Faz menos de duas semanas que comecei um trabalho novo. Nova gente, novos ares, novas experiências, estava tudo ótimo. Daí que como o escritório onde trabalho entrou do nada em período de reforma e a equipe foi dividida em vários laboratórios no campus da universidade, eu comecei a trabalhar num novo escritório hoje. Novos horários, novo sistema de entrada e saída, computador emprestado etc. Nada que não levasse um dia pra acostumar.
Pois então quando eu realizo o feito de conseguir me PERDER no corredor do escritório, não encontrando o caminho da porta para uma das salas, a secretária de setenta anos de idade de boca limpíssima resolve se manifestar:
"Porra, mas você é atrapalhado demais, hein? Que merda! Puta que pariu! Não vai dar certo assim!", ela disse, me olhando daquele jeito parecendo esperar por uma resposta.
O que um funcionário novo faz nessas horas, né? Olha com aquela cara de cu lavado, que foi o que eu fiz. Eu espero mesmo que a previsão da obra do escritório seja cumprida porque eu não sei se consigo aguentar por muito tempo não mandar a secretária tomar no cu.
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6 de mar. de 2013
8 de dez. de 2012
Aquele d'A Gafe
Ontem estava trabalhando aplicando um exame de proficiência para falantes de inglês pré-adolescentes e pela primeira vez em três anos aplicando prova eu vi uma criança chorando.
Vamos chamar o garotinho de Luiz Gustavo. Então Luiz Gustavo tinha dez aninhos de idade. Papai o levou até a sala de espera e lhe desejou boa sorte. Dois minutos depois ele retorna com o celular em mãos, dizendo que a mãe do garoto tinha ligado para desejar boa sorte.
Pronto. Luiz Gustavo desabou em lágrimas.
Eu me senti dentro de um filme dramático sobre uma criancinha que vivia longe da mãe. A gente não ficou sabendo das fofocas da família do menino, mas o meu palpite era que ele não morava com a mãe ou ela tinha viajado pra bem longe. Mas isso não importa.
Não tardou até eu ver todos os supervisores fazendo força pra não chorar junto.
Terminada a ligação Luiz Gustavo foi lavar o rosto e lhe trouxemos um copinho com água e açúcar para ele se acalmar. Quando eu pensei que fosse o fim da dramalheira uma das fiscais mais velhas começou a tentar conversar com garoto numa tentativa de deixá-lo mais calmo.
E foi então que ela cometeu A Gafe.
"Você é filho único ou tem algum irmão?"
"Eu tinha uma irmã... mas ela morreu."
Podia ter ficado calada.
Vamos chamar o garotinho de Luiz Gustavo. Então Luiz Gustavo tinha dez aninhos de idade. Papai o levou até a sala de espera e lhe desejou boa sorte. Dois minutos depois ele retorna com o celular em mãos, dizendo que a mãe do garoto tinha ligado para desejar boa sorte.
Pronto. Luiz Gustavo desabou em lágrimas.
Eu me senti dentro de um filme dramático sobre uma criancinha que vivia longe da mãe. A gente não ficou sabendo das fofocas da família do menino, mas o meu palpite era que ele não morava com a mãe ou ela tinha viajado pra bem longe. Mas isso não importa.
Não tardou até eu ver todos os supervisores fazendo força pra não chorar junto.
Terminada a ligação Luiz Gustavo foi lavar o rosto e lhe trouxemos um copinho com água e açúcar para ele se acalmar. Quando eu pensei que fosse o fim da dramalheira uma das fiscais mais velhas começou a tentar conversar com garoto numa tentativa de deixá-lo mais calmo.
E foi então que ela cometeu A Gafe.
"Você é filho único ou tem algum irmão?"
"Eu tinha uma irmã... mas ela morreu."
Podia ter ficado calada.
9 de ago. de 2012
Aquele dos colombianos
Quando se trabalha com produção de eventos uma hora você acaba aceitando que merdas acontecem o tempo todo, vão continuar acontecendo sem parar e você vai ter que dar o seu jeito de resolvê-las de alguma forma. Ainda mais em evento grande, que é sinônimo de muita gente envolvida, que quer dizer nada mais do que muita gente fazendo merda.
Uma vez eu tinha separado uma dúzia de brindes promocionais, tudo destinado a gente muitíssimo importante, e no meio da correria um casal de colombianos, cujo trabalho estava envolvido no evento, veio me pedir ajuda. Eu devo ter ficado acredito que uma hora só atendendo eles e acabei confundindo duas sacolas, daqueles brindes que já estavam separados, e entreguei aos dois. Tinha que ver, eles ficaram tão felizes que acabaram me dando um presente do trabalho deles.
"Alison, tá faltando duas sacolas aqui. Você sabe onde estão?" vieram me perguntar uns minutos depois.
Só então caiu a ficha da besteira absurda que eu tinha feito.
Agora e pra pegar as sacolas de volta depois deles terem disparado elogios do meu atendimento e terem até me dado um presentinho como forma de agradecimento? A minha sorte foi que a dupla ainda estava no mesmo andar da sala de produção e eu tinha pelo menos como ir até eles pedir as coisas de volta. Se não, me faziam de picadinho e serviam no buffet de encerramento.
"Mil desculpas, mas sem querer acabei dando essas bolsas pra vocês e vou precisar delas de volta." eu falei, morrendo de vergonha.
"Como assim?"
"É que elas já estavam reservadas para outras pessoas."
"Ah, mas. A gente não ganha bolsa?"
"Então. Não."
Foi um dos maiores constrangimentos que eu passei na minha vida.
Mas pelo menos não pediram o presente de volta.
Uma vez eu tinha separado uma dúzia de brindes promocionais, tudo destinado a gente muitíssimo importante, e no meio da correria um casal de colombianos, cujo trabalho estava envolvido no evento, veio me pedir ajuda. Eu devo ter ficado acredito que uma hora só atendendo eles e acabei confundindo duas sacolas, daqueles brindes que já estavam separados, e entreguei aos dois. Tinha que ver, eles ficaram tão felizes que acabaram me dando um presente do trabalho deles.
"Alison, tá faltando duas sacolas aqui. Você sabe onde estão?" vieram me perguntar uns minutos depois.
Só então caiu a ficha da besteira absurda que eu tinha feito.
Agora e pra pegar as sacolas de volta depois deles terem disparado elogios do meu atendimento e terem até me dado um presentinho como forma de agradecimento? A minha sorte foi que a dupla ainda estava no mesmo andar da sala de produção e eu tinha pelo menos como ir até eles pedir as coisas de volta. Se não, me faziam de picadinho e serviam no buffet de encerramento.
"Mil desculpas, mas sem querer acabei dando essas bolsas pra vocês e vou precisar delas de volta." eu falei, morrendo de vergonha.
"Como assim?"
"É que elas já estavam reservadas para outras pessoas."
"Ah, mas. A gente não ganha bolsa?"
"Então. Não."
Foi um dos maiores constrangimentos que eu passei na minha vida.
Mas pelo menos não pediram o presente de volta.
27 de jul. de 2012
Aquele do Anima Mundi 2012
Esse ano eu tive a sorte de trabalhar na temporada carioca do festival Anima Mundi que, pra quem não conhece, comentam ser o terceiro ou segundo maior festival de animação do mundo inteiro. Uma loucura.
Passei praticamente duas semanas sem comer, dormir ou cagar direito, quem dirá ter tempo pra sentar e blogar pra aliviar a tensão da mente. Pra quem entende a expressão "Se eu não escrever, eu piro" deve ter uma noção do que foi a minha vida. Eu pirei. Sem brincadeira, durante o festival inteiro minha vida foi acordar às sete da manhã e chegar em casa quase meia noite, todos os dias. O pouco tempo que me restava eu guardava pra comer alguma coisinha pra aliviar o buraco que eu formava no estômago por não comer direito e, só então, desmaiar linda em cima da minha cama.
Acho que de todos os (dois) trabalhos que tive em minha vida toda, nenhum deles se comparou à pressão de trabalhar na produção do Anima Mundi, mas valeu a pena. Conheci muita gente nova, aprendi um monte de coisa e tive a experiência magnífica de poder falar com um monte de gringo, um mais simpático que o outro.
Me tiraram do cu do mundo no meio de uma crise.
"Pensou, resolveu. É essa a tática. O trabalho aqui é feito na pressão, você vai precisar atender todo mundo que apareça aqui, maioria gente importante. São artistas, diretores, produtores. Alguns são legais, alguns são muito chatos. Mas você é obrigado a ser simpático com todo mundo. A última menina que estava no seu lugar não aguentou a pressão, começou a chorar e pediu pra sair. Eu preciso saber se você topa. Você topa?"
Eu topei.
Passei praticamente duas semanas sem comer, dormir ou cagar direito, quem dirá ter tempo pra sentar e blogar pra aliviar a tensão da mente. Pra quem entende a expressão "Se eu não escrever, eu piro" deve ter uma noção do que foi a minha vida. Eu pirei. Sem brincadeira, durante o festival inteiro minha vida foi acordar às sete da manhã e chegar em casa quase meia noite, todos os dias. O pouco tempo que me restava eu guardava pra comer alguma coisinha pra aliviar o buraco que eu formava no estômago por não comer direito e, só então, desmaiar linda em cima da minha cama.
Acho que de todos os (dois) trabalhos que tive em minha vida toda, nenhum deles se comparou à pressão de trabalhar na produção do Anima Mundi, mas valeu a pena. Conheci muita gente nova, aprendi um monte de coisa e tive a experiência magnífica de poder falar com um monte de gringo, um mais simpático que o outro.
Me tiraram do cu do mundo no meio de uma crise.
"Pensou, resolveu. É essa a tática. O trabalho aqui é feito na pressão, você vai precisar atender todo mundo que apareça aqui, maioria gente importante. São artistas, diretores, produtores. Alguns são legais, alguns são muito chatos. Mas você é obrigado a ser simpático com todo mundo. A última menina que estava no seu lugar não aguentou a pressão, começou a chorar e pediu pra sair. Eu preciso saber se você topa. Você topa?"
Eu topei.
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