22 de dez. de 2012

Aquele da maioridade

A maior depressão de estar (infelizmente) completando vinte um anos de idade é que agora eu oficialmente não faço mais parte daquele grupo privilegiado de pessoas que paga meia entrada nos cinemas e espetáculos teatrais apenas com o comprovante da idade.

Sorte a minha que ainda tenho mais um ano de faculdade. UM ANO APENAS ATÉ ME FORMAR. Mas e depois, o que eu faço? Forjo uma identidade falsa? Mestrado? Ou o pior: Dar o atestado de velhiche pagando o VALOR INTEIRO do ingresso?

Isso é a depressão batendo na minha porta.

12 de dez. de 2012

Aquele em que eu não uso mictório

Eu esperando impaciente no banheiro do shopping alguém disponibilizar o sanitário íntimo porque eu sou bicha fresca demais pra fazer xixi naqueles mictórios nojentos. Parecia até que o shopping inteiro tinha resolvido fazer cocô na mesma hora.

Quando um cara finalmente me resolve sair do vaso, eu recuo no mesmo instante em que eu ponho o primeiro pé dentro do compartimento íntimo.

"", exclamou meu namorado quando me viu voltando. "Não usou?"

"Não aguentei ficar lá, tava fedendo demais, você não tem noção."

Eu olho para o lado e o cara que tinha usado o banheiro antes estava lá parado, lavando as mãos, me olhando com cara de cu.

Sou muito desnecessário às vezes.

9 de dez. de 2012

Aquele da crise de idade


Voltando para casa, passei por duas criancinhas jogando bola.

"PEGA AÍ, TIO!", gritou uma delas, querendo passar a bola pra mim.

Como assim TIO? Tio meu cu! Não faz nem um ano que eu entrei na casa dos vinte e essa galera jovem da Geração Glee já tá querendo me chamar de tio? Os aluninhos eu até aceito, mas fora do trabalho? Não, não dá.

Crise de idade define.

8 de dez. de 2012

Aquele d'A Gafe

Ontem estava trabalhando aplicando um exame de proficiência para falantes de inglês pré-adolescentes e pela primeira vez em três anos aplicando prova eu vi uma criança chorando.

Vamos chamar o garotinho de Luiz Gustavo. Então Luiz Gustavo tinha dez aninhos de idade. Papai o levou até a sala de espera e lhe desejou boa sorte. Dois minutos depois ele retorna com o celular em mãos, dizendo que a mãe do garoto tinha ligado para desejar boa sorte.

Pronto. Luiz Gustavo desabou em lágrimas.

Eu me senti dentro de um filme dramático sobre uma criancinha que vivia longe da mãe. A gente não ficou sabendo das fofocas da família do menino, mas o meu palpite era que ele não morava com a mãe ou ela tinha viajado pra bem longe. Mas isso não importa.

Não tardou até eu ver todos os supervisores fazendo força pra não chorar junto.

Terminada a ligação Luiz Gustavo foi lavar o rosto e lhe trouxemos um copinho com água e açúcar para ele se acalmar. Quando eu pensei que fosse o fim da dramalheira uma das fiscais mais velhas começou a tentar conversar com garoto numa tentativa de deixá-lo mais calmo.

E foi então que ela cometeu A Gafe.

"Você é filho único ou tem algum irmão?"

"Eu tinha uma irmã... mas ela morreu."

Podia ter ficado calada.

24 de nov. de 2012

Aquele do show de barzinho

Ontem eu fui dar uma olhada brevíssima no 50º Festival Vila-Lobos num barzinho do centro do Rio, onde no dia aconteceu uma reunião de músicos para uma apresentação instrumental com gaita, teclado, bateria e saxofone.

Eu gosto bastante de música, mas a verdade é que eu não tenho o costume de frequentar show de barzinho, então eu cheguei lá esperando por qualquer coisa. Qualquer coisa. O frontman da banda, Gabriel Crossi, podia mandar tocarem um heavy metal pesadíssimo e começar a acompanhar a melodia com a gaita, balançando a cabeça pra frente e para trás num ângulo de quarenta e cinco graus que eu nem iria estranhar. E talvez acho que assim eu me surpreenderia mais.

Eu bem consegui apreciar o trabalho e o talento dos compositores, eles eram muito bons, nem discuto isso. Realmente me envolveram com a melodia da primeira música. Mas vou falar que depois da terceira música eu já estava achando que tinha alguma coisa de errada com os meus ouvidos porque pra mim a melodia continuava a mesma.

Dei graças a Zeus que tinha escolhido me sentar numa mesa próxima à parede. No meio de duas horas de show eu já estava com a cabeça recostada repondo sono atrasado. Talvez seja até por isso que no final da apresentação um dos produtores veio me perguntar o que eu tinha achado. Até receei um pouco quando fui dar a resposta.

Mas o diálogo foi mais ou menos assim:

"E aí, gostou?", ele perguntou.

"Não."

23 de nov. de 2012

Aquele do alívio

Eu estava lá, cuidando da minha própria vida, prestes a sair da estação de metrô quando um negão enorme com o dobro do meu tamanho cruzou o meu caminho.

"E aí, você topa tudo?", ele perguntou.

Não que eu tope tudo, porque a verdade é que ninguém realmente topa tudo, mas história vai, história vem e quando eu me dei conta eu já estava dentro de um quarto de hotel com um negão que não se assemelhava nem um pouco com o meu namorado.

"Você tem camisinha?", perguntei.

"Tenho."

Acho que todo mundo que está ou esteve num relacionamento sério pensa ou já pensou naquela possibilidade de traição. Eu sempre acreditei que a minha estivesse numa relação de uma por um milhão, mas pelo menos eu usei camisinha. Eu podia até estar certo sobre essa questão da probabilidade, eu só tive a má sorte dela cruzar o meu caminho.

E a convivência com a culpa? Conto ou não conto? Eu não sei como as outras pessoas conseguem, mas conviver com a culpa é uma coisa com a qual eu definitivamente não sei lidar. Se você não quer pagar a pena, não cometa o crime. Não é isso que dizem?

Não tem como eu descrever o alívio que eu senti quando eu acordei daquele pesadelo e não precisei mais tomar a decisão. Meio que me faz pensar que a probabilidade caiu para zero. Se em sonho a situação era tão angustiante, imagina em carne e osso?

11 de nov. de 2012

Aquele em que meus pais brigam

Fui até a cozinha pegar uma maçã na geladeira e não demorou muito até eles começarem:

"MULHER, JÁ FALEI PRA VOCÊ TIRAR O FIO DO CELULAR DA TOMADA SEM PUXAR!"

"EU TIRO DO JEITO QUE EU QUISER, O CELULAR É MEU!"

"E QUANDO ESTRAGAR QUEM É QUE VAI PAGAR?"

"EU QUE VOU PAGAR!"

"HAHAHA VOCÊ VAI PAGAR? COM O DINHEIRO DE QUEM?"

"COM O MEU DINHEIRO! VOCÊ ACHA O QUÊ? QUE EU TRABALHO PRA VOCÊ DE GRAÇA? QUE EU DEIXO A CASA LIMPA, FAÇO COMIDA TODO DIA, DOU UMA FODIDINHA COM VOCÊ, SÓ DE VEZ EM QUANDO NÉ, TUDO DE GRAÇA?"

"Com licença" eu disse, e me retirei.

Eu sou daqueles que acredita que eu não sou obrigado a saber que meus pais ainda fazem sexo. O mundo seria um lugar melhor de se viver se todos os pais se esforçassem para fazer os filhos acreditarem que eles fizeram sexo somente e exclusivamente para concebê-los.

É o que eu acho.

10 de nov. de 2012

Aquele em que o serviço da Oi não presta

Meu namorado (o culpado) tentou me arrastar para a última parada gay de Madureira, que aconteceu nesse último final de semana, e como consequência da minha catastrófica decisão de aceitar ser arrastado eu tive o meu celular roubado por um desses mãos-leves que enfiam a mão no seu bolso sem você sentir e levam qualquer coisa que esteja enfiada dentro.

Não vou contar os detalhes da história porque uma pessoa bêbada que acabou de perder um celular que absolutamente adorava, no meio da parada gay, não é uma coisa nada bonita. Eu só vou dizer que, como qualquer outra pessoa normal, liguei para a minha operadora, no caso a Oi, pedindo para que bloqueassem meu número, de forma que eu conseguisse resgatá-lo posteriormente.

Não só a Oi erroneamente cancelou a minha conta como ficou me enrolando por UMA semana me mandando ir de loja em loja para tentar resolver um problema que, no fim, eu descobri ser impossível de resolver.

A verdade é que ninguém que trabalha na Oi sabe resolver alguma coisa. E eu vou dizer o por quê. Na primeira loja que eu fui me disseram:

"Esse número não está no seu nome, senhor. Para resolver esse problema só ligando para o atendimento da Oi."

Eu liguei.

"O senhor ainda pode recuperar o número, mas tem que ir numa loja da Oi para conseguir o chip e o número no seu nome."

Eu fui em outra loja.

"Ah, a gente não resolve isso aqui, não. Você tem que ir numa das lojas da 'Oi Atende'. Aqui é loja normal."

OK, eu fui numa maldita Oi Atende.

"Acho complicado resgatar o seu número, senhor, mas você pode tentar ir na loja fixa da Oi, talvez lá eles possam te ajudar..."

Minha reação:


ARE YOU KIDDING ME?


Estão entendendo a situação? A minha vontade era de mandar a última atendente com quem falei, aquela vagabunda, pro inferno, e mandar ela levar junto aquele megahair medonho dela. É nessas horas que é uma pena ter educação porque, olha, vontade não me faltou de rodar a baiana e descer o cacete em alguém.

Mas uma coisa eu digo. Eu nunca mais PISO numa parada gay.

Ou talvez a coisa mais sábia a se fazer seria não pisar mais é em Madureira.

30 de out. de 2012

Aquele da menina que não canta nada

Fomos mamãe e eu para uma festa da parte evangélica da família do meu pai em que um dos meus primos iria cantar num recital. Quando chegou a vez dele cantar, subiu uma garota com ele no palco e eles acabaram cantando um dueto.

Até aí tudo bem.

Chegando quase no final da festa, já estávamos de saco cheio e queríamos mais era dar o fora dali. Como a educação manda, fomos lá mamãe e eu nos despedirmos e darmos os parabéns ao meu primo cantor. Ele estava sentado junto com a mãe, irmã e um grupinho de agregados, provavelmente da igreja deles.

"Nossa, mas você arrasou!", começou minha mãe, toda empolgada. "Você tem um vozerão, cara! Sério! Me impressionei, eu sabia que você sabia cantar, mas não que era tão bom assim. Você só podia ter cantado solo, né, porque aquela menina que cantou com você, ó. Vou dizer. Muito ruim, canta nada! Na-da! Afinal, quem é aquela garota?"

"Era eu.", disse uma das meninas que estavam no grupinho.

Eu olhei pra mamãe, mamãe olhou pra mim. Pedimos licença e nos retiramos.

"Que vexame, mãe."

"Cala a boca e anda rápido."

29 de out. de 2012

Aquele das vagens

Não é exatamente um segredo que um dos maiores desejos do meu pai é ver meu namorado morto. Um ano e meio já se passou depois do fatídico dia em que todas as esperanças de papai de me ver casado com alguma Sra. Seios se desvaneceram em pó. Os limites dos segredinhos já haviam extrapolado e eu tive que desenhar explicadinho para ele entender que o amiguinho com quem eu passava tanto tempo junto era na verdade meu namorado.

Esses dias enquanto mofávamos em casa, nesse calor infernal do Rio de Janeiro, decidimos cozinhar vagens para a salada do jantar. Como meu namorado não sabe preparar as vagens do jeitinho que minha mãe costuma fazer, eu pedi delicadamente para ele ligar pra minha casa e perguntar para ela. Afinal, meu pai trabalhava o dia todo fora e a Sra. Minha Mãe, diferente dele, não havia me proibido de mencionar o nome do bofe em sua presença.

E então ele ligou.

"Alô?", ele disse depois de discar o número. "Dona Madalena? É o Anderson, namorado do Alison, tudo bem? ..... Ué. Ela desligou na minha cara."

Não deu nem um minuto e meu pai ligou para o meu celular, puto da vida, dando sermão sobre como ele não precisa que eu esfregue na cara dele os detalhes do meu "estilo de vida".

Mas que culpa eu tenho se ele saiu cedo do trabalho e acabou atendendo o telefone?

12 de out. de 2012

Aquele de quando eu era criança


Acho um absurdo o que a natureza faz com a gente durante o crescimento, algumas coisas chega a ser até injusto. Quando bem criancinha mesmo eu era totalmente diferente, quase irreconhecível. Branco, gordinho-gostoso, os cabelos pretíssimos e lisíssimos. Hoje eu sou magrelo, negro, com os cabelos mais crespos que bucha-vegetal. Eu costumo acreditar, inclusive, que minha família devia achar que algum erro do hospital levou a trazerem a criança errada pra casa.

Tem gente que nem acredita que o bebê da foto um dia fui eu, mas olhando bem, há dois fatos incostestáveis: Minhas orelhinhas pontudas e o narizinho de batata.

O destino podia ter pelo menos me deixado com o cabelo liso, cuidar do afro todas as manhãs dá um trabalho do cão.

7 de out. de 2012

Aquele do título eleitoral

Todo ano eu perco o título de eleitor e fico a véspera inteira do dia da votação procurando a droga do documento pra não perder o dia. Esse ano não foi diferente.

Há algumas semanas atrás minha tia havia pedido meu título pra ganhar propina de um candidato a vereador e inventei uma mentira deslavada que tinha perdido meu documento. Vender voto não é comigo, muito menos deixar alguém TIRAR XEROX do meu documento (porque era pra isso que ela queria) pra receber vinte reais de um vereador vagabundo que nem primeiro ensino completo tem.

"Já achou o título, filho?", peguntava minha tia inúmeras vezes.

"Não, tia, tô procurando ainda."

Então ontem eu fui abrir a caixinha onde eu acreditava ter deixado o título e Que surpresa!, não estava lá. Parecia castigo divino. Nunca mintam, crianças. Mentir gera karma negativo.

E assim foi o meu sábado antes votação: Vasculhar meu quarto INTEIRO, bagunçar ainda mais minha já então bagunçada estante procurando um mísero pedaço de papel enquanto meu pai lindo berrava constantemente no meu ouvido palavras de apoio como o quanto eu era irresponsável, o quanto ele não acreditava que todo ano de votação o mesmo drama acontecia e que eu ia ter que enfrentar fila para re-fazer um título de eleitor pela terceira vez.

Pois bem, o dia passou e eu não encontrei meu título de eleitor. Acordei hoje de manhã cedinho de novo pra dar mais uma olhada na esperança de que algum buraco tenha passado batido e o infeliz documento estivesse por lá. Eu passo pelo quarto dos meus pais e observo a estranha situação de meu pai vasculhando uma de suas gavetas. Já estranhei.

Dois minutos depois, enquanto eu arrancava meus cabelos, meu pai vem me entregar meu título. Ele tinha guardado, olha que fofo. Ele tinha guardado meu título para me poupar do para sempre drama da minha vida de perder meus documentos quando eu preciso deles.

Minha vontade foi de esganar.

6 de out. de 2012

Aquele em que eu amo todo mundo

Eu só queria dizer que embora digam o contrário, a verdade é que eu não odeio as pessoas. Eu amo todo mundo.

Comentaram comigo esses dias:

"Eu queria muito saber por que você odeia tanto o Cicrano."

"Mas eu não odeio Cricano! Nunca disse isso."

"Sei."

"Eu só quero é que Cricano exploda e morra. Isso não é odiar."

29 de set. de 2012

Aquele em que a Hebe morre

Então a Hebe morreu e tá todo mundo no twitter falando disso. O Brasil agora está sem a sua Gracinha. Até eu, inclusive, soltei meus comentários. Não deu cinco minutos e já começaram os murmúrios da galera dando altas palestras sobre como somos todos patéticos por começarmos a amar a Hebe só agora depois que ela morreu.

Gente. Shame on you.

Hebe foi uma figura da TV brasileira por décadas e mais décadas. Não existe UMA pessoa nesse Brasil imenso que não conheça sua personagem. Eu não preciso ter um pôster da Hebe no meu quarto e dedicar um blog a ela para ter aquele respeito tão especial pela grande mulher e figura que ela foi para a mídia popular brasileira.

Agora o que me entristece é que eu nunca vou poder dar um selinho na boca mumificada dela. Eu sei que dificilmente isso seria possível mesmo quando ela ainda tinha o coração batendo naquele ritmo devagar-quase-parando, mas eu gostava de ter a opção da possibilidade remota.

Descanse em paz Hebe