24 de mai. de 2012

Aquele do chihuahua

Sabe, às vezes eu queria ser um chihuahua. Eu sempre vi o cachorro da raça chihuahua como aquele cachorrinho franguinho, pequenininho, o companheiro clássico de uma patricinha podre de rica. Um cachorro com um temperamento que absolutamente não faz juz ao seu tamanhinho de bolso.

Quer dizer, a imagem que eu tenho dos chihuahuas é de um animal totalmente histérico, se atropelando na sua condição mais-que-irritante com aquele latido esganiçado e impossível de se lidar. Imagino o chihuahua como um grande estúpido corajoso, bravo o suficiente para enfrentar os cães com o visual mais perigoso com relação a ele, sem a menor noção de que obviamente esses mesmos cachorros seriam capazes de estraçalhar o pobre do chihuahua em pedacinhos como se ele fosse uma meia velha. Vejo o chihuahua, principalmente, como um cachorro que apesar de tudo isso, não tem medo do que é, aparentemente, mais forte do que ele.

Não sei se eu chamaria isso de coragem ou de burrice, pra falar a verdade, mas eu admiro essa determinação absurda que o chihuahua detém. É quase poético.

Eu daria um ótimo chihuahua.
Mas puta que pariu, como eu seria irritante.

22 de mai. de 2012

Aquele do com ou sem emoção

Uma vez ou outra sempre acontece da gente ficar um tempinho esperando ônibus, né. Aqui no Rio é a desgraça. Comigo, pelo menos, acontece sempre. Isso deve ser karma, eu devo ter sido motorista de ônibus na vida passada, daqueles que saía sempre atrasado. Sabe aquela coisa de passar o seu ônibus no sentido contrário umas cinco vezes e NENHUM aparecer no sentido que você tá precisando? História da minha vida.

Num desses dias voltando pra casa eu devo ter ficado uma horinha básica esperando meu maldito ônibus. Uma hora, né. O basicão. Quando finalmente me chega o ônibus, todo mundo já tinha desistido e lá estava eu sozinho no ponto final, subindo no ônibus com o dinheiro na mão pro trocador, tentando ignorar o escândalo que o motorista estava fazendo berrando que não queria mais viver e que não aguentava mais sua profissão.

E foi então que ele resolveu falar COMIGO.

"E AÍ, COM EMOÇÃO OU SEM EMOÇÃO?", ele gritou pra mim, os olhos esbugalhados.

"Perdão. Eu não entendi."

"COM EMOÇÃO OU SEM EMOÇÃO, MOLEQUE?" ele repetiu, mais alto. Peraí, moleque?

Daí eu parei. Tentei pensar o mais rápido possível pra poder responder o mais rápido possível. Eu sigo uma filosofia que pra gente alterada eu tenho que responder rápido, com medo do que pode acontecer comigo caso eu fique calado que nem um idiota. O problema é que eu não consegui desenvolver uma resposta inteligente para devolver naquela situação.

"Sem emoção.", eu respondi finalmente.

"Ah, então é melhor você descer do ônibus, porque esse aqui vai ser com bastante emoção!"

Daí o que mais, né. Fodeu, é hoje que eu vou morrer. Foi o que eu pensei. E acho que por pouco foi o que não aconteceu. Aquele motorista doente deve ter ultrapassado uns cinco sinais vermelhos, fazia curvas que nem um louco e os quebra-molas então nem existiam pra ele. Foi o inferno. Eu me senti naquele filme em que as pessoas passam o filme inteiro trancadas dentro de um veículo sem freio em alta velocidade.

Mas bem que o motorista tinha razão, eu devia ter é descido, mesmo. Talvez esperar mais uma horinha pelo próximo ônibus não teria sido uma má ideia.

20 de mai. de 2012

Aquele da falta de material

Honestamente? O que eu mais queria agora era poder sair pra dançar e ficar louca de bêbada na pista de dança de qualquer boate gay nesse estado maldito que tenha bebida liberada. Mas não bebendo cerveja. Não. Cerveja não desce na minha garganta. Pra mim qualquer coisa é melhor que esse xixi com espuma que dão pra gente beber, até essas caipirinhas vagabundas feitas com kisuco de limão misturado com aquelas cachaças das mais baratas, sabem, daquelas que usam pra fazer oferenda de macumba.

Mas não. Eu tenho que ficar em casa, vendo a vida passar, esperando ficar melhor da saúde. Sentindo dor no corpo, entalado na cama assistindo qualquer merda que esteja passando na televisão ou algum filme/série que eu decida baixar para passar o tempo.

Eu quero sair, ver gente nova, voltar a estudar, saber das fofocas. Preciso das futilidades da vida pra sobreviver e, o mais importante, escrever sobre elas. Porque ficar empacado em casa não está me gerando material nenhum e eu já to de saco cheio.

13 de mai. de 2012

Aquele da tote bag

Um dia desses estava me arrumando pra sair e por uma questão de necessidade resolvi levar uma tote bag comigo porque não estava afim de usar mochila. Tote bag é tipo uma eco bag, não sei realmente o que difere uma da outra, mas enfim. Enfiei tudo o que precisava na maldita tote bag e a joguei no ombro, pronto pra sair. No big deal, afinal, eu canso de ver gente usando a tal bolsa por aí, seja homem ou mulher. Quer dizer, não que aqui no Brasil chova de caras héteros usando eco bags a torto e a direito, mas eu não diria que a imagem de um homem usando uma eco bag na rua faria sangue jorrar dos olhos das pessoas. Mesmo assim, como eu deveria saber, meu pai resolveu implicar.

Mamãe e papai estavam na sala assistindo a TV quando eu passei por eles.

"Que bolsa é essa, Alison?", perguntou meu pai, naquele tom irritante que só os pais sabem fazer, de deixar qualquer filho cheio de ódio.

"O que é que tem?", eu respondi.

"Deixa eu ver essa bolsa."

"Ah, pai, por favor, né."

"Você não vai sair com essa bolsa!"

"E quem é que vai me impedir?"

"Homem não é pra ficar andando com essa bolsinha, não! Isso aí é de mulher, você não vê?"

"Não quero saber."

"Alison, você NÃO VAI sair com essa bolsa."

"Ah, não? Me veja saindo com ela, então."

Me virei, e saí.


12 de mai. de 2012

Aquele da tirinha #021

Inspirado por B.
tirinha feita que nem a minha cara, porque já tava mais que na hora de atualizar essa bagaça, e eu estava morrendo de sono


5 de mai. de 2012

Aquele da abstinência sexual

Como eu ando doentinho (doentinho é apelido, mas ok), eu ando passando muito tempo no consultório fazendo coleta de sangue e lá aparece de tudo quanto é gente, né.

"Senhor, para fazer esse exame o senhor vai ter que ficar em abstinência.", informou a secretária.

"Abstinência? Que abstinência?", o velho perguntou.

"Abstinência sexual, senhor."

"Abstinência sexual? Mas que diabos é abstinência sexual?"

E foi então que minha mãe resolveu se meter.

"MINHA FILHA, FALA LOGO NO POPULAR! É SÓ ASSIM QUE ELE ENTENDE! NÃO PODE FAZER SEXO, MOÇO. ISSO QUE ELA QUIS DIZER, SEXO! VOCÊ NÃO PODE FAZER SEXO! ABSTINÊNCIA SEXUAL É ISSO. ENTENDEU?"

A secretária, toda envergonhada, deu uma risadinha.
Mas a boa coisa é que o moço finalmente entendeu e ainda aprendeu uma palavra nova no dia: Abstinência.

Mamãe é dez.

3 de mai. de 2012

Aquele do exame de fezes

E daí que a minha vida ultimamente tem sido um exame de fezes. Tipo, literalmente e figurativamente. E eu não aguento mais. Sábado passado eu passei super mal, fiquei de cama, e aqui estou eu, quase uma semana depois, ainda em casa, sentindo náuseas e dor no corpo o dia inteiro, esperando meus exames saírem para que meus médicos saibam finalmente que diabos eu tenho e tomarem alguma atitude.

Porque se tem uma coisa que eu odeio é ficar doente. Ficar doente é a abominação da minha vida, primeiro porque eu já tenho que obedecer limites por causa das minhas trezentas alergias. Quer dizer, eu tenho uma lista de restrições, cheia de coisas que se eu comer eu MORRO EM INSTANTES. Tipo, Zeus? Hermes? Afrodite? Qualquer um que esteja aí em cima. Não é o suficiente? Não é estrago o SUFICIENTE NA MINHA VIDA? Segundo que eu não suporto faltar aula. Pelo menos as importantes, né, porque a faculdade de Letras é infestada de disciplina inútil e repetitiva com professores mais inúteis ainda, mas isso a gente releva. O ponto é, o que é a minha vida sem estudar? Nada. Eu não faço NADA de útil, eu to a semana inteira assistindo a filmes e novelas japonesas o dia inteiro, torcendo pra não vomitar no edredon.

Quer dizer, não basta eu passar dias e mais dias do ano sofrendo com rinite, sinusite, falta de ar e o caralho a quatro, eu tenho que sofrer um pouco mais. 

Mas acho que a pior coisa no fim do dia é aquela sensação de ser uma mulher grávida no fim da gravidez, ficando enjoado por qualquer coisa e mijando a cada cinco minutos. E eu tenho um pinto! Sabe? Eu não devia estar sentindo isso. Eu não detenho a dádiva da menstruação (como diria nosso mestre Clodovil, que descanse em paz). Isso está sendo um martírio e eu não aguento mais ficar em casa. Eu até poderia arriscar ir para as aulas mas 1) Eu não vou viajar uma hora e meia, duas horas de ônibus passando mal lá dentro no meio daquele trânsito maravilhoso da avenida Brasil e 2) A comida do restaurante universitário é nojenta e eu não vou comer aquilo no estado que estou. Afinal, já basta eu ter de comer aquela gororoba quando eu estou BEM de saúde.

24 de abr. de 2012

Aquele da heterofobia

Esses dias eu fui chamado de heterofóbico. Gente, eu não sou heterofóbico. Não mesmo. Eu não tenho problema algum com a sexualidade das pessoas, eu acho que eu cresci com dificuldade o suficiente naquela prisão que a gente chama de escola para ter alguma atitude desrespeitosa desse naipe, o problema aqui na verdade está num nível muito mais pessoal do que as pessoas pensam de primeira instância, e não irracional.

Vou filtrar logo as mulheres dessa reflexão porque as mulheres geralmente são pessoas mais sofisticadas e fáceis de lidar. Pelo menos pra mim. Sabe o menininho que cresceu rodeado de garotas na escola, geralmente sem a companhia de outro garoto? Em toda turma teve um. Então, esse era eu. Inclusive até hoje é assim, tenho mais amigas do que amigos. É muito difícil eu me identificar com homens, mesmo gays, porque sei lá, o modo de pensar é diferente. Não que eu me identifique com o gênero mulher, seja transgênero ou coisa parecida, o que não é o caso, é mais uma questão de afinidade mesmo.

Eu não tenho problemas com caras héteros se você pensar no que essas palavras de fato significam: Caras. Héteros. Eu APENAS me reservo no direito de não me juntar com pessoas que acham que a ambiguidade que se encontra na frase "Ele gosta de comer banana" seja uma piada sofisticadíssima. Sabem? Eu não tenho paciência.

O meu problema então é com idiotice, com aquele nível absurdo de escrotidão e irrelevância que sai da boca de certos indivíduos do gênero masculino. Desde a infância nós somos informados que as mulheres são seres de um intelecto mais avançado, que amadurecem mais depressa, enfim. Daí nós temos aquela tendência ingênua a acreditar que aquele menino sujinho de lama vai crescer, tomar um daqueles tapas de consciência que a vida sempre nos dá e assim se tornará uma pessoa menos insuportável de se lidar. Mas não. Ele não amadurece. Ele continua a tratar a Banana como um eterno símbolo fálico em todas as ocasiões. E. eu. não. tenho. paciência.

Então, sei lá, quando eu dou aquela revirada nos olhos depois de ouvir um comentário infeliz e digo "Ai, hétero é foda" é porque, realmente, eu já tive de aturar muita coisa nessa vida em casa e fora dela, e já to de saco cheio.

22 de abr. de 2012

Aquele do cúmulo de ser assaltado

Finalzinho de tarde e Rômulo estava sozinho no ponto de ônibus de uma rua deserta quando Sr. Assaltante aparece. Não tinha nada além de uma nota de cinco reais em mãos, pra voltar pra casa.

"PÉRDEU, PÉRDEU, MANO, PASSA A GRANA!"

"Mas eu só tenho cinco, reais, moço."

"NUM INTERESSA, PASSA."

Sr. Assaltante arranca o dinheiro da mão de Rômulo e se afasta para ir embora.

"Espera, eu também tenho um celular, caso você queria roubar ele também."

Acontecimento verídico.

21 de abr. de 2012

Aquele em que eu sou sonâmbulo

Quando eu era criança eu fazia certas coisas das quais eu não me orgulho. Coisas que eu fazia quando estava dormindo. Eu não sei se eu posso realmente ser chamado de sonâmbulo ou se tudo isso é apenas outra condição psicológica porque eu acho que sonâmbulos não lembram de nada dessas situações, não é? Mas não, eu tenho recortes de imagens de não todos, mas alguns desses momentos.

Teve um episódio mais comentado aqui em casa porque eu tinha um primo dormindo aqui no dia, e ele e meus pais estavam acordados assistindo ao programa do Jô. Me contam que eu levantei de madrugada, andei o caminho inteiro até a cozinha, levantei a tampa da lata de lixo e fiz xixi lá dentro. ENQUANTO MEU PAI, DESESPERADO, SEM SABER O QUE FAZER VENDO FILHO DELE ANDANDO DORMINDO, ME AJUDAVA A NÃO ERRAR O ALVO. Eu devia ter uns seis anos idade, não lembro.

Teve outros episódios em que eu apenas andava pela casa tirando almofadas do lugar, parando em pé em frente a cama dos meus pais, abrindo e fechando a geladeira em movimentos viciosos. Levantava da cama e rolava pra debaixo dela (o que na primeira vez levou meus pais a acreditaram que eu havia sido abduzido por ET's já que eles não me encontravam em lugar nenhum da casa). Nada inofensivo.

Depois que eu cresci esses episódios começaram a ser menos frequentes até que pararam de acontecer, só que esses dias ocorreu um fato meio bizarro. Eu havia comprado alguns chicletes na farmácia e os deixei guardados na mochila. Quando acordei, tinha chiclete seco grudado nas juntas das minhas DUAS PERNAS. Quer dizer. Como?

Eu não sei o que aconteceu. A única coisa que me passou pela cabeça foi eu ter acordado de madrugada, mascado um chiclete e depois colado ele na perna porque, né, não tem lugar melhor pra colocar chiclete babado se não na sua própria pele enquanto você tá dormindo.

Agora, pra tirar aquela goma seca maldita das juntas foi a desgraça. Espero de verdade que não aconteça uma continuação desse episódio.

11 de abr. de 2012

Aquele do metrô lotado #03

Quem anda de metrô lotado sabe. Às vezes você se mexe contra a sua vontade. Você atravessa a porta numa ponta do vagão e sai lááá na outra sem saber como isso aconteceu. Pegar o metrô de manhã na primeira estação é a desgraça porque primeiro que o metrô tá supostamente vazio, né, e as pessoas saem correndo desesperadas pra arranjar um lugar ou um canto aconchegante pra se encaixar. Daí o que acontece, você meio que é levado pela corrente de gente contra a sua vontade. Por isso não adianta ir com amiguinho pensando que vai viajar de metrô conversando a viagem inteira, porque não vai rolar.

Outro dia entraram mãe e filha no mesmo vagão e não deu outra. Foram as duas arrastadas para pontos exatamente opostos.

Nenhuma alma viva falava no vagão.

"Ô MANHÊEE!!! CADÊ VOCÊ??!!", gritou uma delas, de repente.

Bem no extremo do outro lado do vagão, via-se uma senhora na ponta dos pés, esticando os dois braços, acenando como se sua vida dependesse disso.

"TÔ AQUIIIIIIIII!!!"

Daí pronto. Permaneceram conversando desse modo até chegarem na estação destino.
Foi a desgraça.