Ruas sem faixa de pedestre me irritam. Quero dizer, o que mais atrasa
a sua vida do que precisar ficar brincando de passa-ou-não-passa,
corro-ou-não-corro com carros, ônibus e caminhões que não ligam a mínima
para se você está atrasado para um compromisso ou não? As pessoas
precisam saber que isso realmente é um problema no Rio de Janeiro.
Tem umas ruas lá no centro do Rio que são o capeta pra se lidar porque você tem que andar a avenida inteira para achar o lugar certo para atravessar, o que nem sempre é um bom négocio porque, afinal, os motoristas daqui atravessam sinal vermelho a torto e a direito. Pra mim pelo menos atravessar a rua em alguns desses lugares requer o elemento coragem. Quer dizer, a gente não pode ter medo de morrer. Mas isso não é um problema tão grande pra mim porque eu estou quase completamente convencido de que vou morrer num acidente de trânsito.
Outro dia eu quase morri atropelado. De novo. E se eu não fosse
ateu, juraria que no mínimo pelos últimos dezenove anos, Deus vem
insanamente, desequilibradamente, constantemente tentando me matar num acidente de trânsito. Porque não é
brincadeira as vezes que eu sabe-se lá como consegui me safar de ser
erguido ou ter o corpo tragicamente amassado por um carro. É tipo absurdo. Eu já fui
“quase” atropelado várias vezes. De todos os jeitos possíveis. Sabem matrix? Quando a pessoa se esquiva das balas em câmera lenta? Já aconteceu comigo. Mas não eram balas, era um caminhão.
Por ironia
do destino o único meio de transporte que conseguiu a façanha de
atravessar suas rodas por cima do meu corpo foi uma bicicleta, enquanto eu andava feliz de patins. Mas a culpa
dessa vez não foi minha ou da minha necessidade estúpida de provar que
consigo ser mais rápido que conduções. Eu tinha seis anos. Me ralei todo. Saiu sangue. Uma menina aqui da rua resolveu se certificar se passar por cima de uma criança com a bicicleta era realmente um ato perigoso. Eu nunca vou esquecer desse dia.
Mesmo assim, acho melhor eu começar a tomar mais cuidado com o
trânsito a partir de agora. Não quero entrar para as estatísticas.
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6 de jun. de 2012
22 de mai. de 2012
Aquele do com ou sem emoção
Uma vez ou outra sempre acontece da gente ficar um tempinho esperando ônibus, né. Aqui no Rio é a desgraça. Comigo, pelo menos, acontece sempre. Isso deve ser karma, eu devo ter sido motorista de ônibus na vida passada, daqueles que saía sempre atrasado. Sabe aquela coisa de passar o seu ônibus no sentido contrário umas cinco vezes e NENHUM aparecer no sentido que você tá precisando? História da minha vida.
Num desses dias voltando pra casa eu devo ter ficado uma horinha básica esperando meu maldito ônibus. Uma hora, né. O basicão. Quando finalmente me chega o ônibus, todo mundo já tinha desistido e lá estava eu sozinho no ponto final, subindo no ônibus com o dinheiro na mão pro trocador, tentando ignorar o escândalo que o motorista estava fazendo berrando que não queria mais viver e que não aguentava mais sua profissão.
E foi então que ele resolveu falar COMIGO.
"E AÍ, COM EMOÇÃO OU SEM EMOÇÃO?", ele gritou pra mim, os olhos esbugalhados.
"Perdão. Eu não entendi."
"COM EMOÇÃO OU SEM EMOÇÃO, MOLEQUE?" ele repetiu, mais alto. Peraí, moleque?
Daí eu parei. Tentei pensar o mais rápido possível pra poder responder o mais rápido possível. Eu sigo uma filosofia que pra gente alterada eu tenho que responder rápido, com medo do que pode acontecer comigo caso eu fique calado que nem um idiota. O problema é que eu não consegui desenvolver uma resposta inteligente para devolver naquela situação.
"Sem emoção.", eu respondi finalmente.
"Ah, então é melhor você descer do ônibus, porque esse aqui vai ser com bastante emoção!"
Daí o que mais, né. Fodeu, é hoje que eu vou morrer. Foi o que eu pensei. E acho que por pouco foi o que não aconteceu. Aquele motorista doente deve ter ultrapassado uns cinco sinais vermelhos, fazia curvas que nem um louco e os quebra-molas então nem existiam pra ele. Foi o inferno. Eu me senti naquele filme em que as pessoas passam o filme inteiro trancadas dentro de um veículo sem freio em alta velocidade.
Mas bem que o motorista tinha razão, eu devia ter é descido, mesmo. Talvez esperar mais uma horinha pelo próximo ônibus não teria sido uma má ideia.
Num desses dias voltando pra casa eu devo ter ficado uma horinha básica esperando meu maldito ônibus. Uma hora, né. O basicão. Quando finalmente me chega o ônibus, todo mundo já tinha desistido e lá estava eu sozinho no ponto final, subindo no ônibus com o dinheiro na mão pro trocador, tentando ignorar o escândalo que o motorista estava fazendo berrando que não queria mais viver e que não aguentava mais sua profissão.
E foi então que ele resolveu falar COMIGO.
"E AÍ, COM EMOÇÃO OU SEM EMOÇÃO?", ele gritou pra mim, os olhos esbugalhados.
"Perdão. Eu não entendi."
"COM EMOÇÃO OU SEM EMOÇÃO, MOLEQUE?" ele repetiu, mais alto. Peraí, moleque?
Daí eu parei. Tentei pensar o mais rápido possível pra poder responder o mais rápido possível. Eu sigo uma filosofia que pra gente alterada eu tenho que responder rápido, com medo do que pode acontecer comigo caso eu fique calado que nem um idiota. O problema é que eu não consegui desenvolver uma resposta inteligente para devolver naquela situação.
"Sem emoção.", eu respondi finalmente.
"Ah, então é melhor você descer do ônibus, porque esse aqui vai ser com bastante emoção!"
Daí o que mais, né. Fodeu, é hoje que eu vou morrer. Foi o que eu pensei. E acho que por pouco foi o que não aconteceu. Aquele motorista doente deve ter ultrapassado uns cinco sinais vermelhos, fazia curvas que nem um louco e os quebra-molas então nem existiam pra ele. Foi o inferno. Eu me senti naquele filme em que as pessoas passam o filme inteiro trancadas dentro de um veículo sem freio em alta velocidade.
Mas bem que o motorista tinha razão, eu devia ter é descido, mesmo. Talvez esperar mais uma horinha pelo próximo ônibus não teria sido uma má ideia.
23 de jul. de 2011
Aquele da tirinha #003
Acontecimento verídico
E piadinhas a parte porque no twitter já tem de montes.
E que a Amy Winehouse descanse em paz.
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