novelas japonesas o dia inteiro, torcendo pra não vomitar no edredon.

Quer dizer, não basta eu passar dias e mais dias do ano sofrendo com rinite, sinusite, falta de ar e o caralho a quatro, eu tenho que sofrer um pouco mais. 

Mas acho que a pior coisa no fim do dia é aquela sensação de ser uma mulher grávida no fim da gravidez, ficando enjoado por qualquer coisa e mijando a cada cinco minutos. E eu tenho um pinto! Sabe? Eu não devia estar sentindo isso. Eu não detenho a dádiva da menstruação (como diria nosso mestre Clodovil, que descanse em paz). Isso está sendo um martírio e eu não aguento mais ficar em casa. Eu até poderia arriscar ir para as aulas mas 1) Eu não vou viajar uma hora e meia, duas horas de ônibus passando mal lá dentro no meio daquele trânsito maravilhoso da avenida Brasil e 2) A comida do restaurante universitário é nojenta e eu não vou comer aquilo no estado que estou. Afinal, já basta eu ter de comer aquela gororoba quando eu estou BEM de saúde.

24 de abr. de 2012

Aquele da heterofobia

Esses dias eu fui chamado de heterofóbico. Gente, eu não sou heterofóbico. Não mesmo. Eu não tenho problema algum com a sexualidade das pessoas, eu acho que eu cresci com dificuldade o suficiente naquela prisão que a gente chama de escola para ter alguma atitude desrespeitosa desse naipe, o problema aqui na verdade está num nível muito mais pessoal do que as pessoas pensam de primeira instância, e não irracional.

Vou filtrar logo as mulheres dessa reflexão porque as mulheres geralmente são pessoas mais sofisticadas e fáceis de lidar. Pelo menos pra mim. Sabe o menininho que cresceu rodeado de garotas na escola, geralmente sem a companhia de outro garoto? Em toda turma teve um. Então, esse era eu. Inclusive até hoje é assim, tenho mais amigas do que amigos. É muito difícil eu me identificar com homens, mesmo gays, porque sei lá, o modo de pensar é diferente. Não que eu me identifique com o gênero mulher, seja transgênero ou coisa parecida, o que não é o caso, é mais uma questão de afinidade mesmo.

Eu não tenho problemas com caras héteros se você pensar no que essas palavras de fato significam: Caras. Héteros. Eu APENAS me reservo no direito de não me juntar com pessoas que acham que a ambiguidade que se encontra na frase "Ele gosta de comer banana" seja uma piada sofisticadíssima. Sabem? Eu não tenho paciência.

O meu problema então é com idiotice, com aquele nível absurdo de escrotidão e irrelevância que sai da boca de certos indivíduos do gênero masculino. Desde a infância nós somos informados que as mulheres são seres de um intelecto mais avançado, que amadurecem mais depressa, enfim. Daí nós temos aquela tendência ingênua a acreditar que aquele menino sujinho de lama vai crescer, tomar um daqueles tapas de consciência que a vida sempre nos dá e assim se tornará uma pessoa menos insuportável de se lidar. Mas não. Ele não amadurece. Ele continua a tratar a Banana como um eterno símbolo fálico em todas as ocasiões. E. eu. não. tenho. paciência.

Então, sei lá, quando eu dou aquela revirada nos olhos depois de ouvir um comentário infeliz e digo "Ai, hétero é foda" é porque, realmente, eu já tive de aturar muita coisa nessa vida em casa e fora dela, e já to de saco cheio.

8 de abr. de 2012

Aquele da caixa de chocolate

Ao chegar essa época gordurosa da Páscoa de comprar rios de chocolate para amigos e parentes, quando minha família vem me perguntar o que eu quero, eu descarto a possibilidade de receber uma caixa de bombons na hora, se puder. Essas caixas de bombons sortidos é o que tem de pior para gente chata e fresca que nem eu. Basicamente porque nós não comemos qualquer chocolate.

O que acaba acontecendo é que eu ganho uma caixa de bombons e só como 1/3 das unidades que tem ali dentro. O resto acaba atravessando o esôfago da senhora Minha mãe, que na fome come até pedra.

Mas o que fazer quando você ganha uma caixa de bombons e o seu bombom preferido, aquele pelo qual seu coração bate mais acelerado enquanto abre a caixa, foi esquecido de ser colocado junto? O que fazer?

Serviço de atendimento ao consumidor, é claro.

"Minha senhora, é o seguinte. Eu ganhei uma caixa de bombons da sua fábrica e vocês esqueceram de colocar um bombom."

"Um bombom?"

"Sim, senhora."

"O senhor quer que nós o reembolsemos no valor de um bombom?"

"Exatamente."

"Tu. Tu. Tu. Tu."

1 de abr. de 2012

Aquele do 1º de Abril

Eu odeio o 1º de Abril. Eu não sei se essa data é tão marcada assim em outros países, mas no Brasil, o primeiro dia do mês de Abril é um inferno pra mim. É a piadinha pra cá, é piadinha pra lá. E as pessoas não se cansam. Graças a Zeus esse ano o dia caiu num domingo e eu não sou obrigado a ir a faculdade ter que suportar piadinhas dos poucos héteros que existem na faculdade de Letras.

Não que eu já não tenha me divertido em Primeiros de Abril anteriores a custa de outras pessoas, né. Há alguns anos atrás eu me juntei com um amiga, que estava meio sumida de um círculo social de que fazíamos parte, e fiz todo mundo acreditar que ela havia morrido num acidente. Teve gente que chorou, quiseram fazer um memorial, foi um espetáculo, mas no fim quando minha amiga surgiu de trás de um arbusto gritando "Pegadinha do Malandro!", quem disse que as pessoas ficaram com raiva DELA, a mente maligna por trás da ideia? Não, não, não. Todo mundo ficou puto foi COMIGO, o desgraçado que disseminou a brincadeira sem graça.

Mas isso é passado. A verdade é que eu não tenho mais saco para esse dia e precisava deixar isso registrado. Por causa disso, eu prometo recolher-me a minha insignificância pelo resto do dia inteiro de forma que eu não me estresse com nada e ninguém. Afinal, meus amigos tem alma de piadista.

10 de mar. de 2012

Aquele do ônibus, o crente e a música ambiente

Sabem o que eu acho dessa palhaçada de tocarem música alta no ônibus ou em qualquer outro meio de transporte público? Uma mistura de putaria, ignorância e falta de respeito vindo de gente que não completou nem o segundo grau.

O maior absurdo é que ninguém fala nada, daí quando um viadinho resolve bater cabelo pra mandar o evangélico desligar a porra do celular, todo mundo fica olhando calado achando que tem show ao vivo acontecendo no meio do transporte público.

Voltando pra casa de ônibus, uma peça me resolveu colocar música gospel no último volume. Bem ao meu lado, veja bem. Quando acabou a primeira música, eu pensei que o cara ia se tocar e desligar, né, por causa dos meus murmúrios e de uma velha na frente reclamando da barulheira. Afinal, incomoda.

Não aconteceu.
Ele pegou o celular de novo e colocou outra música.

Perdi minha paciência e catei meus fones e o iPod de dentro da mochila.

"Moço, com licença.", eu disse, lhe chamando atenção e mostrando os fones de ouvidos, embora minha vontade fosse de esfregar os fones na fuça dele.

"Você sabe o que é isso?", perguntei. "Isso é um fone de ouvido."

Todo mundo prestava atenção.

"MERMÃO, ISSO AQUI É UM LUGAR PÚBLICO!" ele me disse.

Tentei articular, mas não funcionou. Crente sempre acha que tem razão.
A minha sorte, diferente do resto da maioria da gente daquele ônibus era que eu podia abafar aquela louvação ouvindo a minha própria música sem incomodar ninguém. Mas o filho da puta continuou com a barulheira evangélica.

Depois eu acabei ficando sabendo pelo meu namorado, que estava comigo e continuou no ônibus depois de eu ter descido, que o crente se juntou com uma crente velha e os dois iniciaram uma louvação a Deus no meio do ônibus, chamando todo mundo que quisesse participar da oração pra se juntar. Ah vai tomar no cu.

O governo precisa saber que isso é um problema sério no Rio de Janeiro.

15 de fev. de 2012

Aquele em que gostam dos meus óculos

"Eu te acho muito bonito, sabia? Digo, o seu rosto, é bem másculo. Se fizesse academica pra ficar fortinho, eu até embarcava" me disse um amigo certa vez.

"Ah, você acha?" disse incrédulo o amigo dele, que estava sentado ao seu lado, me analisando de cima a baixo depois do comentário sobre mim "Eu gosto dos... óculos dele. Acho bonito".

Que merda de elogio foi esse? Meus óculos?
Eu acho que, assim, nessas horas o silêncio é o melhor comentário a se fazer. E não "Não acho ele bonito, mas dos óculos dele eu gosto".

Se manca.

15 de dez. de 2011

Aquele do mau humor

Sabe quando você acorda de mau humor? E parece que o universo está em conspiração e você sente vontade de matar alguém? Pois é, às vezes eu acordo assim. Por mais simples que a palavra possa ser, eu chamo isso de estresse. E o estresse, gente, é a TPM do homem.

Tudo começa quando meu intestino não funciona de manhã. Isso me irrita profundamente. Não fazer cocô de manhã é um sinal dos deuses de que eu vou ficar estressado pelo resto do dia.

Daí acontece de tudo. Eu abro o armário. Nada decente pra vestir. Olho minha cara no espelho. Não dormi direito, estou com a cara péssima. Aliás, geralmente nesses dias de amargura emocional a chance de eu ter acordado de uma noite mal dormida é bem alta. É quando minha pele acorda um lixo, meu cabelo pior ainda e eu acabo sendo forçado a ficar o dia inteirinho com aquela aparência descabelada que me faz querer amaldiçoar minha herança genética. Por causa disso, inclusive, eu acabo restringindo visitas ao banheiro ao extremamente necessário para não ter que passar por um espelho e ver o reflexo da minha cara de zumbi muitas vezes ao dia..

Mas apesar de tudo eu acho que a desgraça jaz principalmente nas relações sociais. Nesses dias eu acabo não falando direito com as pessoas porque tudo e todos me irritam. As pessoas até chegam com simpatia, perguntam se tá tudo bem e eu respondo com um "to ótimo" de cara feia e isso só piora as coisas. Mas isso não é o crucial, o crucial é que SEMPRE tem uma criatura em especial que se acha engraçadinha pra me torrar ainda mais a paciência.
Geralmente essa pessoa é o meu pai.
Aliás, eu diria que noventa e seis por cento das vezes essa pessoa é o meu pai.

Eu estou pouco me lixando se ele não aceita meu modo de vida, se ele me acha irresponsável, mulherzinha, sem cérebro, se ele odeia meu namorado, dane-se todas essas coisas. Por incrível que pareça, eu cresci com a habilidade de ignorar tudo de ruim que o meu pai pensa de mim e seguir em frente de cabeça erguida. Mas hoje, quando eu vi que ele comeu o meu último pudim com cobertura de morango, ah, foi a gota d'água. Isso foi o fim pra mim.

Foi o fim.

2 de nov. de 2011

Aquele da resposta cretina

Acho engraçado como são aquelas pequenas coisas que nos fazem sentir como um completo idiota. Esses dias na Cidade Universitária enquanto esperava pelo meu ônibus, por acaso reencontrei um antigo amigo de escola com quem não falava há anos. Daí que por acaso ele estava acompanhado por uma amiga super simpática dele, a quem ele acabou resolvendo me apresentar.

Reencontro de antigos colegas de classe tem sempre aquela vibe de velhos tempos, né, em que você geralmente está ou tem que fingir estar interessado no que o outro anda aprontando e planejando na vida. Então, como eu disse, estávamos na Cidade Universitária, eu não fazia ideia de qual faculdade ele cursava, e então eu perguntei:

"Mas então, você está fazendo o quê aqui?"

"Estudando, né? Duh" respondeu a amiga dele pra mim.

E foi então que eu respirei fundo, contei até três e segui em frente. "Não... eu estava me referindo a qual curso...".

Mas depois eu fiquei pensando. Ter tido vontade de atirar na cara da garota com uma metralhadora por aquela resposta cretina por acaso me faz ter tendências leves à violência contra a mulher?

Mas por outro lado, talvez seja é melhor eu parar de fazer essas perguntas idiotamente ambíguas.
Boa sorte para mim.

12 de jun. de 2011

Aquele das sete razões para detestar o dia dos namorados

Não suporto dia dos namorados. E tenho sete razões para tal.

Primeiro: Lembro que eu não tenho um namorado com quem passar esse dia maldito. Segundo: Lembro que enquanto eu estou em casa blogando, lá fora há uma porção desses malditos casais felizes saindo pra comer, ir ao cinema, passear, fazer sexo etc, e daí me lembro que eu não posso fazer nada disso. Terceiro: Lembro da troca de presentes e de como eu não vou ganhar absolutamente nada. NADA. Diferente de uma quantidade absurda de gente feliz por aí, sem falar dos infelizes que TAMBÉM ganham presentes só por estarem num relacionamento também infeliz, e nem isso eu tenho. Quarto: Lembro de amigos igualmente solteiros que me chamaram para sair e fazer um programa qualquer, encher a cara ou ir para a balada num protesto contra o Doze de Junho numa afirmação de como todos nós somos pessoas super descoladas e orgulhosamente solteiras. E isso me deprime porque vamos combinar que isso é uma mentira deslavada. Quinto: Lembro que meus pais que se odeiam e que tem mais de vinte anos de casados até trocaram chocolate. Chocolate! E ninguém me deu um mísero bombom. E eu amo chocolate e isso me deprime. Sexto: Lembro que muita gente por aí pode até também não ter namorado, mas tem um rolo, um peguete, ou um caso, ou um amante, ou um sex buddy ou seja lá quais são as novas gírias que andam usando por aí para essa gente que libera tanta endorfina no corpo. Mas eu? Eu não, eu só tenho uma placa pendurada no meu pescoço escrito Solteiro. Solteiro com S maiúsculo. Sete: Lembro de como na minha vida inteira eu só tive um Dia dos Namorados acompanhado e de como foi legal sair, conversar, comer alguma coisa, ver um filme juntinho de alguém e receber um presente no final de um dia nacionalmente selecionado para toda essa baboseira. Tudo o que eu não estou fazendo na data comemorativa do ano seguinte.

E é por isso que eu detesto esse dia.
Dia para celebrar a união amorosa meu cu! Esse é o dia para te lembrar que você não tem ninguém emocionalmente ao seu lado e que você não tem feito nada muito próximo a sexo ultimamente.