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24 de mar. de 2013
Aquele do Haley Joel Osment de shortinho: Sassy Pants (2012)
O ano de espera para assistir Haley Joel Osment gay vestindo nada mais do que um shortinho jeans não valeu tanto a pena assim. Sassy Pants é um filme pós-adolescente em que Ashley Rickards (da série Awkward. que, aliás, todos que curtem comédia colegial devem assistir, é histérico) interpreta Bethany Pruitt, uma garota derrotada, na merda, sem amigos e sem vida social alguma por ter sido obrigada a frequentar uma escola online em casa depois da mãe ter sido humilhada quando uma gravação do ex-marido fazendo sexo com o professor de música da escola foi noticiada na primeira página do jornal local. A partir daí, Bethany começa sua jornada pra conseguir ir para a faculdade de moda e se desvincular da mãe completamente possessiva. Tem um feeling de "Hum, já vi isso em outro lugar."
Pra ser bem sincero, eu estava mais interessado no relacionamento do personagem do Haley Joel Osment com o pai da protagonista do que com a história principal em si, mas Osment não aparece muito, sua participação é quase cenográfica. Mas não foi por isso que o filme não me agradou tanto. O roteiro não tem nada de muito especial exceto algumas cenas muito bem boladas com a avó e o irmão da protagonista. As poucas cenas sobre o pai gay namorando uma bicha alternativa da idade da filha acabam, positivamente, roubando totalmente o foco.
Apesar de tantos baixos, eu recomendo dar uma olhadinha. Pra quem é fã do Osment, vê-lo fazendo a bicha passiva afeminada com certeza vale uma espiada.
11 de nov. de 2012
Aquele em que meus pais brigam
Fui até a cozinha pegar uma maçã na geladeira e não demorou muito até eles começarem:
"MULHER, JÁ FALEI PRA VOCÊ TIRAR O FIO DO CELULAR DA TOMADA SEM PUXAR!"
"EU TIRO DO JEITO QUE EU QUISER, O CELULAR É MEU!"
"E QUANDO ESTRAGAR QUEM É QUE VAI PAGAR?"
"EU QUE VOU PAGAR!"
"HAHAHA VOCÊ VAI PAGAR? COM O DINHEIRO DE QUEM?"
"COM O MEU DINHEIRO! VOCÊ ACHA O QUÊ? QUE EU TRABALHO PRA VOCÊ DE GRAÇA? QUE EU DEIXO A CASA LIMPA, FAÇO COMIDA TODO DIA, DOU UMA FODIDINHA COM VOCÊ, SÓ DE VEZ EM QUANDO NÉ, TUDO DE GRAÇA?"
"Com licença" eu disse, e me retirei.
Eu sou daqueles que acredita que eu não sou obrigado a saber que meus pais ainda fazem sexo. O mundo seria um lugar melhor de se viver se todos os pais se esforçassem para fazer os filhos acreditarem que eles fizeram sexo somente e exclusivamente para concebê-los.
É o que eu acho.
"MULHER, JÁ FALEI PRA VOCÊ TIRAR O FIO DO CELULAR DA TOMADA SEM PUXAR!"
"EU TIRO DO JEITO QUE EU QUISER, O CELULAR É MEU!"
"E QUANDO ESTRAGAR QUEM É QUE VAI PAGAR?"
"EU QUE VOU PAGAR!"
"HAHAHA VOCÊ VAI PAGAR? COM O DINHEIRO DE QUEM?"
"COM O MEU DINHEIRO! VOCÊ ACHA O QUÊ? QUE EU TRABALHO PRA VOCÊ DE GRAÇA? QUE EU DEIXO A CASA LIMPA, FAÇO COMIDA TODO DIA, DOU UMA FODIDINHA COM VOCÊ, SÓ DE VEZ EM QUANDO NÉ, TUDO DE GRAÇA?"
"Com licença" eu disse, e me retirei.
Eu sou daqueles que acredita que eu não sou obrigado a saber que meus pais ainda fazem sexo. O mundo seria um lugar melhor de se viver se todos os pais se esforçassem para fazer os filhos acreditarem que eles fizeram sexo somente e exclusivamente para concebê-los.
É o que eu acho.
30 de out. de 2012
Aquele da menina que não canta nada
Fomos mamãe e eu para uma festa da parte evangélica da família do meu pai em que um dos meus primos iria cantar num recital. Quando chegou a vez dele cantar, subiu uma garota com ele no palco e eles acabaram cantando um dueto.
Até aí tudo bem.
Chegando quase no final da festa, já estávamos de saco cheio e queríamos mais era dar o fora dali. Como a educação manda, fomos lá mamãe e eu nos despedirmos e darmos os parabéns ao meu primo cantor. Ele estava sentado junto com a mãe, irmã e um grupinho de agregados, provavelmente da igreja deles.
"Nossa, mas você arrasou!", começou minha mãe, toda empolgada. "Você tem um vozerão, cara! Sério! Me impressionei, eu sabia que você sabia cantar, mas não que era tão bom assim. Você só podia ter cantado solo, né, porque aquela menina que cantou com você, ó. Vou dizer. Muito ruim, canta nada! Na-da! Afinal, quem é aquela garota?"
"Era eu.", disse uma das meninas que estavam no grupinho.
Eu olhei pra mamãe, mamãe olhou pra mim. Pedimos licença e nos retiramos.
"Que vexame, mãe."
"Cala a boca e anda rápido."
Até aí tudo bem.
Chegando quase no final da festa, já estávamos de saco cheio e queríamos mais era dar o fora dali. Como a educação manda, fomos lá mamãe e eu nos despedirmos e darmos os parabéns ao meu primo cantor. Ele estava sentado junto com a mãe, irmã e um grupinho de agregados, provavelmente da igreja deles.
"Nossa, mas você arrasou!", começou minha mãe, toda empolgada. "Você tem um vozerão, cara! Sério! Me impressionei, eu sabia que você sabia cantar, mas não que era tão bom assim. Você só podia ter cantado solo, né, porque aquela menina que cantou com você, ó. Vou dizer. Muito ruim, canta nada! Na-da! Afinal, quem é aquela garota?"
"Era eu.", disse uma das meninas que estavam no grupinho.
Eu olhei pra mamãe, mamãe olhou pra mim. Pedimos licença e nos retiramos.
"Que vexame, mãe."
"Cala a boca e anda rápido."
29 de out. de 2012
Aquele das vagens
Não é exatamente um segredo que um dos maiores desejos do meu pai é ver meu namorado morto. Um ano e meio já se passou depois do fatídico dia em que todas as esperanças de papai de me ver casado com alguma Sra. Seios se desvaneceram em pó. Os limites dos segredinhos já haviam extrapolado e eu tive que desenhar explicadinho para ele entender que o amiguinho com quem eu passava tanto tempo junto era na verdade meu namorado.
Esses dias enquanto mofávamos em casa, nesse calor infernal do Rio de Janeiro, decidimos cozinhar vagens para a salada do jantar. Como meu namorado não sabe preparar as vagens do jeitinho que minha mãe costuma fazer, eu pedi delicadamente para ele ligar pra minha casa e perguntar para ela. Afinal, meu pai trabalhava o dia todo fora e a Sra. Minha Mãe, diferente dele, não havia me proibido de mencionar o nome do bofe em sua presença.
E então ele ligou.
"Alô?", ele disse depois de discar o número. "Dona Madalena? É o Anderson, namorado do Alison, tudo bem? ..... Ué. Ela desligou na minha cara."
Não deu nem um minuto e meu pai ligou para o meu celular, puto da vida, dando sermão sobre como ele não precisa que eu esfregue na cara dele os detalhes do meu "estilo de vida".
Mas que culpa eu tenho se ele saiu cedo do trabalho e acabou atendendo o telefone?
Esses dias enquanto mofávamos em casa, nesse calor infernal do Rio de Janeiro, decidimos cozinhar vagens para a salada do jantar. Como meu namorado não sabe preparar as vagens do jeitinho que minha mãe costuma fazer, eu pedi delicadamente para ele ligar pra minha casa e perguntar para ela. Afinal, meu pai trabalhava o dia todo fora e a Sra. Minha Mãe, diferente dele, não havia me proibido de mencionar o nome do bofe em sua presença.
E então ele ligou.
"Alô?", ele disse depois de discar o número. "Dona Madalena? É o Anderson, namorado do Alison, tudo bem? ..... Ué. Ela desligou na minha cara."
Não deu nem um minuto e meu pai ligou para o meu celular, puto da vida, dando sermão sobre como ele não precisa que eu esfregue na cara dele os detalhes do meu "estilo de vida".
Mas que culpa eu tenho se ele saiu cedo do trabalho e acabou atendendo o telefone?
3 de ago. de 2012
26 de mai. de 2012
Aquele em que eu falo rápido demais
Não que eu concorde, mas minha mãe vive dizendo que eu falo meio rápido demais, só que na verdade eu considero a velocidade da minha fala num nível normal, não chega a ser exatamente um problema, o problema é a minha mãe que vive enchendo o meu saco querendo me obrigar a ir num fonoaudiólogo, dizendo que eu preciso ir num médico para resolver os meus problemas de fala porque ela reclama que as pessoas, ela principalmente, não entendem as coisas que eu digo, que isso pode ser uma deficiência provida de um gene familiar pois a mesmíssima coisa aconteceu algumas vezes na minha família, aconteceu com meu tio Lúcio e minha tia Neide que na adolescência falavam rápido demais e acabaram escolhendo resolver o problema de se atropelarem nas palavras que pronunciavam num fonoaudiólogo, mas eu não tenho vontade alguma de aprender a falar como eles porque, fala sério, eu não quero falar pausado que nem um idiota pronunciando cada palavra na velocidade da eternidade como se eu estivessse morrendo, porque é assim que meus tios aprenderam a ter o costume de falar depois do tratamento na fono e meu estilo de fala não dá pra ser assim, eu não sou lento, eu não gosto de lentidão, eu gosto das coisas rápidas, portanto minha vida seria muito mais fácil se minha mãe compreendesse isso e parasse de sugerir que eu faça tratamento, porque eu não preciso, eu realmente não preciso, que culpa eu tenho se às vezes ela ou as pessoas não entendem o que eu falo e eu tenha que repetir, não que eu repita né porque se tem uma coisa que me irrita é quando me mandam repetir algo que eu acabei de dizer, nossa me irrita muito, mas o que me irrita mais ainda é aquela maneira bicho-preguiça de falar porque, fala sério, aquilo não é vida, aquilo é atraso de vida, e a vida é muito curta pra ser atrasada, a minha mãe inclusive tem o mesmo "problema" que eu, ela vive reclamando que fala rápido demais também e que eu só aprendi a falar dessa maneira irregular por causa dela, por influência dela, mas eu não entendo o motivo dela achar que precisa ir numa fono, porque eu não preciso, não tem a menor necessidade, e se eu não preciso ela também não precisa, porque eu entendo o que ela fala perfeitamente bem, então se eu falo rápido porque cresci com minha mãe falando rápido demais e consigo entender tudo o que ela fala com perfeição, então, respectivamente, isso significa que EU não preciso de tratamento porque eu falo numa velocidade que dê para as pessoas entenderem, e ponto final.
5 de mai. de 2012
Aquele da abstinência sexual
Como eu ando doentinho (doentinho é apelido, mas ok), eu ando passando muito tempo no consultório fazendo coleta de sangue e lá aparece de tudo quanto é gente, né.
"Senhor, para fazer esse exame o senhor vai ter que ficar em abstinência.", informou a secretária.
"Abstinência? Que abstinência?", o velho perguntou.
"Abstinência sexual, senhor."
"Abstinência sexual? Mas que diabos é abstinência sexual?"
E foi então que minha mãe resolveu se meter.
"MINHA FILHA, FALA LOGO NO POPULAR! É SÓ ASSIM QUE ELE ENTENDE! NÃO PODE FAZER SEXO, MOÇO. ISSO QUE ELA QUIS DIZER, SEXO! VOCÊ NÃO PODE FAZER SEXO! ABSTINÊNCIA SEXUAL É ISSO. ENTENDEU?"
A secretária, toda envergonhada, deu uma risadinha.
Mas a boa coisa é que o moço finalmente entendeu e ainda aprendeu uma palavra nova no dia: Abstinência.
Mamãe é dez.
"Senhor, para fazer esse exame o senhor vai ter que ficar em abstinência.", informou a secretária.
"Abstinência? Que abstinência?", o velho perguntou.
"Abstinência sexual, senhor."
"Abstinência sexual? Mas que diabos é abstinência sexual?"
E foi então que minha mãe resolveu se meter.
"MINHA FILHA, FALA LOGO NO POPULAR! É SÓ ASSIM QUE ELE ENTENDE! NÃO PODE FAZER SEXO, MOÇO. ISSO QUE ELA QUIS DIZER, SEXO! VOCÊ NÃO PODE FAZER SEXO! ABSTINÊNCIA SEXUAL É ISSO. ENTENDEU?"
A secretária, toda envergonhada, deu uma risadinha.
Mas a boa coisa é que o moço finalmente entendeu e ainda aprendeu uma palavra nova no dia: Abstinência.
Mamãe é dez.
13 de fev. de 2012
Aquele dos recadinhos escolares
Minha mãe é maluca. Isso é inconstestável. Aliás, umas das razões para eu ser essa pessoa paciente, sensata e centrada que sou hoje em dia é por ter crescido em casa com uma mulher instável, desesperada e sem noção das consequências de seus atos.
Eu sempre fui um aluno exemplar, sabem. Mas não era abitolado. Às vezes eu não tinha vontade de estudar ou fazer porra de dever de casa nenhum e não me preocupava tanto com isso. O problema era que a minha escola ginasial era meio rígida quanto às obrigações escolares, dependendo do professor. Quer dizer. Eu não podia deixar de fazer uma porcaria de exercício que eu já levava um aviso pra casa pedindo providências sobre meu comportamente inadequado. Aviso esse que, no dia seguinte, deveria ser entregue assinado por pelo menos um dos pais. Como meu pai quase nunca se encontrava em casa, quem tinha o dever de acompanhar meu rendimento escolar era, obviamente, mamãe.
Não que mamãe tenha sido uma excelente aluna. Não, eu acho que não. Lembro de histórias que ela me contava sobre os últimos anos de escola dela. Um em particular em que ela ameaçou de morte o professor de química dela para que ele a aprovasse e ela pudesse se formar com o resto da turma. Segundo ela, química não entrava em sua cabeça de jeito nenhum. É claro que não posso dizer com plena certeza de que isso realmente é verdade e aconteceu, mas se eu fosse vocês, eu não duvidaria da Srª Minha mãe.
Hoje eu achei umas agendas antigas do meu ginasial e por diversão fiquei lendo meu histórico de recadinhos de professores. Minha mãe assinava todas, sem exceção. Cada uma de um jeitinho peculiar.
Entre outros recados.
E esse é o tipo de coisa que eu tive que aturar na minha infância. E não adiantava dizer que eu não ia levar aquele tipo de assinatura. Primeiro porque eu precisava dela para entrar na escola e segundo porque eu recebia um "Vou te meter a porrada se você não levar isso" se eu me recusasse. É claro que o meu constrangimento quando mostrava a agenda com a assinatura do responsável de volta para os professores, pensando bem, no fundo deveria ter sido minha verdadeira punição.
Mamãe é demais.
Eu sempre fui um aluno exemplar, sabem. Mas não era abitolado. Às vezes eu não tinha vontade de estudar ou fazer porra de dever de casa nenhum e não me preocupava tanto com isso. O problema era que a minha escola ginasial era meio rígida quanto às obrigações escolares, dependendo do professor. Quer dizer. Eu não podia deixar de fazer uma porcaria de exercício que eu já levava um aviso pra casa pedindo providências sobre meu comportamente inadequado. Aviso esse que, no dia seguinte, deveria ser entregue assinado por pelo menos um dos pais. Como meu pai quase nunca se encontrava em casa, quem tinha o dever de acompanhar meu rendimento escolar era, obviamente, mamãe.
Não que mamãe tenha sido uma excelente aluna. Não, eu acho que não. Lembro de histórias que ela me contava sobre os últimos anos de escola dela. Um em particular em que ela ameaçou de morte o professor de química dela para que ele a aprovasse e ela pudesse se formar com o resto da turma. Segundo ela, química não entrava em sua cabeça de jeito nenhum. É claro que não posso dizer com plena certeza de que isso realmente é verdade e aconteceu, mas se eu fosse vocês, eu não duvidaria da Srª Minha mãe.
Hoje eu achei umas agendas antigas do meu ginasial e por diversão fiquei lendo meu histórico de recadinhos de professores. Minha mãe assinava todas, sem exceção. Cada uma de um jeitinho peculiar.
"Sr. Reponsável,
O aluno esqueceu o material de Língua Portuguesa.
Meu filho é um irresponsável.
ass: MAMÃE"
"Sr. Responsável,
O aluno trouxe o exercício incompleto de Matemática para o dia tal.
Só esganando ele...
ass: MAMÃE"
"Sr. Responsável,
O aluno esqueceu a apostila de Português em casa outra vez.
Peço providências.
Vou comprar memoriol pra ele.
ass: MAMÃE"
"Sr. Responsável,
O aluno não fez a tarefa de Matemática.
Este é um dos vários recados. Já chamei sua atenção, só esganando. Prometo fazê-lo.
Outras sugestões estou aceitando.
ass: MAMÃE"
Entre outros recados.
E esse é o tipo de coisa que eu tive que aturar na minha infância. E não adiantava dizer que eu não ia levar aquele tipo de assinatura. Primeiro porque eu precisava dela para entrar na escola e segundo porque eu recebia um "Vou te meter a porrada se você não levar isso" se eu me recusasse. É claro que o meu constrangimento quando mostrava a agenda com a assinatura do responsável de volta para os professores, pensando bem, no fundo deveria ter sido minha verdadeira punição.
Mamãe é demais.
18 de jan. de 2012
Aquele do "seu filho"
Papai tem uma maneira engraçada (ao meu ver) de tratar de coisas sobre
mim que não lhe agradam muito. Funciona jogando toda a responsabilidade
patriarcal para as costas da minha mãe, como se ele não tivesse feito o trabalho
dele há vinte anos atrás produzindo esperma.
Imagino que isso deve ser um procedimento mundial da figura do pai. Ainda mais com aqueles pais religiosos que foram criados pela avó e que tentam fazer os filhos engolirem suas próprias noções do que é ter uma boa vida de bons costumes.
Quero dizer.
Quando eu parei de cortar o cabelo baixinho e papai percebeu que eu realmente estava deixando o black power aflorar, ele disse:
"Pai: MADALENA!! VOCÊ VIU QUE O SEU FILHO ESTÁ DEIXANDO O CABELO CRESCER?"
Quando eu coloquei como papel de parede do meu celular uma foto de um cantor.
"Pai: MADALENA!! VOCÊ VIU QUE O SEU FILHO COLOCOU FOTO DE HOMEM NO CELULAR?"
Quando eu depilei minhas pernas pela primeira vez.
"Pai: MADALENA!! VOCÊ VIU QUE O SEU FILHO DEPILOU AS PERNAS?"
Quando eu furei as orelhas, eu esperava o mesmo comportamento, talvez até mais exagerado. Algo como "Só falta você me aparecer com uma saia aqui". Não que o meu pai precise saber que dentro de mim há uma chama acesíssima que me faz morrer de vontade de comprar uma kilt (saia escocesa), mas o motivo de eu ter feito mãe Madalena prometer que não contaria para papai conservador que o filho nada conservador dele estaria furando as duas orelhas era para eu ver de perto a insatisfação nos olhos dele quando eu chegasse em casa de brincos.
Mas.nenhuma.reação.aconteceu.
E foi aí que caiu a minha ficha. Depois de papai afirmar as suspeitas da sexualidade do filho, nada mais realmente o surpreende.
Me sinto como uma criança de quem tiraram o doce.
Imagino que isso deve ser um procedimento mundial da figura do pai. Ainda mais com aqueles pais religiosos que foram criados pela avó e que tentam fazer os filhos engolirem suas próprias noções do que é ter uma boa vida de bons costumes.
Quero dizer.
Quando eu parei de cortar o cabelo baixinho e papai percebeu que eu realmente estava deixando o black power aflorar, ele disse:
"Pai: MADALENA!! VOCÊ VIU QUE O SEU FILHO ESTÁ DEIXANDO O CABELO CRESCER?"
Quando eu coloquei como papel de parede do meu celular uma foto de um cantor.
"Pai: MADALENA!! VOCÊ VIU QUE O SEU FILHO COLOCOU FOTO DE HOMEM NO CELULAR?"
Quando eu depilei minhas pernas pela primeira vez.
"Pai: MADALENA!! VOCÊ VIU QUE O SEU FILHO DEPILOU AS PERNAS?"
Quando eu furei as orelhas, eu esperava o mesmo comportamento, talvez até mais exagerado. Algo como "Só falta você me aparecer com uma saia aqui". Não que o meu pai precise saber que dentro de mim há uma chama acesíssima que me faz morrer de vontade de comprar uma kilt (saia escocesa), mas o motivo de eu ter feito mãe Madalena prometer que não contaria para papai conservador que o filho nada conservador dele estaria furando as duas orelhas era para eu ver de perto a insatisfação nos olhos dele quando eu chegasse em casa de brincos.
Mas.nenhuma.reação.aconteceu.
E foi aí que caiu a minha ficha. Depois de papai afirmar as suspeitas da sexualidade do filho, nada mais realmente o surpreende.
Me sinto como uma criança de quem tiraram o doce.
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