20 de mai. de 2012

Aquele da falta de material

Honestamente? O que eu mais queria agora era poder sair pra dançar e ficar louca de bêbada na pista de dança de qualquer boate gay nesse estado maldito que tenha bebida liberada. Mas não bebendo cerveja. Não. Cerveja não desce na minha garganta. Pra mim qualquer coisa é melhor que esse xixi com espuma que dão pra gente beber, até essas caipirinhas vagabundas feitas com kisuco de limão misturado com aquelas cachaças das mais baratas, sabem, daquelas que usam pra fazer oferenda de macumba.

Mas não. Eu tenho que ficar em casa, vendo a vida passar, esperando ficar melhor da saúde. Sentindo dor no corpo, entalado na cama assistindo qualquer merda que esteja passando na televisão ou algum filme/série que eu decida baixar para passar o tempo.

Eu quero sair, ver gente nova, voltar a estudar, saber das fofocas. Preciso das futilidades da vida pra sobreviver e, o mais importante, escrever sobre elas. Porque ficar empacado em casa não está me gerando material nenhum e eu já to de saco cheio.

13 de mai. de 2012

Aquele da tote bag

Um dia desses estava me arrumando pra sair e por uma questão de necessidade resolvi levar uma tote bag comigo porque não estava afim de usar mochila. Tote bag é tipo uma eco bag, não sei realmente o que difere uma da outra, mas enfim. Enfiei tudo o que precisava na maldita tote bag e a joguei no ombro, pronto pra sair. No big deal, afinal, eu canso de ver gente usando a tal bolsa por aí, seja homem ou mulher. Quer dizer, não que aqui no Brasil chova de caras héteros usando eco bags a torto e a direito, mas eu não diria que a imagem de um homem usando uma eco bag na rua faria sangue jorrar dos olhos das pessoas. Mesmo assim, como eu deveria saber, meu pai resolveu implicar.

Mamãe e papai estavam na sala assistindo a TV quando eu passei por eles.

"Que bolsa é essa, Alison?", perguntou meu pai, naquele tom irritante que só os pais sabem fazer, de deixar qualquer filho cheio de ódio.

"O que é que tem?", eu respondi.

"Deixa eu ver essa bolsa."

"Ah, pai, por favor, né."

"Você não vai sair com essa bolsa!"

"E quem é que vai me impedir?"

"Homem não é pra ficar andando com essa bolsinha, não! Isso aí é de mulher, você não vê?"

"Não quero saber."

"Alison, você NÃO VAI sair com essa bolsa."

"Ah, não? Me veja saindo com ela, então."

Me virei, e saí.


12 de mai. de 2012

Aquele da tirinha #021

Inspirado por B.
tirinha feita que nem a minha cara, porque já tava mais que na hora de atualizar essa bagaça, e eu estava morrendo de sono


5 de mai. de 2012

Aquele da abstinência sexual

Como eu ando doentinho (doentinho é apelido, mas ok), eu ando passando muito tempo no consultório fazendo coleta de sangue e lá aparece de tudo quanto é gente, né.

"Senhor, para fazer esse exame o senhor vai ter que ficar em abstinência.", informou a secretária.

"Abstinência? Que abstinência?", o velho perguntou.

"Abstinência sexual, senhor."

"Abstinência sexual? Mas que diabos é abstinência sexual?"

E foi então que minha mãe resolveu se meter.

"MINHA FILHA, FALA LOGO NO POPULAR! É SÓ ASSIM QUE ELE ENTENDE! NÃO PODE FAZER SEXO, MOÇO. ISSO QUE ELA QUIS DIZER, SEXO! VOCÊ NÃO PODE FAZER SEXO! ABSTINÊNCIA SEXUAL É ISSO. ENTENDEU?"

A secretária, toda envergonhada, deu uma risadinha.
Mas a boa coisa é que o moço finalmente entendeu e ainda aprendeu uma palavra nova no dia: Abstinência.

Mamãe é dez.

3 de mai. de 2012

Aquele do exame de fezes

E daí que a minha vida ultimamente tem sido um exame de fezes. Tipo, literalmente e figurativamente. E eu não aguento mais. Sábado passado eu passei super mal, fiquei de cama, e aqui estou eu, quase uma semana depois, ainda em casa, sentindo náuseas e dor no corpo o dia inteiro, esperando meus exames saírem para que meus médicos saibam finalmente que diabos eu tenho e tomarem alguma atitude.

Porque se tem uma coisa que eu odeio é ficar doente. Ficar doente é a abominação da minha vida, primeiro porque eu já tenho que obedecer limites por causa das minhas trezentas alergias. Quer dizer, eu tenho uma lista de restrições, cheia de coisas que se eu comer eu MORRO EM INSTANTES. Tipo, Zeus? Hermes? Afrodite? Qualquer um que esteja aí em cima. Não é o suficiente? Não é estrago o SUFICIENTE NA MINHA VIDA? Segundo que eu não suporto faltar aula. Pelo menos as importantes, né, porque a faculdade de Letras é infestada de disciplina inútil e repetitiva com professores mais inúteis ainda, mas isso a gente releva. O ponto é, o que é a minha vida sem estudar? Nada. Eu não faço NADA de útil, eu to a semana inteira assistindo a filmes e novelas japonesas o dia inteiro, torcendo pra não vomitar no edredon.

Quer dizer, não basta eu passar dias e mais dias do ano sofrendo com rinite, sinusite, falta de ar e o caralho a quatro, eu tenho que sofrer um pouco mais. 

Mas acho que a pior coisa no fim do dia é aquela sensação de ser uma mulher grávida no fim da gravidez, ficando enjoado por qualquer coisa e mijando a cada cinco minutos. E eu tenho um pinto! Sabe? Eu não devia estar sentindo isso. Eu não detenho a dádiva da menstruação (como diria nosso mestre Clodovil, que descanse em paz). Isso está sendo um martírio e eu não aguento mais ficar em casa. Eu até poderia arriscar ir para as aulas mas 1) Eu não vou viajar uma hora e meia, duas horas de ônibus passando mal lá dentro no meio daquele trânsito maravilhoso da avenida Brasil e 2) A comida do restaurante universitário é nojenta e eu não vou comer aquilo no estado que estou. Afinal, já basta eu ter de comer aquela gororoba quando eu estou BEM de saúde.

24 de abr. de 2012

Aquele da heterofobia

Esses dias eu fui chamado de heterofóbico. Gente, eu não sou heterofóbico. Não mesmo. Eu não tenho problema algum com a sexualidade das pessoas, eu acho que eu cresci com dificuldade o suficiente naquela prisão que a gente chama de escola para ter alguma atitude desrespeitosa desse naipe, o problema aqui na verdade está num nível muito mais pessoal do que as pessoas pensam de primeira instância, e não irracional.

Vou filtrar logo as mulheres dessa reflexão porque as mulheres geralmente são pessoas mais sofisticadas e fáceis de lidar. Pelo menos pra mim. Sabe o menininho que cresceu rodeado de garotas na escola, geralmente sem a companhia de outro garoto? Em toda turma teve um. Então, esse era eu. Inclusive até hoje é assim, tenho mais amigas do que amigos. É muito difícil eu me identificar com homens, mesmo gays, porque sei lá, o modo de pensar é diferente. Não que eu me identifique com o gênero mulher, seja transgênero ou coisa parecida, o que não é o caso, é mais uma questão de afinidade mesmo.

Eu não tenho problemas com caras héteros se você pensar no que essas palavras de fato significam: Caras. Héteros. Eu APENAS me reservo no direito de não me juntar com pessoas que acham que a ambiguidade que se encontra na frase "Ele gosta de comer banana" seja uma piada sofisticadíssima. Sabem? Eu não tenho paciência.

O meu problema então é com idiotice, com aquele nível absurdo de escrotidão e irrelevância que sai da boca de certos indivíduos do gênero masculino. Desde a infância nós somos informados que as mulheres são seres de um intelecto mais avançado, que amadurecem mais depressa, enfim. Daí nós temos aquela tendência ingênua a acreditar que aquele menino sujinho de lama vai crescer, tomar um daqueles tapas de consciência que a vida sempre nos dá e assim se tornará uma pessoa menos insuportável de se lidar. Mas não. Ele não amadurece. Ele continua a tratar a Banana como um eterno símbolo fálico em todas as ocasiões. E. eu. não. tenho. paciência.

Então, sei lá, quando eu dou aquela revirada nos olhos depois de ouvir um comentário infeliz e digo "Ai, hétero é foda" é porque, realmente, eu já tive de aturar muita coisa nessa vida em casa e fora dela, e já to de saco cheio.

22 de abr. de 2012

Aquele do cúmulo de ser assaltado

Finalzinho de tarde e Rômulo estava sozinho no ponto de ônibus de uma rua deserta quando Sr. Assaltante aparece. Não tinha nada além de uma nota de cinco reais em mãos, pra voltar pra casa.

"PÉRDEU, PÉRDEU, MANO, PASSA A GRANA!"

"Mas eu só tenho cinco, reais, moço."

"NUM INTERESSA, PASSA."

Sr. Assaltante arranca o dinheiro da mão de Rômulo e se afasta para ir embora.

"Espera, eu também tenho um celular, caso você queria roubar ele também."

Acontecimento verídico.

21 de abr. de 2012

Aquele em que eu sou sonâmbulo

Quando eu era criança eu fazia certas coisas das quais eu não me orgulho. Coisas que eu fazia quando estava dormindo. Eu não sei se eu posso realmente ser chamado de sonâmbulo ou se tudo isso é apenas outra condição psicológica porque eu acho que sonâmbulos não lembram de nada dessas situações, não é? Mas não, eu tenho recortes de imagens de não todos, mas alguns desses momentos.

Teve um episódio mais comentado aqui em casa porque eu tinha um primo dormindo aqui no dia, e ele e meus pais estavam acordados assistindo ao programa do Jô. Me contam que eu levantei de madrugada, andei o caminho inteiro até a cozinha, levantei a tampa da lata de lixo e fiz xixi lá dentro. ENQUANTO MEU PAI, DESESPERADO, SEM SABER O QUE FAZER VENDO FILHO DELE ANDANDO DORMINDO, ME AJUDAVA A NÃO ERRAR O ALVO. Eu devia ter uns seis anos idade, não lembro.

Teve outros episódios em que eu apenas andava pela casa tirando almofadas do lugar, parando em pé em frente a cama dos meus pais, abrindo e fechando a geladeira em movimentos viciosos. Levantava da cama e rolava pra debaixo dela (o que na primeira vez levou meus pais a acreditaram que eu havia sido abduzido por ET's já que eles não me encontravam em lugar nenhum da casa). Nada inofensivo.

Depois que eu cresci esses episódios começaram a ser menos frequentes até que pararam de acontecer, só que esses dias ocorreu um fato meio bizarro. Eu havia comprado alguns chicletes na farmácia e os deixei guardados na mochila. Quando acordei, tinha chiclete seco grudado nas juntas das minhas DUAS PERNAS. Quer dizer. Como?

Eu não sei o que aconteceu. A única coisa que me passou pela cabeça foi eu ter acordado de madrugada, mascado um chiclete e depois colado ele na perna porque, né, não tem lugar melhor pra colocar chiclete babado se não na sua própria pele enquanto você tá dormindo.

Agora, pra tirar aquela goma seca maldita das juntas foi a desgraça. Espero de verdade que não aconteça uma continuação desse episódio.

11 de abr. de 2012

Aquele do metrô lotado #03

Quem anda de metrô lotado sabe. Às vezes você se mexe contra a sua vontade. Você atravessa a porta numa ponta do vagão e sai lááá na outra sem saber como isso aconteceu. Pegar o metrô de manhã na primeira estação é a desgraça porque primeiro que o metrô tá supostamente vazio, né, e as pessoas saem correndo desesperadas pra arranjar um lugar ou um canto aconchegante pra se encaixar. Daí o que acontece, você meio que é levado pela corrente de gente contra a sua vontade. Por isso não adianta ir com amiguinho pensando que vai viajar de metrô conversando a viagem inteira, porque não vai rolar.

Outro dia entraram mãe e filha no mesmo vagão e não deu outra. Foram as duas arrastadas para pontos exatamente opostos.

Nenhuma alma viva falava no vagão.

"Ô MANHÊEE!!! CADÊ VOCÊ??!!", gritou uma delas, de repente.

Bem no extremo do outro lado do vagão, via-se uma senhora na ponta dos pés, esticando os dois braços, acenando como se sua vida dependesse disso.

"TÔ AQUIIIIIIIII!!!"

Daí pronto. Permaneceram conversando desse modo até chegarem na estação destino.
Foi a desgraça.

9 de abr. de 2012

Aquele da salvação

Vizinho vive a vida inteira só fazendo coisa errada, pagando de machinho, de fortinho "comigo ninguém pode". Bateu na mulher, fez da vida da esposa um inferno, deu um soco na cara da filha quando descobriu que ela estava grávida, expulsou filho de casa, renegou a neta porque ela nasceu preta.

Faz merda a vida inteira só esperando chegar na meia idade pra dizer pra família que se arrependeu. Comprou meia dúzia de CD's de música gospel pra ouvir no último volume do estéreo, de forma que a rua inteira possa ouvir o louvor vindo de sua casa.

Cadê a coerência? Desculpa, mas não to achando.

8 de abr. de 2012

Aquele da caixa de chocolate

Ao chegar essa época gordurosa da Páscoa de comprar rios de chocolate para amigos e parentes, quando minha família vem me perguntar o que eu quero, eu descarto a possibilidade de receber uma caixa de bombons na hora, se puder. Essas caixas de bombons sortidos é o que tem de pior para gente chata e fresca que nem eu. Basicamente porque nós não comemos qualquer chocolate.

O que acaba acontecendo é que eu ganho uma caixa de bombons e só como 1/3 das unidades que tem ali dentro. O resto acaba atravessando o esôfago da senhora Minha mãe, que na fome come até pedra.

Mas o que fazer quando você ganha uma caixa de bombons e o seu bombom preferido, aquele pelo qual seu coração bate mais acelerado enquanto abre a caixa, foi esquecido de ser colocado junto? O que fazer?

Serviço de atendimento ao consumidor, é claro.

"Minha senhora, é o seguinte. Eu ganhei uma caixa de bombons da sua fábrica e vocês esqueceram de colocar um bombom."

"Um bombom?"

"Sim, senhora."

"O senhor quer que nós o reembolsemos no valor de um bombom?"

"Exatamente."

"Tu. Tu. Tu. Tu."