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19 de set. de 2012

Aquele em que eu canto Adele

Passei o final de semana inteiro ouvindo e cantando Adele aos berros na casa do meu namorado, que estava trabalhando o final de semana inteiro e seus vizinhos pareciam ter tomado chá de sumiço. Infelizmente, ninguém estava presente para ter o privilégio de ouvir o encanto de minhas magníficas cordas vocais em todo o seu esplendor. Mas eu insisti.

Hoje eu estou rouco como nunca estive antes.

Deixar Chasing Pavements no repeat mode talvez não tenha sido a melhor ideia que eu tive, afinal.

E eu estou aqui falando das minhas magníficas cordas vocais porque eu precisava mesmo escrever alguma coisa e não tinha nada melhor pra contar.

Fim da história de hoje.

P.S.: Hoje eu descobri como deve ser o inferno. A temperatura chegou a qual ponto nesse estado deplorável? Cinquenta? Frente fria cadê.

13 de jun. de 2012

Aquele da doação de sangue

Com toda essa movimentação da Parada Gay e tudo mais, um monte de gente resolveu voltar a falar das restrições absurdas sobre barrarem as tentativas de homossexuais doarem sangue, que não pode, que é sangue de risco, lálálá. Mas tem bicha que é tão altruísta, né, com aquela vontade ardente no peito de "Vou mudar o mundo" que até se faz de hétero pra poder ajudar quem tá morrendo.

Não consigo ser assim.

"Ah, porque eu meu recuso a doar sangue nessas condições.", eu disse.

"Mas nem se você não recusasse, né, bonito.", retrucou meu namorado. "Cinquenta quilos você tem! Depois de tirarem seu sangue vão ter que colocar tudo de volta, magro do jeito que você é. Vai nem aguentar ficar em pé."

Ridículo ele.

20 de mai. de 2012

Aquele da falta de material

Honestamente? O que eu mais queria agora era poder sair pra dançar e ficar louca de bêbada na pista de dança de qualquer boate gay nesse estado maldito que tenha bebida liberada. Mas não bebendo cerveja. Não. Cerveja não desce na minha garganta. Pra mim qualquer coisa é melhor que esse xixi com espuma que dão pra gente beber, até essas caipirinhas vagabundas feitas com kisuco de limão misturado com aquelas cachaças das mais baratas, sabem, daquelas que usam pra fazer oferenda de macumba.

Mas não. Eu tenho que ficar em casa, vendo a vida passar, esperando ficar melhor da saúde. Sentindo dor no corpo, entalado na cama assistindo qualquer merda que esteja passando na televisão ou algum filme/série que eu decida baixar para passar o tempo.

Eu quero sair, ver gente nova, voltar a estudar, saber das fofocas. Preciso das futilidades da vida pra sobreviver e, o mais importante, escrever sobre elas. Porque ficar empacado em casa não está me gerando material nenhum e eu já to de saco cheio.

5 de mai. de 2012

Aquele da abstinência sexual

Como eu ando doentinho (doentinho é apelido, mas ok), eu ando passando muito tempo no consultório fazendo coleta de sangue e lá aparece de tudo quanto é gente, né.

"Senhor, para fazer esse exame o senhor vai ter que ficar em abstinência.", informou a secretária.

"Abstinência? Que abstinência?", o velho perguntou.

"Abstinência sexual, senhor."

"Abstinência sexual? Mas que diabos é abstinência sexual?"

E foi então que minha mãe resolveu se meter.

"MINHA FILHA, FALA LOGO NO POPULAR! É SÓ ASSIM QUE ELE ENTENDE! NÃO PODE FAZER SEXO, MOÇO. ISSO QUE ELA QUIS DIZER, SEXO! VOCÊ NÃO PODE FAZER SEXO! ABSTINÊNCIA SEXUAL É ISSO. ENTENDEU?"

A secretária, toda envergonhada, deu uma risadinha.
Mas a boa coisa é que o moço finalmente entendeu e ainda aprendeu uma palavra nova no dia: Abstinência.

Mamãe é dez.

3 de mai. de 2012

Aquele do exame de fezes

E daí que a minha vida ultimamente tem sido um exame de fezes. Tipo, literalmente e figurativamente. E eu não aguento mais. Sábado passado eu passei super mal, fiquei de cama, e aqui estou eu, quase uma semana depois, ainda em casa, sentindo náuseas e dor no corpo o dia inteiro, esperando meus exames saírem para que meus médicos saibam finalmente que diabos eu tenho e tomarem alguma atitude.

Porque se tem uma coisa que eu odeio é ficar doente. Ficar doente é a abominação da minha vida, primeiro porque eu já tenho que obedecer limites por causa das minhas trezentas alergias. Quer dizer, eu tenho uma lista de restrições, cheia de coisas que se eu comer eu MORRO EM INSTANTES. Tipo, Zeus? Hermes? Afrodite? Qualquer um que esteja aí em cima. Não é o suficiente? Não é estrago o SUFICIENTE NA MINHA VIDA? Segundo que eu não suporto faltar aula. Pelo menos as importantes, né, porque a faculdade de Letras é infestada de disciplina inútil e repetitiva com professores mais inúteis ainda, mas isso a gente releva. O ponto é, o que é a minha vida sem estudar? Nada. Eu não faço NADA de útil, eu to a semana inteira assistindo a filmes e novelas japonesas o dia inteiro, torcendo pra não vomitar no edredon.

Quer dizer, não basta eu passar dias e mais dias do ano sofrendo com rinite, sinusite, falta de ar e o caralho a quatro, eu tenho que sofrer um pouco mais. 

Mas acho que a pior coisa no fim do dia é aquela sensação de ser uma mulher grávida no fim da gravidez, ficando enjoado por qualquer coisa e mijando a cada cinco minutos. E eu tenho um pinto! Sabe? Eu não devia estar sentindo isso. Eu não detenho a dádiva da menstruação (como diria nosso mestre Clodovil, que descanse em paz). Isso está sendo um martírio e eu não aguento mais ficar em casa. Eu até poderia arriscar ir para as aulas mas 1) Eu não vou viajar uma hora e meia, duas horas de ônibus passando mal lá dentro no meio daquele trânsito maravilhoso da avenida Brasil e 2) A comida do restaurante universitário é nojenta e eu não vou comer aquilo no estado que estou. Afinal, já basta eu ter de comer aquela gororoba quando eu estou BEM de saúde.

9 de mar. de 2012

Aquele da tirinha #014

Dedicado a Lidiane

Veja a tirinha #010
E é isso o que eu, no fundo, sinto vontade de fazer toda a vez que um amigo puxa e acende um cigarro ao meu lado.