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19 de fev. de 2013

Aquele da mosca no prato

"Gente, o que é esse negocinho preto na minha galinha? É um bicho?"

"Relaxa, é tempero."

"Não, sério, vê direito isso. É uma mosca? Pra mim tá parecendo uma mosca."

"Mosca? Na sua comida? Cadê?"

"Aqui ó."

"Caralho, isso é uma mosca mesmo! Olha ali a asinha dela, tá vendo? E varejeira ainda por cima!"

"Que nojo!"

"Perdi total o apetite."

"Isso é um absurdo, tem uma mosca no meu prato. E não caiu agora não! Ela tá cozida!"

"Viu, eu tinha razão, é tempero."

 Reprodução da hora do almoço do dia de HOJE no bandejão da Faculdade de Letras na UFRJ, com mais duas amigas.

Restaurante universitário. Não tem como ficar melhor do que isso.

1 de fev. de 2013

Aquele do milkshake

"Moço, me compra um milkshake?"

"Não."

"Ah, num fode, então!"

Foi o que me disse um garotinho de rua em frente ao Bob's enquanto eu voltava pra casa ontem a noite. Essas crianças estão ficando cada vez mais exigentes. Quer dizer: "Não preciso de um prato de comida não, moço. Eu quero mesmo é um milshake de ovomaltine."

Adelaide discordaria de mim. Pobre também merece milkshake.

10 de nov. de 2012

Aquele em que o serviço da Oi não presta

Meu namorado (o culpado) tentou me arrastar para a última parada gay de Madureira, que aconteceu nesse último final de semana, e como consequência da minha catastrófica decisão de aceitar ser arrastado eu tive o meu celular roubado por um desses mãos-leves que enfiam a mão no seu bolso sem você sentir e levam qualquer coisa que esteja enfiada dentro.

Não vou contar os detalhes da história porque uma pessoa bêbada que acabou de perder um celular que absolutamente adorava, no meio da parada gay, não é uma coisa nada bonita. Eu só vou dizer que, como qualquer outra pessoa normal, liguei para a minha operadora, no caso a Oi, pedindo para que bloqueassem meu número, de forma que eu conseguisse resgatá-lo posteriormente.

Não só a Oi erroneamente cancelou a minha conta como ficou me enrolando por UMA semana me mandando ir de loja em loja para tentar resolver um problema que, no fim, eu descobri ser impossível de resolver.

A verdade é que ninguém que trabalha na Oi sabe resolver alguma coisa. E eu vou dizer o por quê. Na primeira loja que eu fui me disseram:

"Esse número não está no seu nome, senhor. Para resolver esse problema só ligando para o atendimento da Oi."

Eu liguei.

"O senhor ainda pode recuperar o número, mas tem que ir numa loja da Oi para conseguir o chip e o número no seu nome."

Eu fui em outra loja.

"Ah, a gente não resolve isso aqui, não. Você tem que ir numa das lojas da 'Oi Atende'. Aqui é loja normal."

OK, eu fui numa maldita Oi Atende.

"Acho complicado resgatar o seu número, senhor, mas você pode tentar ir na loja fixa da Oi, talvez lá eles possam te ajudar..."

Minha reação:


ARE YOU KIDDING ME?


Estão entendendo a situação? A minha vontade era de mandar a última atendente com quem falei, aquela vagabunda, pro inferno, e mandar ela levar junto aquele megahair medonho dela. É nessas horas que é uma pena ter educação porque, olha, vontade não me faltou de rodar a baiana e descer o cacete em alguém.

Mas uma coisa eu digo. Eu nunca mais PISO numa parada gay.

Ou talvez a coisa mais sábia a se fazer seria não pisar mais é em Madureira.

7 de out. de 2012

Aquele do título eleitoral

Todo ano eu perco o título de eleitor e fico a véspera inteira do dia da votação procurando a droga do documento pra não perder o dia. Esse ano não foi diferente.

Há algumas semanas atrás minha tia havia pedido meu título pra ganhar propina de um candidato a vereador e inventei uma mentira deslavada que tinha perdido meu documento. Vender voto não é comigo, muito menos deixar alguém TIRAR XEROX do meu documento (porque era pra isso que ela queria) pra receber vinte reais de um vereador vagabundo que nem primeiro ensino completo tem.

"Já achou o título, filho?", peguntava minha tia inúmeras vezes.

"Não, tia, tô procurando ainda."

Então ontem eu fui abrir a caixinha onde eu acreditava ter deixado o título e Que surpresa!, não estava lá. Parecia castigo divino. Nunca mintam, crianças. Mentir gera karma negativo.

E assim foi o meu sábado antes votação: Vasculhar meu quarto INTEIRO, bagunçar ainda mais minha já então bagunçada estante procurando um mísero pedaço de papel enquanto meu pai lindo berrava constantemente no meu ouvido palavras de apoio como o quanto eu era irresponsável, o quanto ele não acreditava que todo ano de votação o mesmo drama acontecia e que eu ia ter que enfrentar fila para re-fazer um título de eleitor pela terceira vez.

Pois bem, o dia passou e eu não encontrei meu título de eleitor. Acordei hoje de manhã cedinho de novo pra dar mais uma olhada na esperança de que algum buraco tenha passado batido e o infeliz documento estivesse por lá. Eu passo pelo quarto dos meus pais e observo a estranha situação de meu pai vasculhando uma de suas gavetas. Já estranhei.

Dois minutos depois, enquanto eu arrancava meus cabelos, meu pai vem me entregar meu título. Ele tinha guardado, olha que fofo. Ele tinha guardado meu título para me poupar do para sempre drama da minha vida de perder meus documentos quando eu preciso deles.

Minha vontade foi de esganar.

31 de jul. de 2012

Aquele do cu do mundo

Engraçado como às vezes eu sinto que não estou na capital. Deviam considerar o bairro daqui outra cidade, porque olha, difícil fazer qualquer coisa nesse lugar. Altas horas da noite, namorado e eu, os dois na bobeira doidos pra pedir um serviço de quarto porque não tinha nada além de salada pra comer em casa, salada esta que eu acabei preparando com tudo de possível que vi na frente e não deixei restar nem migalhas. O gás tinha acabado de acabar e o nosso microondas, que devia estar aqui do meu ladinho correspondendo às minhas necessidades, está a quilômetros de distância de mim já que meu namorado lindo não toma vergonha na cara pra ir buscar.

Sem brincadeira. Ligamos pra tudo quanto é canto. Ligamos para entregas de comida chinesa, sanduíches, provavelmente umas vinte pizzarias. Incrível. Ou o nosso bairro, olha que lindo, estava FORA DA ROTA da empresa, significando que eles não entregavam aqui nem se pagássemos A MAIS, ou não traziam a maquininha do cartão de crédito.

Bem, o caixa eletrônico 24 horas da farmácia da rua debaixo estava fechado (deviam mudar o nome desses caixas). Que culpa EU tenho de só ter três reais na carteira? Nenhuma. E na verdade eu acho até que o problema do cartão de crédito aconteceu só com cinco por cento dessas tentativas, os outros 95% eram de estabelecimentos que se recusavam a vir até Pavuna.

Cu do mundo esse lugar.

26 de jun. de 2012

Aquele do atendimento da gráfica

Aqui em casa eu cuido da minha impressora scanner como se fosse a minha filha biológica. Aquela que saiu das entranhas do meu organismo, numa cesariana complicada que levou horas para ser realizada. Porque se meu scanner pifar da noite pro dia, até eu poder comprar uma nova, eu fico sem conseguir digitalizar meus desenhos com facilidade. Daí o quê: Num desespero súbito eu teria que depender das gráficas de xerox.

Eu não sei nos outros estados, mas aqui no Rio de Janeiro as gráficas de fácil acesso exploram o consumidor das maneiras mais absurdas e sem noção. Um dia desses minha amiga D. precisava escanear um desenho e acabou ficando na mão.

"Então, eu to querendo escanear esse desenho aqui.", ela disse junto ao balcão da gráfica, para a atendente.

"Custa um real para escanear.", recebeu em resposta.

"Beleza. Então escaneia e coloca nessa pendrive aqui, por favor."

"Pra colocar na pendrive é mais quatro reais."

"QUÊ? E pra mandar por e-mail?"

"Quatro reais também."

"Minha senhora. Se eu te pagasse um real pra escanear, você ia fazer o quê com o desenho? Guardar de presente pra gráfica?"

"Bem, aí eu escanearia e nós faríamos a conta..."

"Ah para! Não faz sentido só escanear! E vocês nem avisam antes sobre os quatro reais absurdos!"

"Então, senhora. O total daria cinco reais, mesmo."

"Ah não! Pagar quatro reais para colocar um arquivo na pendrive? Não dou! Parece até que precisa de formação profissional pra fazer o download! Muito obrigada, viu? Passar bem!"

Dedicação total ao consumidor.

13 de jun. de 2012

Aquele da doação de sangue

Com toda essa movimentação da Parada Gay e tudo mais, um monte de gente resolveu voltar a falar das restrições absurdas sobre barrarem as tentativas de homossexuais doarem sangue, que não pode, que é sangue de risco, lálálá. Mas tem bicha que é tão altruísta, né, com aquela vontade ardente no peito de "Vou mudar o mundo" que até se faz de hétero pra poder ajudar quem tá morrendo.

Não consigo ser assim.

"Ah, porque eu meu recuso a doar sangue nessas condições.", eu disse.

"Mas nem se você não recusasse, né, bonito.", retrucou meu namorado. "Cinquenta quilos você tem! Depois de tirarem seu sangue vão ter que colocar tudo de volta, magro do jeito que você é. Vai nem aguentar ficar em pé."

Ridículo ele.

10 de jun. de 2012

Aquele do miado infernal

Meu namorado mora sozinho e vivia reclamando que não tinha um animalzinho pra lhe fazer companhia, já que eu faço faculdade, moro com meus pais e tenho um blog pra cuidar, então não é sempre que eu posso ficar divando à toa na casa dele. Há um mês atrás ele salvou uma gatinha recém-nascida largada ao relento num dia chuvoso, enfurnada numa caixa dentro do metrô. Tudo era felicidade. As noites frias não eram mais tão solitárias, ele dizia. Estava tudo muito bom.

Uma semana depois a gata acorda morta.

Foi o caos. Ele resolveu fazer velório pra gata, velada em pano branco para simbolizar sua pureza e se despediu dela ao som da marcha fúnebre. Pagou até o filho da vizinha, de dez anos, para mexer na terra e enterrar o caixão no quintal. Tudo requinte.

Daí esses dias eu estava passando a noite na casa dele e um miado infernal que só eu escutava estava me levando a loucura.

Miau miau miau.

"Tá ouvindo?" eu perguntei.

"Ouvindo o quê?"

Miau miau miau.

"Aí, ó! O miado! Tem um gato miando!"

"Não to ouvindo nada."

Passou meia hora, passou uma hora e o a miadeira persistia aos meus ouvidos. Fiz de tudo, desliguei a TV, apontei para onde estava ouvindo os sons. Nada funcionava. Eu estava começando a achar que era o espírito exú da gata que tinha vindo me assombrar.

Mas não, quando finalmente o surdo do meu namorado resolveu ouvir o miado, descobrimos que uma gata nojenta que perambula pelas ruas lá do bairro dele tinha dado cria há um mês e arrastou, olha que lindo, ela arrastou os filhotes pra DENTRO do quintal de casa. Provavelmente porque estava muito frio e chuviscando, normal. Enfim, acabamos adotando uma gatinha filhote pra nós e deixamos a gata levar o resto deles pra rua. E então FINALMENTE eu estava livre do maldito miado.

Como eu estava enganado.

Eu não sei por que gatos cismam em se enfiar em todos os buracos IMPOSSÍVEIS de saírem facilmente. Sabe-se lá como, um dos filhotes se enfurnou no vão MINÚSCULO entre o teto de casa e o telhado. A miadeira, então, persistiu fielmente porque embora somássemos esforços para tirar o gato de dentro do telhado, ninguém conseguia meter a mão lá dentro para agarrá-lo e o filhote simplesmente não conseguia ou não queria sair sozinho. A única opção era esperar a gata maldita atender aos miados intermináveis do filho que saiu de dentro das entranhas DELA e fazer o mínimo para libertá-lo. Responsabilidade materna no reino animal, não vemos por aqui.

Passei mais umas DUAS NOITES com a porra do gato miando no meu ouvido. Nem dormi direito. A gata maldita fazia tudo, comia, dormia, brigava com os cachorros da rua, menos entrar em casa pra tirar o filhote de lá. Depois de um tempo, vimos a bichana se espremer pra dentro do quintal daqui e sumir de vista. No dia seguinte não se ouvia mais miadeira alguma então demos um AMÉM porque o filhote, aparentemente, saiu de onde estava preso. Ou vai ver ele morreu de fome, não sei. Mas se for essa opção devemos ter certeza logo, porque se for, o problema não vai mais ser o miado. Vai ser o fedor de carniça.

6 de jun. de 2012

Aquele do acidente de trânsito

Ruas sem faixa de pedestre me irritam. Quero dizer, o que mais atrasa a sua vida do que precisar ficar brincando de passa-ou-não-passa, corro-ou-não-corro com carros, ônibus e caminhões que não ligam a mínima para se você está atrasado para um compromisso ou não? As pessoas precisam saber que isso realmente é um problema no Rio de Janeiro.

Tem umas ruas lá no centro do Rio que são o capeta pra se lidar porque você tem que andar a avenida inteira para achar o lugar certo para atravessar, o que nem sempre é um bom négocio porque, afinal, os motoristas daqui atravessam sinal vermelho a torto e a direito. Pra mim pelo menos atravessar a rua em alguns desses lugares requer o elemento coragem. Quer dizer, a gente não pode ter medo de morrer. Mas isso não é um problema tão grande pra mim porque eu estou quase completamente convencido de que vou morrer num acidente de trânsito.

Outro dia eu quase morri atropelado. De novo. E se eu não fosse ateu, juraria que no mínimo pelos últimos dezenove anos, Deus vem insanamente, desequilibradamente, constantemente tentando me matar num acidente de trânsito. Porque não é brincadeira as vezes que eu sabe-se lá como consegui me safar de ser erguido ou ter o corpo tragicamente amassado por um carro. É tipo absurdo. Eu já fui “quase” atropelado várias vezes. De todos os jeitos possíveis. Sabem matrix? Quando a pessoa se esquiva das balas em câmera lenta? Já aconteceu comigo. Mas não eram balas, era um caminhão.

Por ironia do destino o único meio de transporte que conseguiu a façanha de atravessar suas rodas por cima do meu corpo foi uma bicicleta, enquanto eu andava feliz de patins. Mas a culpa dessa vez não foi minha ou da minha necessidade estúpida de provar que consigo ser mais rápido que conduções. Eu tinha seis anos. Me ralei todo. Saiu sangue. Uma menina aqui da rua resolveu se certificar se passar por cima de uma criança com a bicicleta era realmente um ato perigoso. Eu nunca vou esquecer desse dia.

Mesmo assim, acho melhor eu começar a tomar mais cuidado com o trânsito a partir de agora. Não quero entrar para as estatísticas.

22 de mai. de 2012

Aquele do com ou sem emoção

Uma vez ou outra sempre acontece da gente ficar um tempinho esperando ônibus, né. Aqui no Rio é a desgraça. Comigo, pelo menos, acontece sempre. Isso deve ser karma, eu devo ter sido motorista de ônibus na vida passada, daqueles que saía sempre atrasado. Sabe aquela coisa de passar o seu ônibus no sentido contrário umas cinco vezes e NENHUM aparecer no sentido que você tá precisando? História da minha vida.

Num desses dias voltando pra casa eu devo ter ficado uma horinha básica esperando meu maldito ônibus. Uma hora, né. O basicão. Quando finalmente me chega o ônibus, todo mundo já tinha desistido e lá estava eu sozinho no ponto final, subindo no ônibus com o dinheiro na mão pro trocador, tentando ignorar o escândalo que o motorista estava fazendo berrando que não queria mais viver e que não aguentava mais sua profissão.

E foi então que ele resolveu falar COMIGO.

"E AÍ, COM EMOÇÃO OU SEM EMOÇÃO?", ele gritou pra mim, os olhos esbugalhados.

"Perdão. Eu não entendi."

"COM EMOÇÃO OU SEM EMOÇÃO, MOLEQUE?" ele repetiu, mais alto. Peraí, moleque?

Daí eu parei. Tentei pensar o mais rápido possível pra poder responder o mais rápido possível. Eu sigo uma filosofia que pra gente alterada eu tenho que responder rápido, com medo do que pode acontecer comigo caso eu fique calado que nem um idiota. O problema é que eu não consegui desenvolver uma resposta inteligente para devolver naquela situação.

"Sem emoção.", eu respondi finalmente.

"Ah, então é melhor você descer do ônibus, porque esse aqui vai ser com bastante emoção!"

Daí o que mais, né. Fodeu, é hoje que eu vou morrer. Foi o que eu pensei. E acho que por pouco foi o que não aconteceu. Aquele motorista doente deve ter ultrapassado uns cinco sinais vermelhos, fazia curvas que nem um louco e os quebra-molas então nem existiam pra ele. Foi o inferno. Eu me senti naquele filme em que as pessoas passam o filme inteiro trancadas dentro de um veículo sem freio em alta velocidade.

Mas bem que o motorista tinha razão, eu devia ter é descido, mesmo. Talvez esperar mais uma horinha pelo próximo ônibus não teria sido uma má ideia.

22 de abr. de 2012

Aquele do cúmulo de ser assaltado

Finalzinho de tarde e Rômulo estava sozinho no ponto de ônibus de uma rua deserta quando Sr. Assaltante aparece. Não tinha nada além de uma nota de cinco reais em mãos, pra voltar pra casa.

"PÉRDEU, PÉRDEU, MANO, PASSA A GRANA!"

"Mas eu só tenho cinco, reais, moço."

"NUM INTERESSA, PASSA."

Sr. Assaltante arranca o dinheiro da mão de Rômulo e se afasta para ir embora.

"Espera, eu também tenho um celular, caso você queria roubar ele também."

Acontecimento verídico.

9 de abr. de 2012

Aquele da salvação

Vizinho vive a vida inteira só fazendo coisa errada, pagando de machinho, de fortinho "comigo ninguém pode". Bateu na mulher, fez da vida da esposa um inferno, deu um soco na cara da filha quando descobriu que ela estava grávida, expulsou filho de casa, renegou a neta porque ela nasceu preta.

Faz merda a vida inteira só esperando chegar na meia idade pra dizer pra família que se arrependeu. Comprou meia dúzia de CD's de música gospel pra ouvir no último volume do estéreo, de forma que a rua inteira possa ouvir o louvor vindo de sua casa.

Cadê a coerência? Desculpa, mas não to achando.

8 de abr. de 2012

Aquele da caixa de chocolate

Ao chegar essa época gordurosa da Páscoa de comprar rios de chocolate para amigos e parentes, quando minha família vem me perguntar o que eu quero, eu descarto a possibilidade de receber uma caixa de bombons na hora, se puder. Essas caixas de bombons sortidos é o que tem de pior para gente chata e fresca que nem eu. Basicamente porque nós não comemos qualquer chocolate.

O que acaba acontecendo é que eu ganho uma caixa de bombons e só como 1/3 das unidades que tem ali dentro. O resto acaba atravessando o esôfago da senhora Minha mãe, que na fome come até pedra.

Mas o que fazer quando você ganha uma caixa de bombons e o seu bombom preferido, aquele pelo qual seu coração bate mais acelerado enquanto abre a caixa, foi esquecido de ser colocado junto? O que fazer?

Serviço de atendimento ao consumidor, é claro.

"Minha senhora, é o seguinte. Eu ganhei uma caixa de bombons da sua fábrica e vocês esqueceram de colocar um bombom."

"Um bombom?"

"Sim, senhora."

"O senhor quer que nós o reembolsemos no valor de um bombom?"

"Exatamente."

"Tu. Tu. Tu. Tu."

25 de mar. de 2012

Aquele em que homem não presta, e a mãe vem logo atrás

Homem é uma criatura que não presta. E eu não digo isso por ser homem e por conhecer a manha na pele, não. Eu digo isso como ser humano.

A festa estava rolando lá pelas seis, sete horas da noite. Era o aniversário de uma criança, a menina estava completando um aninho de idade, e apesar disso a bebida estava rolando solta. Depois de alguns anos de experiência de vida eu cheguei a conclusão que festa de primeiro aniversário não passa de uma desculpa esfarrapada dos pais para reunir os amigos e familiares para ganhar coisas de graça e encher a cara, com as crianças correndo como plano de fundo.

Cleonice era prima de criação de Alfredo que era primo legítimo dos pais da criança, que não tinham relação nenhuma comigo. Alfredo estava noivo de um relacionamento de longa data e o casório já estava até marcado. Vamos chamar sua noiva de Agda. Enfim. Cleonice estava de olho em Alfredo desde o início da festa. Era piscadela pra cá, acenos pra lá, olhadas, beijinhos no ar. Né, aquelas coisas, e pelo o que eu pude perceber, a Agda nem tchum pra tudo aquilo.

"Ai, ele não tá percebendo!", bufou Cleonice. "Ângelo, vai lá falar com ele, já que ele não se toca."

Eu não sei exatamente como dizer de forma discreta a uma pessoa compromissada que alguém quer bater um "lero" com ela enquanto o compromisso da pessoa está BEM AO LADO DELA. Mas de qualquer forma, Ângelo foi lá e  fez o serviço. E ainda levou uma resposta:

"Diz pra ela que eu falo com ela depois." respondeu Alfredo pelo canto da boca.

Acho que não tem como uma pessoa fazer a outra tão de idiota sem ela não perceber nada, né, e minha teoria acabou provando-se correta. Mas se já não bastasse isso, na hora em que Alfredo foi sozinho respirar um ar puro fora da festa, e Agda ter percebido que Cleonice não se encontrava em NENHUM lugar do interior do salão, já tratou de ir caçar o noivo.

O telefone celular de Alfredo tocou, e após balbuciar algumas palavras, desligou.

"Era minha mãe.", ele disse. "Ligou pra avisar que Agda estava vindo atrás de mim pra me pegar no flagra com a Cleonice."

Quer dizer. Até a mãe é cúmplice das cachorrices do filho.

Meninas. Meninos. Segurem seus homens firmemente. Se até a mãe tá a favor, tá fácil pra ninguém, não.