Definitivamente não sou do tipo de pessoa que bebe regularmente e talvez seja por isso que bebida e Jorge Alison raramente seja uma combinação que dê certo. Quando criança papai me ensinou que um adulto direito não bebe. Aquela coisa meio "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Já mamãe me ensinou que se eu fosse beber eu tinha que aprender a beber, isso é, parar quando sentisse que a minha vergonha na cara já estava se desvanecendo.
Mas isso não procede.
Gente nova bebendo é foda, pra quê parar quando a coisa tá ficando boa, né? Vou parafrasear um amiga minha louca histérica do cu, que diz assim: "Quando eu bebo, eu bebo é pra ficar bêbada! Trêbada! Tropeçando nas próprias pernas!" Então quer dizer, bebo quase nunca, se é pra beber então que seja para aproveitar. A consequência disso tudo acaba sendo a total perda da dignidade pessoal: Desmaiando pela rua, vomitando tudo o que comi e sendo carregado pelo namorado. Namorado este que, aliás, é SEMPRE a pessoa responsável por toda a merda que acontece. E eu vou dizer o por quê:
"Bebe mais, Alison!",
"Vou ali comprar mais bebida pra você.",
"O que você quer beber agora?", entre outras coisas.
Nesse recesso de Carnaval eu fiquei empacado em casa terminando um artigo para a faculdade que deveria ter entregue no semestre passado e acabamos decidindo sair apenas no último dia. E ele levou VINHO pra mim. VINHO. Foi só pegar o embalo que bebi a garrafa inteira quase que sozinho, e ainda misturei com trocentas outras coisas que nem lembro. Receita para a desgraça.
Pela primeira vez na minha maioridade eu acordei no dia seguinte com total perda da memória da noite anterior. Eu precisei ver as fotos e ouvir os testemunhos das barbaridades que fiz para ter sequer uma ideia do quanto eu estava louco.
A única coisa que ficou na minha memória foi o comentário de uma mulher para uma ação completamente despremeditada de minha parte:
"Viram? Eu disse que alguém ia acabar dando um tapa na minha bunda!"
Mostrando postagens com marcador vergonha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vergonha. Mostrar todas as postagens
18 de fev. de 2013
12 de dez. de 2012
Aquele em que eu não uso mictório
Eu esperando impaciente no banheiro do shopping alguém disponibilizar o sanitário íntimo porque eu sou bicha fresca demais pra fazer xixi naqueles mictórios nojentos. Parecia até que o shopping inteiro tinha resolvido fazer cocô na mesma hora.
Quando um cara finalmente me resolve sair do vaso, eu recuo no mesmo instante em que eu ponho o primeiro pé dentro do compartimento íntimo.
"Ué", exclamou meu namorado quando me viu voltando. "Não usou?"
"Não aguentei ficar lá, tava fedendo demais, você não tem noção."
Eu olho para o lado e o cara que tinha usado o banheiro antes estava lá parado, lavando as mãos, me olhando com cara de cu.
Sou muito desnecessário às vezes.
Quando um cara finalmente me resolve sair do vaso, eu recuo no mesmo instante em que eu ponho o primeiro pé dentro do compartimento íntimo.
"Ué", exclamou meu namorado quando me viu voltando. "Não usou?"
"Não aguentei ficar lá, tava fedendo demais, você não tem noção."
Eu olho para o lado e o cara que tinha usado o banheiro antes estava lá parado, lavando as mãos, me olhando com cara de cu.
Sou muito desnecessário às vezes.
8 de dez. de 2012
Aquele d'A Gafe
Ontem estava trabalhando aplicando um exame de proficiência para falantes de inglês pré-adolescentes e pela primeira vez em três anos aplicando prova eu vi uma criança chorando.
Vamos chamar o garotinho de Luiz Gustavo. Então Luiz Gustavo tinha dez aninhos de idade. Papai o levou até a sala de espera e lhe desejou boa sorte. Dois minutos depois ele retorna com o celular em mãos, dizendo que a mãe do garoto tinha ligado para desejar boa sorte.
Pronto. Luiz Gustavo desabou em lágrimas.
Eu me senti dentro de um filme dramático sobre uma criancinha que vivia longe da mãe. A gente não ficou sabendo das fofocas da família do menino, mas o meu palpite era que ele não morava com a mãe ou ela tinha viajado pra bem longe. Mas isso não importa.
Não tardou até eu ver todos os supervisores fazendo força pra não chorar junto.
Terminada a ligação Luiz Gustavo foi lavar o rosto e lhe trouxemos um copinho com água e açúcar para ele se acalmar. Quando eu pensei que fosse o fim da dramalheira uma das fiscais mais velhas começou a tentar conversar com garoto numa tentativa de deixá-lo mais calmo.
E foi então que ela cometeu A Gafe.
"Você é filho único ou tem algum irmão?"
"Eu tinha uma irmã... mas ela morreu."
Podia ter ficado calada.
Vamos chamar o garotinho de Luiz Gustavo. Então Luiz Gustavo tinha dez aninhos de idade. Papai o levou até a sala de espera e lhe desejou boa sorte. Dois minutos depois ele retorna com o celular em mãos, dizendo que a mãe do garoto tinha ligado para desejar boa sorte.
Pronto. Luiz Gustavo desabou em lágrimas.
Eu me senti dentro de um filme dramático sobre uma criancinha que vivia longe da mãe. A gente não ficou sabendo das fofocas da família do menino, mas o meu palpite era que ele não morava com a mãe ou ela tinha viajado pra bem longe. Mas isso não importa.
Não tardou até eu ver todos os supervisores fazendo força pra não chorar junto.
Terminada a ligação Luiz Gustavo foi lavar o rosto e lhe trouxemos um copinho com água e açúcar para ele se acalmar. Quando eu pensei que fosse o fim da dramalheira uma das fiscais mais velhas começou a tentar conversar com garoto numa tentativa de deixá-lo mais calmo.
E foi então que ela cometeu A Gafe.
"Você é filho único ou tem algum irmão?"
"Eu tinha uma irmã... mas ela morreu."
Podia ter ficado calada.
30 de out. de 2012
Aquele da menina que não canta nada
Fomos mamãe e eu para uma festa da parte evangélica da família do meu pai em que um dos meus primos iria cantar num recital. Quando chegou a vez dele cantar, subiu uma garota com ele no palco e eles acabaram cantando um dueto.
Até aí tudo bem.
Chegando quase no final da festa, já estávamos de saco cheio e queríamos mais era dar o fora dali. Como a educação manda, fomos lá mamãe e eu nos despedirmos e darmos os parabéns ao meu primo cantor. Ele estava sentado junto com a mãe, irmã e um grupinho de agregados, provavelmente da igreja deles.
"Nossa, mas você arrasou!", começou minha mãe, toda empolgada. "Você tem um vozerão, cara! Sério! Me impressionei, eu sabia que você sabia cantar, mas não que era tão bom assim. Você só podia ter cantado solo, né, porque aquela menina que cantou com você, ó. Vou dizer. Muito ruim, canta nada! Na-da! Afinal, quem é aquela garota?"
"Era eu.", disse uma das meninas que estavam no grupinho.
Eu olhei pra mamãe, mamãe olhou pra mim. Pedimos licença e nos retiramos.
"Que vexame, mãe."
"Cala a boca e anda rápido."
Até aí tudo bem.
Chegando quase no final da festa, já estávamos de saco cheio e queríamos mais era dar o fora dali. Como a educação manda, fomos lá mamãe e eu nos despedirmos e darmos os parabéns ao meu primo cantor. Ele estava sentado junto com a mãe, irmã e um grupinho de agregados, provavelmente da igreja deles.
"Nossa, mas você arrasou!", começou minha mãe, toda empolgada. "Você tem um vozerão, cara! Sério! Me impressionei, eu sabia que você sabia cantar, mas não que era tão bom assim. Você só podia ter cantado solo, né, porque aquela menina que cantou com você, ó. Vou dizer. Muito ruim, canta nada! Na-da! Afinal, quem é aquela garota?"
"Era eu.", disse uma das meninas que estavam no grupinho.
Eu olhei pra mamãe, mamãe olhou pra mim. Pedimos licença e nos retiramos.
"Que vexame, mãe."
"Cala a boca e anda rápido."
25 de out. de 2012
16 de set. de 2012
Aquele do gel lubrificante
Pedrinho e Ângelo já namoravam há um ano e meio e tinham uma vida sexual bem ativa. Uma vez depois de saírem pra jantar, voltando pra casa, Ângelo cismou em parar na farmácia da rua da casa dele para comprar lubrificante.
"Gel lubrificante", Ângelo pediu para a atendente.
"Só pedir ali no balcão", respondeu ela, dando uma risadinha pra Pedrinho, que fingia ter entrado sozinho e olhava os produtos da farmácia com grande interesse, como se estivesse procurando alguma coisa.
"Pedrinho!", chamou Ângelo em voz alta. "Você prefere com esse ou com esse?"
Farmácia inteira para pra prestar atenção em Ângelo segurando os dois tubos de lubrificante de marcas diferentes.
Existe vergonha maior?
Pode acontecer com qualquer um. Aconteceu com um amigo meu.
8 de set. de 2012
Aquele do KitKat
Eu invejo com a minha alma essas pessoas que conseguem ir no supermercado e comer coisa de graça sem se preocupar em ser pego com a boca na botija e apodrecer na cadeia que nem aquela mulher pobre que virou notícia depois de ser presa por roubar um pote de manteiga Qually porque tava com fome e não queria comer pão seco. Invejo mesmo, porque eu-não-consigo.
É muito raro eu ir no supermercado e comprar mais de vinte itens então geralmente eu entro na fila de vinte itens para menos, onde a gente encontra um monte daquelas guloseimas, doces, petiscos, essas coisas que a gente compra só pra ter algo para mastigar na boca. Então eu estava no supermercado e enquanto eu espero na fila o que eu mais via eram pacotes abertos, coisas mordidas, comidas pela metade, sacos vazios. Embasbaquei-me. Quanto de dinheiro o mercado não deve perder só com essas coisinhas que o brasileiro "petisca" na fila do supermercado sem pagar?
Era a oportunidade perfeita para aplicar o golpe. Escolhi pegar um KitKat porque o absurdo do meu namorado, que estava comigo na hora, nunca tinha provado e aquilo não podia ficar assim.
Peguei o KitKat, abri, comemos apenas metade e eu coloquei de volta no lugar. No segundo seguinte eu estava assim:
"Ai meu Deus, será que alguém me viu? Mas e se me barrarem na saída? Aquilo ali é uma camera? É uma camera, não é? Tão filmando tudo! Me gravaram comendo o chocolate sem pagar, o que a gente faz agora? Se eu for preso você vai junto, o que eu vou dizer pros meus pais? Meu Deus, tem uma segurança vindo na nossa direção, ela vai me pegar em flagrante. Me dá esse KitKat aqui, me dá esse KitKat agora, eu vou pagar por isso."
Eu paguei pelo KitKat.
Saí de consciência limpa.
É muito raro eu ir no supermercado e comprar mais de vinte itens então geralmente eu entro na fila de vinte itens para menos, onde a gente encontra um monte daquelas guloseimas, doces, petiscos, essas coisas que a gente compra só pra ter algo para mastigar na boca. Então eu estava no supermercado e enquanto eu espero na fila o que eu mais via eram pacotes abertos, coisas mordidas, comidas pela metade, sacos vazios. Embasbaquei-me. Quanto de dinheiro o mercado não deve perder só com essas coisinhas que o brasileiro "petisca" na fila do supermercado sem pagar?
Era a oportunidade perfeita para aplicar o golpe. Escolhi pegar um KitKat porque o absurdo do meu namorado, que estava comigo na hora, nunca tinha provado e aquilo não podia ficar assim.
Peguei o KitKat, abri, comemos apenas metade e eu coloquei de volta no lugar. No segundo seguinte eu estava assim:
"Ai meu Deus, será que alguém me viu? Mas e se me barrarem na saída? Aquilo ali é uma camera? É uma camera, não é? Tão filmando tudo! Me gravaram comendo o chocolate sem pagar, o que a gente faz agora? Se eu for preso você vai junto, o que eu vou dizer pros meus pais? Meu Deus, tem uma segurança vindo na nossa direção, ela vai me pegar em flagrante. Me dá esse KitKat aqui, me dá esse KitKat agora, eu vou pagar por isso."
Eu paguei pelo KitKat.
Saí de consciência limpa.
28 de ago. de 2012
Aquele da ereção indesejada
Uma coisa que as mulheres nunca vão entender plenamente é o problema da ereção indesejada. Às vezes você está na rua, os passarinhos estão cantando, o sol está brilhando lá no alto e de repente NUMA FRAÇÃO DE SEGUNDO uma imagem passa ligeira na sua cabeça e pronto.
Eu por exemplo, andar de ônibus sozinho é um problema sério. Eu não sei o que acontece, talvez seja aquela sensação íntima e contínua de treme-treme que o veículo desperta, ou talvez seja psicológico mesmo. Auto-envergonhamento, sabe. Só sei que o episódio aconteceu mais vezes do que eu sou capaz de contar com os dedos das mãos e dos pés. Pouco falta para levantar do assento e descer do ônibus quando algo acontece e eu penso em... sexo.
E isso é um problema porque, bem, eu geralmente uso calças apertadíssimas. Daí o que fazer, né. Apelamos para aquele mantra desesperado de elementos não sexuais:
Até agora tem dado certo.
Eu por exemplo, andar de ônibus sozinho é um problema sério. Eu não sei o que acontece, talvez seja aquela sensação íntima e contínua de treme-treme que o veículo desperta, ou talvez seja psicológico mesmo. Auto-envergonhamento, sabe. Só sei que o episódio aconteceu mais vezes do que eu sou capaz de contar com os dedos das mãos e dos pés. Pouco falta para levantar do assento e descer do ônibus quando algo acontece e eu penso em... sexo.
E isso é um problema porque, bem, eu geralmente uso calças apertadíssimas. Daí o que fazer, né. Apelamos para aquele mantra desesperado de elementos não sexuais:
"Vovó. Vovó. Vovó. Vovó. Vovó. Vóvó."
Até agora tem dado certo.
18 de ago. de 2012
Aquele do truque do leilão
Então esses dias eu descobri que eu sou a pessoa mais lesada desse pequeno universo em que habitamos e portanto estou me obrigando a dividir essa história estúpida com o resto do mundo como punição, para eu aceitar que tudo bem fazer algo que ponha em dúvida a minha capacidade de ter conseguido tirar a vaga de centenas de pessoas na universidade pública.
Eu estava dando uma passada básica no eBay vendo algumas camisetas e por acaso me apaixonei por uma camiseta vintage raríssima da Caffeine com estampa de caveira que estava dando sopa no preço. O leilão iria acabar em pouquíssimas horas e só havia recebido um insignificante lance. Como o leilão terminaria apenas às altas horas da madrugada eu me mantive acordado a noite toda assistindo Friends e fiz meu lindo e prestativo namorado me ligar meia hora antes do fim do leilão, caso eu pegasse no sono.
Não havia ninguém disputando a camisa aquele horário. Ela custava 24 dólares, e com a minha vasta experiência em leilões na internet eu esperei até o último minuto para dar o meu lance.
Bem. O único lance que camisa havia recebido foi de 25 dólares. Então o certo era dar um lance de no mínimo 25.50 dólares.
Não foi o que eu fiz.
Acredite quem quiser, mas eu esperei a noite inteira até faltar um minuto para digitar o valor errado e repetido de 25 dólares. Quando eu vi a burrice que eu tinha feito, o feeling do momento Run, run for your life não foi o suficiente para eu dar o lance certo de 26 dólares e eu perdi um leilão pra alguém que tinha dado lance TRINTA E SETE horas antes de mim.
Ser mais lesado.
Tem como?
Eu estava dando uma passada básica no eBay vendo algumas camisetas e por acaso me apaixonei por uma camiseta vintage raríssima da Caffeine com estampa de caveira que estava dando sopa no preço. O leilão iria acabar em pouquíssimas horas e só havia recebido um insignificante lance. Como o leilão terminaria apenas às altas horas da madrugada eu me mantive acordado a noite toda assistindo Friends e fiz meu lindo e prestativo namorado me ligar meia hora antes do fim do leilão, caso eu pegasse no sono.
Não havia ninguém disputando a camisa aquele horário. Ela custava 24 dólares, e com a minha vasta experiência em leilões na internet eu esperei até o último minuto para dar o meu lance.
Bem. O único lance que camisa havia recebido foi de 25 dólares. Então o certo era dar um lance de no mínimo 25.50 dólares.
Não foi o que eu fiz.
Acredite quem quiser, mas eu esperei a noite inteira até faltar um minuto para digitar o valor errado e repetido de 25 dólares. Quando eu vi a burrice que eu tinha feito, o feeling do momento Run, run for your life não foi o suficiente para eu dar o lance certo de 26 dólares e eu perdi um leilão pra alguém que tinha dado lance TRINTA E SETE horas antes de mim.
Ser mais lesado.
Tem como?
9 de ago. de 2012
Aquele dos colombianos
Quando se trabalha com produção de eventos uma hora você acaba aceitando que merdas acontecem o tempo todo, vão continuar acontecendo sem parar e você vai ter que dar o seu jeito de resolvê-las de alguma forma. Ainda mais em evento grande, que é sinônimo de muita gente envolvida, que quer dizer nada mais do que muita gente fazendo merda.
Uma vez eu tinha separado uma dúzia de brindes promocionais, tudo destinado a gente muitíssimo importante, e no meio da correria um casal de colombianos, cujo trabalho estava envolvido no evento, veio me pedir ajuda. Eu devo ter ficado acredito que uma hora só atendendo eles e acabei confundindo duas sacolas, daqueles brindes que já estavam separados, e entreguei aos dois. Tinha que ver, eles ficaram tão felizes que acabaram me dando um presente do trabalho deles.
"Alison, tá faltando duas sacolas aqui. Você sabe onde estão?" vieram me perguntar uns minutos depois.
Só então caiu a ficha da besteira absurda que eu tinha feito.
Agora e pra pegar as sacolas de volta depois deles terem disparado elogios do meu atendimento e terem até me dado um presentinho como forma de agradecimento? A minha sorte foi que a dupla ainda estava no mesmo andar da sala de produção e eu tinha pelo menos como ir até eles pedir as coisas de volta. Se não, me faziam de picadinho e serviam no buffet de encerramento.
"Mil desculpas, mas sem querer acabei dando essas bolsas pra vocês e vou precisar delas de volta." eu falei, morrendo de vergonha.
"Como assim?"
"É que elas já estavam reservadas para outras pessoas."
"Ah, mas. A gente não ganha bolsa?"
"Então. Não."
Foi um dos maiores constrangimentos que eu passei na minha vida.
Mas pelo menos não pediram o presente de volta.
Uma vez eu tinha separado uma dúzia de brindes promocionais, tudo destinado a gente muitíssimo importante, e no meio da correria um casal de colombianos, cujo trabalho estava envolvido no evento, veio me pedir ajuda. Eu devo ter ficado acredito que uma hora só atendendo eles e acabei confundindo duas sacolas, daqueles brindes que já estavam separados, e entreguei aos dois. Tinha que ver, eles ficaram tão felizes que acabaram me dando um presente do trabalho deles.
"Alison, tá faltando duas sacolas aqui. Você sabe onde estão?" vieram me perguntar uns minutos depois.
Só então caiu a ficha da besteira absurda que eu tinha feito.
Agora e pra pegar as sacolas de volta depois deles terem disparado elogios do meu atendimento e terem até me dado um presentinho como forma de agradecimento? A minha sorte foi que a dupla ainda estava no mesmo andar da sala de produção e eu tinha pelo menos como ir até eles pedir as coisas de volta. Se não, me faziam de picadinho e serviam no buffet de encerramento.
"Mil desculpas, mas sem querer acabei dando essas bolsas pra vocês e vou precisar delas de volta." eu falei, morrendo de vergonha.
"Como assim?"
"É que elas já estavam reservadas para outras pessoas."
"Ah, mas. A gente não ganha bolsa?"
"Então. Não."
Foi um dos maiores constrangimentos que eu passei na minha vida.
Mas pelo menos não pediram o presente de volta.
25 de jun. de 2012
Aquele dos elogios
Eu não sei lidar muito bem com elogios. Ou eu acho que a pessoa está tirando uma com a minha cara ou o meu ego infla.
"Você tá tão bonito!", me disseram.
"Ai, obrigado!", respondi.
"Vamos juntar a galera e tirar uma foto!"
"Bora."
"Nossa, ficou super bonita!"
"Ai para! Mas obrigado de novo!"
"Não... não você. A foto."
"Ah."
"Você tá tão bonito!", me disseram.
"Ai, obrigado!", respondi.
"Vamos juntar a galera e tirar uma foto!"
"Bora."
"Nossa, ficou super bonita!"
"Ai para! Mas obrigado de novo!"
"Não... não você. A foto."
"Ah."
19 de jun. de 2012
Aquele dos 26 estados
Eu devia ter uns dez, onze anos na época quando passei a maior vergonha da minha vida acadêmica. A pressão da faculdade e meus primeiros empregos foram fichinha em comparação a primeira humilhação pública que eu passei em toda a minha vida. Acho que estávamos no meio da aula de Redação quando o diretor da minha primeira escola entrou na nossa sala de aula, num costume corriqueiro, para discursar algumas palavras sobre o amor à pátria e sobre como a educação era importante para o nosso país, o que nenhum aluno realmente parava para prestar atenção. O nome do diretor agora me falha na memória, mas vamos chamá-lo de Emanuel.
Emanuel era um velho babão. Já devia estar com o pé na cova e ninguém exatamente dava bola para o que ele falava porque ele já não batia muito bem da cabeça por causa da velhiche, ele tinha lá os seus problemas e maioria das palavras que ele pronunciava, ou grunhia, eram praticamente impossíveis de se identificar. Toda a vez que ele entrava numa sala de aula para proclamar seu discurso moralista ele escolhia algum aluno aleatório para responder a alguma pergunta da vida. Eu nunca dei muita bola para isso porque eu sempre fui invisível na época do ginasial, mas daí um dia ele apontou para mim.
"Você.", ele disse. "Quantos estados tem o Brasil?"
Quantos estados tem o Brasil? Eu pensei. Eu sei lá quantos estados o Brasil tem! Qual é a importância disso? Vai ajudar a salvar vidas eu saber de cor quantas porras de estados tem a porra do país? Se ele quer saber quantos estados tem o Brasil, que pegasse um maldito Atlas e contasse os estados um por um ele mesmo! Mas não, ele tinha que perguntar diretamente a mim, no meio de todos os meus colegas e professora.
"Ah, essa é muito fácil!", murmurou uma vagabunda sentada ao meu lado.
Eu olhei pra vagabunda de esguelha por um segundo, e voltei o olhar para o velho babão, que ainda tinha os olhos fixos em mim, naquele meu estado patético de não saber o que responder.
"Ah, er... sei lá.", eu respondi.
"Mas como assim você não sabe?", ele persistiu.
"Ué, eu não sei, o que eu posso fazer?"
"MAS É POR ISSO QUE A EDUCAÇÃO DO PAÍS ESTÁ COMO ESTÁ, BLÁBLÁBLÁ, EDUCAÇÃO, BLÁ, WHISKAS SACHÊ, EDUCAÇÃO, BLÁBLÁ."
Acho que para meus colegas o episódio não foi de total importância. Talvez por nenhum deles nunca na vida ter parado para contar quantos estados tinha o Brasil, não sei. Mas sei que minha humilhação em público não acabou virando piada nacional, para a minha sorte. Mas por possuir uma alma de aluno estudioso por toda a minha vida, até hoje eu lembro desse dia com ódio no coração.
Eu nem sei se o diretor Emanuel morreu, se tá vivo, se está em coma numa cama de hospital respirando por um tubo, mas por mim e por todos os alunos cujo do desespero momentâneo ele se alimentou, eu espero sinceramente que ele arda no mármore do inferno. Não que eu acredite no inferno, é claro.
Emanuel era um velho babão. Já devia estar com o pé na cova e ninguém exatamente dava bola para o que ele falava porque ele já não batia muito bem da cabeça por causa da velhiche, ele tinha lá os seus problemas e maioria das palavras que ele pronunciava, ou grunhia, eram praticamente impossíveis de se identificar. Toda a vez que ele entrava numa sala de aula para proclamar seu discurso moralista ele escolhia algum aluno aleatório para responder a alguma pergunta da vida. Eu nunca dei muita bola para isso porque eu sempre fui invisível na época do ginasial, mas daí um dia ele apontou para mim.
"Você.", ele disse. "Quantos estados tem o Brasil?"
Quantos estados tem o Brasil? Eu pensei. Eu sei lá quantos estados o Brasil tem! Qual é a importância disso? Vai ajudar a salvar vidas eu saber de cor quantas porras de estados tem a porra do país? Se ele quer saber quantos estados tem o Brasil, que pegasse um maldito Atlas e contasse os estados um por um ele mesmo! Mas não, ele tinha que perguntar diretamente a mim, no meio de todos os meus colegas e professora.
"Ah, essa é muito fácil!", murmurou uma vagabunda sentada ao meu lado.
Eu olhei pra vagabunda de esguelha por um segundo, e voltei o olhar para o velho babão, que ainda tinha os olhos fixos em mim, naquele meu estado patético de não saber o que responder.
"Ah, er... sei lá.", eu respondi.
"Mas como assim você não sabe?", ele persistiu.
"Ué, eu não sei, o que eu posso fazer?"
"MAS É POR ISSO QUE A EDUCAÇÃO DO PAÍS ESTÁ COMO ESTÁ, BLÁBLÁBLÁ, EDUCAÇÃO, BLÁ, WHISKAS SACHÊ, EDUCAÇÃO, BLÁBLÁ."
Acho que para meus colegas o episódio não foi de total importância. Talvez por nenhum deles nunca na vida ter parado para contar quantos estados tinha o Brasil, não sei. Mas sei que minha humilhação em público não acabou virando piada nacional, para a minha sorte. Mas por possuir uma alma de aluno estudioso por toda a minha vida, até hoje eu lembro desse dia com ódio no coração.
Eu nem sei se o diretor Emanuel morreu, se tá vivo, se está em coma numa cama de hospital respirando por um tubo, mas por mim e por todos os alunos cujo do desespero momentâneo ele se alimentou, eu espero sinceramente que ele arda no mármore do inferno. Não que eu acredite no inferno, é claro.
21 de abr. de 2012
Aquele em que eu sou sonâmbulo
Quando eu era criança eu fazia certas coisas das quais eu não me orgulho. Coisas que eu fazia quando estava dormindo. Eu não sei se eu posso realmente ser chamado de sonâmbulo ou se tudo isso é apenas outra condição psicológica porque eu acho que sonâmbulos não lembram de nada dessas situações, não é? Mas não, eu tenho recortes de imagens de não todos, mas alguns desses momentos.
Teve um episódio mais comentado aqui em casa porque eu tinha um primo dormindo aqui no dia, e ele e meus pais estavam acordados assistindo ao programa do Jô. Me contam que eu levantei de madrugada, andei o caminho inteiro até a cozinha, levantei a tampa da lata de lixo e fiz xixi lá dentro. ENQUANTO MEU PAI, DESESPERADO, SEM SABER O QUE FAZER VENDO FILHO DELE ANDANDO DORMINDO, ME AJUDAVA A NÃO ERRAR O ALVO. Eu devia ter uns seis anos idade, não lembro.
Teve outros episódios em que eu apenas andava pela casa tirando almofadas do lugar, parando em pé em frente a cama dos meus pais, abrindo e fechando a geladeira em movimentos viciosos. Levantava da cama e rolava pra debaixo dela (o que na primeira vez levou meus pais a acreditaram que eu havia sido abduzido por ET's já que eles não me encontravam em lugar nenhum da casa). Nada inofensivo.
Depois que eu cresci esses episódios começaram a ser menos frequentes até que pararam de acontecer, só que esses dias ocorreu um fato meio bizarro. Eu havia comprado alguns chicletes na farmácia e os deixei guardados na mochila. Quando acordei, tinha chiclete seco grudado nas juntas das minhas DUAS PERNAS. Quer dizer. Como?
Eu não sei o que aconteceu. A única coisa que me passou pela cabeça foi eu ter acordado de madrugada, mascado um chiclete e depois colado ele na perna porque, né, não tem lugar melhor pra colocar chiclete babado se não na sua própria pele enquanto você tá dormindo.
Agora, pra tirar aquela goma seca maldita das juntas foi a desgraça. Espero de verdade que não aconteça uma continuação desse episódio.
Teve um episódio mais comentado aqui em casa porque eu tinha um primo dormindo aqui no dia, e ele e meus pais estavam acordados assistindo ao programa do Jô. Me contam que eu levantei de madrugada, andei o caminho inteiro até a cozinha, levantei a tampa da lata de lixo e fiz xixi lá dentro. ENQUANTO MEU PAI, DESESPERADO, SEM SABER O QUE FAZER VENDO FILHO DELE ANDANDO DORMINDO, ME AJUDAVA A NÃO ERRAR O ALVO. Eu devia ter uns seis anos idade, não lembro.
Teve outros episódios em que eu apenas andava pela casa tirando almofadas do lugar, parando em pé em frente a cama dos meus pais, abrindo e fechando a geladeira em movimentos viciosos. Levantava da cama e rolava pra debaixo dela (o que na primeira vez levou meus pais a acreditaram que eu havia sido abduzido por ET's já que eles não me encontravam em lugar nenhum da casa). Nada inofensivo.
Depois que eu cresci esses episódios começaram a ser menos frequentes até que pararam de acontecer, só que esses dias ocorreu um fato meio bizarro. Eu havia comprado alguns chicletes na farmácia e os deixei guardados na mochila. Quando acordei, tinha chiclete seco grudado nas juntas das minhas DUAS PERNAS. Quer dizer. Como?
Eu não sei o que aconteceu. A única coisa que me passou pela cabeça foi eu ter acordado de madrugada, mascado um chiclete e depois colado ele na perna porque, né, não tem lugar melhor pra colocar chiclete babado se não na sua própria pele enquanto você tá dormindo.
Agora, pra tirar aquela goma seca maldita das juntas foi a desgraça. Espero de verdade que não aconteça uma continuação desse episódio.
20 de fev. de 2012
Aquele dos macaquinhos
(Santa Irapitinga do Segredo, 1941, Tarsila do Amaral)
"Que é isso, gente, são macaquinhos?" eu perguntei em voz alta.
Uma mulher em pé que estava bem ao meu lado na exposição da Tarsila Amaral, vendo a mesma imagem, virou pra mim indignada.
"Não. São criancinhas".
"Ah".
Mas ó, em minha defesa, aquele ali à esquerda, que está subindo o muro, parece que tem um rabo.
13 de fev. de 2012
Aquele dos recadinhos escolares
Minha mãe é maluca. Isso é inconstestável. Aliás, umas das razões para eu ser essa pessoa paciente, sensata e centrada que sou hoje em dia é por ter crescido em casa com uma mulher instável, desesperada e sem noção das consequências de seus atos.
Eu sempre fui um aluno exemplar, sabem. Mas não era abitolado. Às vezes eu não tinha vontade de estudar ou fazer porra de dever de casa nenhum e não me preocupava tanto com isso. O problema era que a minha escola ginasial era meio rígida quanto às obrigações escolares, dependendo do professor. Quer dizer. Eu não podia deixar de fazer uma porcaria de exercício que eu já levava um aviso pra casa pedindo providências sobre meu comportamente inadequado. Aviso esse que, no dia seguinte, deveria ser entregue assinado por pelo menos um dos pais. Como meu pai quase nunca se encontrava em casa, quem tinha o dever de acompanhar meu rendimento escolar era, obviamente, mamãe.
Não que mamãe tenha sido uma excelente aluna. Não, eu acho que não. Lembro de histórias que ela me contava sobre os últimos anos de escola dela. Um em particular em que ela ameaçou de morte o professor de química dela para que ele a aprovasse e ela pudesse se formar com o resto da turma. Segundo ela, química não entrava em sua cabeça de jeito nenhum. É claro que não posso dizer com plena certeza de que isso realmente é verdade e aconteceu, mas se eu fosse vocês, eu não duvidaria da Srª Minha mãe.
Hoje eu achei umas agendas antigas do meu ginasial e por diversão fiquei lendo meu histórico de recadinhos de professores. Minha mãe assinava todas, sem exceção. Cada uma de um jeitinho peculiar.
Entre outros recados.
E esse é o tipo de coisa que eu tive que aturar na minha infância. E não adiantava dizer que eu não ia levar aquele tipo de assinatura. Primeiro porque eu precisava dela para entrar na escola e segundo porque eu recebia um "Vou te meter a porrada se você não levar isso" se eu me recusasse. É claro que o meu constrangimento quando mostrava a agenda com a assinatura do responsável de volta para os professores, pensando bem, no fundo deveria ter sido minha verdadeira punição.
Mamãe é demais.
Eu sempre fui um aluno exemplar, sabem. Mas não era abitolado. Às vezes eu não tinha vontade de estudar ou fazer porra de dever de casa nenhum e não me preocupava tanto com isso. O problema era que a minha escola ginasial era meio rígida quanto às obrigações escolares, dependendo do professor. Quer dizer. Eu não podia deixar de fazer uma porcaria de exercício que eu já levava um aviso pra casa pedindo providências sobre meu comportamente inadequado. Aviso esse que, no dia seguinte, deveria ser entregue assinado por pelo menos um dos pais. Como meu pai quase nunca se encontrava em casa, quem tinha o dever de acompanhar meu rendimento escolar era, obviamente, mamãe.
Não que mamãe tenha sido uma excelente aluna. Não, eu acho que não. Lembro de histórias que ela me contava sobre os últimos anos de escola dela. Um em particular em que ela ameaçou de morte o professor de química dela para que ele a aprovasse e ela pudesse se formar com o resto da turma. Segundo ela, química não entrava em sua cabeça de jeito nenhum. É claro que não posso dizer com plena certeza de que isso realmente é verdade e aconteceu, mas se eu fosse vocês, eu não duvidaria da Srª Minha mãe.
Hoje eu achei umas agendas antigas do meu ginasial e por diversão fiquei lendo meu histórico de recadinhos de professores. Minha mãe assinava todas, sem exceção. Cada uma de um jeitinho peculiar.
"Sr. Reponsável,
O aluno esqueceu o material de Língua Portuguesa.
Meu filho é um irresponsável.
ass: MAMÃE"
"Sr. Responsável,
O aluno trouxe o exercício incompleto de Matemática para o dia tal.
Só esganando ele...
ass: MAMÃE"
"Sr. Responsável,
O aluno esqueceu a apostila de Português em casa outra vez.
Peço providências.
Vou comprar memoriol pra ele.
ass: MAMÃE"
"Sr. Responsável,
O aluno não fez a tarefa de Matemática.
Este é um dos vários recados. Já chamei sua atenção, só esganando. Prometo fazê-lo.
Outras sugestões estou aceitando.
ass: MAMÃE"
Entre outros recados.
E esse é o tipo de coisa que eu tive que aturar na minha infância. E não adiantava dizer que eu não ia levar aquele tipo de assinatura. Primeiro porque eu precisava dela para entrar na escola e segundo porque eu recebia um "Vou te meter a porrada se você não levar isso" se eu me recusasse. É claro que o meu constrangimento quando mostrava a agenda com a assinatura do responsável de volta para os professores, pensando bem, no fundo deveria ter sido minha verdadeira punição.
Mamãe é demais.
20 de dez. de 2011
Aquele do primeiro nome
Eu sempre tive um problema sério com meu primeiro nome: Jorge. Eu nunca gostei dele. Talvez esse meu repúdio seja pelo fato de eu ter crescido sendo chamado de Alison para não haver confusão com o outro Jorge da família, não sei. Só sei que a minha vida toda eu tentei fazer as pessoas me chamarem de Alison porque eu nunca achei que Jorge tinha lá muito a ver comigo. Por causa disso, geralmente pessoas do círculo escola/faculdade me chamam de Jorge e o resto me chama de Alison, porque eu me apresento como Alison.
Enfim, meu problema com Jorge acaba gerando certas irritações do tipo: Gente que me conhece como Alison eu não deixo me chamar de Jorge, e quando me chamam eu acabo respondendo de forma mal criada. Meu pai e meu namorado, por exemplo, fazem um pouco disso pra me irritar.
Hoje eu cheguei em casa e meu namorado veio falar comigo no facebook.
"Namorado: Oi Jorge.
Eu: JORGE MEU CU.
Namorado: É a Célia, mãe do Anderson."
Morri de vergonha.
Enfim, meu problema com Jorge acaba gerando certas irritações do tipo: Gente que me conhece como Alison eu não deixo me chamar de Jorge, e quando me chamam eu acabo respondendo de forma mal criada. Meu pai e meu namorado, por exemplo, fazem um pouco disso pra me irritar.
Hoje eu cheguei em casa e meu namorado veio falar comigo no facebook.
"Namorado: Oi Jorge.
Eu: JORGE MEU CU.
Namorado: É a Célia, mãe do Anderson."
Morri de vergonha.
27 de set. de 2011
Aquele do pânico no cinema
Eu sempre tive o costume de frequentar o cinema, sabe. Geralmente não acompanhado. Sozinho mesmo. Ficar ligando pras pessoas irem comigo ao cinema nunca foi um pensamento viável porque 1)Eu nunca tive tantos amigos assim 2)Uma hora eu ia acabar não tendo mais amigos disponíveis para chamar, dos poucos que eu tenho ou 3)Eles iriam acabar se estressando comigo por chamá-los para ir ao cinema toda semana. Daí, né, o que resta: Ir ao cinema sozinho.
E eu só pago mico. Seja sozinho, seja acompanhado. Porque sempre, sempre acontece alguma merda e eu acabo tendo que esconder meu rosto com a palma das mãos na tentativa ilusória de que a situação seja menos constrangedora.
Pois a sessão de cinema aquele dia estava lotadíssima, né. Estávamos eu, duas gueis e um casal heterossexual. Filme brasileiro, sabe como é.
Então o filme acaba e eu sou o primeiro a levantar. E tipo, quando eu entrei na sessão não tinha exatamente uma porta, era uma entrada aberta, sabe, então o problema na hora de sair é que estava tudo escuro, não se via nada. Daí a pessoa aqui estava crente que sabia EXATAMENTE onde a passagem de volta pra bilheteria estava. Começo a desfilar com toda a pose e glamour que eu tinha reunido no momento e bato com tudo de cara na parede do cinema. Daí o que você faz quando não encontra a saída? Tem um ataque claustrofóbico e entra em pânico, é claro. Comecei a tatear a parede e a gritar "ESTAMOS PRESOS, ESTAMOS PRESOS, SOCORRO". Imagina uma pessoa presa numa caixa tentando sair. Era eu, só que numa sessão de cinema.
No final, eu acabei percebendo que havia uma cortina preta no que deveria ser a saída da sessão. Arrumei a bolsa no ombro, fiz carão, sequer pensei cogitar em olhar pra trás e dei o fora daquele lugar o mais rápido que pude.
E eu só pago mico. Seja sozinho, seja acompanhado. Porque sempre, sempre acontece alguma merda e eu acabo tendo que esconder meu rosto com a palma das mãos na tentativa ilusória de que a situação seja menos constrangedora.
Pois a sessão de cinema aquele dia estava lotadíssima, né. Estávamos eu, duas gueis e um casal heterossexual. Filme brasileiro, sabe como é.
Então o filme acaba e eu sou o primeiro a levantar. E tipo, quando eu entrei na sessão não tinha exatamente uma porta, era uma entrada aberta, sabe, então o problema na hora de sair é que estava tudo escuro, não se via nada. Daí a pessoa aqui estava crente que sabia EXATAMENTE onde a passagem de volta pra bilheteria estava. Começo a desfilar com toda a pose e glamour que eu tinha reunido no momento e bato com tudo de cara na parede do cinema. Daí o que você faz quando não encontra a saída? Tem um ataque claustrofóbico e entra em pânico, é claro. Comecei a tatear a parede e a gritar "ESTAMOS PRESOS, ESTAMOS PRESOS, SOCORRO". Imagina uma pessoa presa numa caixa tentando sair. Era eu, só que numa sessão de cinema.
No final, eu acabei percebendo que havia uma cortina preta no que deveria ser a saída da sessão. Arrumei a bolsa no ombro, fiz carão, sequer pensei cogitar em olhar pra trás e dei o fora daquele lugar o mais rápido que pude.
24 de set. de 2011
Aquele da gêmea errada
"E AÍII, MALUCAAAA!! Diz aí, como é que você tá?!" eu berreigritei certa vez para uma amiga que tinha acabado de entrar na minha sala de uma aula que eu nem sabia que ela fazia comigo.
Antes de se sentar ela parou parecendo confusa e me olhou de cima a baixo. Fazendo esforço pra lembrar quem possivelmente seria o louco que acabara de berrar com ela, talvez, não sei.
"Ah. Oi." ela disse em resposta e se sentou, infinitas carteiras longe da minha, preciso ressaltar.
"Foi impressão minha ou sua amiga te ignorou completamente?" meu amigo ao lado perguntou.
Mas foi aí que eu percebi. Não era a minha amiga.
Eu tinha acabado de berrar em público pra gêmea errada.
Morri de vergonha.
Antes de se sentar ela parou parecendo confusa e me olhou de cima a baixo. Fazendo esforço pra lembrar quem possivelmente seria o louco que acabara de berrar com ela, talvez, não sei.
"Ah. Oi." ela disse em resposta e se sentou, infinitas carteiras longe da minha, preciso ressaltar.
"Foi impressão minha ou sua amiga te ignorou completamente?" meu amigo ao lado perguntou.
Mas foi aí que eu percebi. Não era a minha amiga.
Eu tinha acabado de berrar em público pra gêmea errada.
Morri de vergonha.
13 de set. de 2011
Aquele com o livro nas calças
Eis que um mês depois da minha professora de literatura portuguesa começar a abordar um certo livro eu resolvo aparecer na aula dela pela milésima vez sem nem ter adquirido o livro ainda. Sabe o que é isso? É aquela situação em que você ir pra aula e ficar em casa dá na mesma.
Então eu tinha passado na livraria antes da aula pra comprar a bosta do livro, mas custava tipo quinze reais e eu queria guardar dinheiro pra assistir Glee, O Filme em 3D nos cinemas essa semana, porque 3D é caro pra caralho. Enfim. Acabei não comprando.
Mas daí passei meia hora de aula boiando né, olhando pro teto. E sozinho, porque meus amigos todos me fizeram o favor de faltarem. Então chegou um momento que não aguentei mais, peguei a carteira e me retirei pra comprar o tal livro porque, né, eu não estou tão miserável assim que não posso dar quinze reais pra comprar um livro pra faculdade.
Comprei.
Coloquei o livrinho pocket dentro da calça, porque sei lá, não queria que ninguém visse que eu tinha acabado de comprar um livro que se bobear todo mundo já tinha lido inteiro e eu também já devia ter feito o mesmo, entrei na sala e me sentei.
Tá, mas agora como é que eu tiro o livro de dentro das calças sem ninguém ver? Pus a mochila no colo, quase me deitei e comecei a me contorcer com as mãos dentro da calça jeans. Quando eu finalmente consigo dar um jeito de puxar o livro discretamente e pôr as mãos nele, a menina do lado me solta:
"Ela está na página vinte e sete."
"Ah. Obrigado." eu disse com um sorrisinho, mostrando o polegar pra ela.
Sei lá, morri de vergonha. Tanto esforço pra manter a pose de bom estudante em dia com a bibliografia pra nada.
Então eu tinha passado na livraria antes da aula pra comprar a bosta do livro, mas custava tipo quinze reais e eu queria guardar dinheiro pra assistir Glee, O Filme em 3D nos cinemas essa semana, porque 3D é caro pra caralho. Enfim. Acabei não comprando.
Mas daí passei meia hora de aula boiando né, olhando pro teto. E sozinho, porque meus amigos todos me fizeram o favor de faltarem. Então chegou um momento que não aguentei mais, peguei a carteira e me retirei pra comprar o tal livro porque, né, eu não estou tão miserável assim que não posso dar quinze reais pra comprar um livro pra faculdade.
Comprei.
Coloquei o livrinho pocket dentro da calça, porque sei lá, não queria que ninguém visse que eu tinha acabado de comprar um livro que se bobear todo mundo já tinha lido inteiro e eu também já devia ter feito o mesmo, entrei na sala e me sentei.
Tá, mas agora como é que eu tiro o livro de dentro das calças sem ninguém ver? Pus a mochila no colo, quase me deitei e comecei a me contorcer com as mãos dentro da calça jeans. Quando eu finalmente consigo dar um jeito de puxar o livro discretamente e pôr as mãos nele, a menina do lado me solta:
"Ela está na página vinte e sete."
"Ah. Obrigado." eu disse com um sorrisinho, mostrando o polegar pra ela.
Sei lá, morri de vergonha. Tanto esforço pra manter a pose de bom estudante em dia com a bibliografia pra nada.
15 de ago. de 2011
Aquele da primeira visita à casa do namorado
Não tem nada mais constrangedor do que conhecer família de namorado. A primeira vez sempre é foda, em todos os sentidos. Você nunca sabe exatamente o que vai encontrar, você morre de vergonha, sua frio, não sabe o que falar, se atropela nas palavras o tempo todo, e se você já tem uma natureza tímida, meu bem, é o fim. Eu por exemplo acabo falando só bobagem. É uma vergonha só.
Eu lembro quando o processo aconteceu pela primeira (e única) vez. Eu acho que quando a família alheia sabe que tem um namorado vindo visitar eles já se preparam para a chegada fazendo uma reunião básica sobre quais aspectos eles vão encarnar e fazer piada dessa vez. É piadinha pra cá e piadinha pra lá que não acaba mais. Sabe os dementadores do universo Harry Potter? Aquelas criaturas negras, encapuzadas que se alimentam da felicidade dos outros? Então. Eu acho que a família do namorado se alimenta da sua vergonha.
Quando aconteceu comigo a família inteira estava lá. Mãe, irmão, primos, tia, avós, agregados, a porra toda. Tudo piadista, né. E por algum motivo eles fizeram a conversa centrar, da forma mais absurda, na minha escolha de calçado do dia. Um All Star vermelho de cano médio. No fim do dia meu apelido já tinha se consolidado: Ronald McDonald.
Mas quando a gente já está na merda, é incrível. Sempre tem um jeito de você se envergonhar ainda mais. A família estava novamente falando do meu All Star vermelho quando de repente:
"Qual o nome mesmo?" perguntou uma das tias.
"All Star." eu respondi.
"Ah, o seu nome é All Star?"
Eu juro. Eu escondi meu rosto atrás das minhas mãos.
Mas o que me alivia espiritualmente é que no dia que o namorado conheceu a minha mãe, a cara dele de pura vergonha e seu esforço de não dar nenhuma pinta foram impagáveis. Sorte dele que ainda não teve a chance de conhecer o sogrão. Porque aí sim será a minha vingança.
Eu lembro quando o processo aconteceu pela primeira (e única) vez. Eu acho que quando a família alheia sabe que tem um namorado vindo visitar eles já se preparam para a chegada fazendo uma reunião básica sobre quais aspectos eles vão encarnar e fazer piada dessa vez. É piadinha pra cá e piadinha pra lá que não acaba mais. Sabe os dementadores do universo Harry Potter? Aquelas criaturas negras, encapuzadas que se alimentam da felicidade dos outros? Então. Eu acho que a família do namorado se alimenta da sua vergonha.
Quando aconteceu comigo a família inteira estava lá. Mãe, irmão, primos, tia, avós, agregados, a porra toda. Tudo piadista, né. E por algum motivo eles fizeram a conversa centrar, da forma mais absurda, na minha escolha de calçado do dia. Um All Star vermelho de cano médio. No fim do dia meu apelido já tinha se consolidado: Ronald McDonald.
Mas quando a gente já está na merda, é incrível. Sempre tem um jeito de você se envergonhar ainda mais. A família estava novamente falando do meu All Star vermelho quando de repente:
"Qual o nome mesmo?" perguntou uma das tias.
"All Star." eu respondi.
"Ah, o seu nome é All Star?"
Eu juro. Eu escondi meu rosto atrás das minhas mãos.
Mas o que me alivia espiritualmente é que no dia que o namorado conheceu a minha mãe, a cara dele de pura vergonha e seu esforço de não dar nenhuma pinta foram impagáveis. Sorte dele que ainda não teve a chance de conhecer o sogrão. Porque aí sim será a minha vingança.
Assinar:
Postagens (Atom)
