16 de mai de 2011

Aquele em que eu falo sozinho

Eu parto da premissa de que todo mundo tem o hábito de conversar sozinho. Porque sabe, às vezes você tem aquela necessidade de bater um lero com os próprios botões para tentar processar as idéias. Eu faço isso o tempo todo. No ônibus, no banheiro, no fogão, antes de dormir... é uma coisa natural. Mas por alguma razão que eu desconheço, quando alguém me pega no flagrante a pessoa sempre pensa que eu estou ficando maluco.

Na verdade, até quando eu estou falando com outro ser vivo acontece isso. Outro dia eu estava assistindo a um filme na TV da sala (se me lembro bem, estava assistindo a Three Faces of Eve, que aliás, é muito bom e eu recomendo) enquanto meu primo-pseudo-irmão-mais-novo se arrumava para ir para o curso de inglês. A nossa cachorra estava deitada bem ao meu lado no sofá e nem ao menos dois minutos após meu primo se retirar de casa havia se passado quando eu senti um cheiro bem desagradável no ar.

"Alguém peidou" eu pensei, "E não fui eu".

E é claro que eu coloquei a culpa na cachorra.

"Minnie, sua cachorra porca! Você peidou? Pode falar pra mim, você peidou?!"

Neste exato momento meu primo abre a porta da sala.

"Alison. Você está falando sozinho?" ele perguntou.

Naturalmente, eu respondi "Não, eu estou falando com a cachorra".

E sabe quando alguém te dá aquele olhar de 'É, como se isso fosse menos absurdo'? Pois é, foi exatamente o que eu senti. Meu primo nem se preocupou em fazer outro comentário, ele fechou a porta na minha cara e foi embora.

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